Que está à procura de me livre

Parece que às vezes está à procura de sarna para se coçar.' ... 'Nunca tive aquele sonho de me casar na igreja. Vai ser ao ar livre' SIC; Após ser testado à Covid-19, Jorge Gabriel presta ... La conjugaison du verbe se procurer sa définition et ses synonymes. Conjuguer le verbe se procurer à indicatif, subjonctif, impératif, infinitif, conditionnel, participe, gérondif. medida em que supomos que é precisamente na regra técnica livre-associativa que a psicanálise encontra o fundamento definidor de seu método. É no recurso à associação livre que ela se diferencia das outras práticas de tratamento pela palavra. Com Fábio Carille de volta, Corinthians está à procura de um centroavante As peças que Carille perdeu para 2019, no entanto, foram fundamentais na última conquista do Corinthians. Verdadeira Falsa 8.Sartre defende a ideia de que a existência precede a essência e, por isso, o ser humano não está predeterminado a nada. Verdadeira Falsa 9.Sartre defende a ideia de que toda pessoa tem uma potencial a realizar, desde quando nasce, mas é livre para transformar ou não essa possibilidade em realidade. Verdadeira Falsa 10.O ... A procura por aulas de yoga, pilates, meditação e treinos ao ar livre ou 'online' com 'personal trainer' (PT) aumentou após o confinamento devido à covid-19 e as inscrições nessas modalidades continuam a aumentar, revelam vários professores. Mulher procura homem maduro que precise de carinho e companhia P 10/17/2020 18:50 - Mulher Procura Homem - Porto. 44 Favoritos. 1 ️madame domme aceita submissos - escravos obedientes P 10/17/2020 16:50 - Mulher Procura Homem - Cascais. 32 Favoritos. 1 . Só deslocaçoes A única coisa que te peço é que prestes atenção à tua vida; que teu estado de alerta seja o teu guia. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno. Pára de crer em mim... crer é supor, imaginar. Após a demissão em massa de funcionários e sua saída do mercado de drones, a GoPro está oficialmente à procura de compradores para sobreviver à crise. Ansel Elgort afirma que está à procura de um relacionamento aberto, mas sem sexo - Foto: Reprodução/Instagram Redação Publicado em 01/10/2019, às 12h23 Ansel Elgort , ator que ficou famoso por sua participação em A Culpa é das Estrelas , está estreando um novo filme, e por isso está dando entrevistas para promovê-lo.

A propósito do funcionamento do SNS em tempos de Pandemia - o desabafo de um médico

2020.10.11 12:25 aleph_heideger A propósito do funcionamento do SNS em tempos de Pandemia - o desabafo de um médico

Meus amigos. Caso tenham paciência para algo diferente do texto diário sobre reconversão para TI ou o anúncio da próxima bolha imobiliária.
Tenho lido e ouvido, aqui e ali, uma série de críticas ao SNS e à DGS sobre a forma como está a ser gerida esta crise sanitária. Da DGS não vou falar porque não apenas têm a sua própria agenda mas também porque as decisões que são obrigados a tomar, parecendo certas ou erradas, são apenas isso: opções. E porque eu não conheço a realidade deles (mas sei que não se vivem dias felizes por aqueles lados).
Vou sim falar na resposta do SNS. Como tem sido a vida dos profissionais no terreno, algo que se calhar muito boa gente desconhece.
A principal crítica dos utentes neste momento, em particular nos Centros de Saúde / USF's / UCSP's prende-se com a dificuldade no acesso ao atendimento. E são críticas fundadas. Algumas unidades sei que encerraram por falta de pessoal - ou meios. Mas estas serão poucas. Nas restantes... Comecemos pelo funcionamento de um qualquer Centro de Saúde pré-COVID: salas de espera cheias de utentes. Os médicos e enfermeiros possuíam um agendamento cujo único propósito era não ser cumprido (e nos hospitais era a mesma coisa): dias que começavam com a agenda cheia - 25 consultas por exemplo (cada consulta a demorar 20 minutos em média) não raramente terminavam com 40 consultas efectuadas. Os tais doentes que, embora não agendados apareciam na unidade para resolver qualquer coisa "urgente" e que não saíam de lá enquanto não falassem com alguém. E a malta lá ia cedendo. Despachavam-se coisas aqui e ali e encaixava-se mais este ou aquele até porque a agenda já estava cheia para o mês e o almoço pode ser feito em 10 minutos. Neste momento contudo, e por via das medidas de afastamento pessoal implementadas, as salas de espera viram a sua capacidade reduzida para números anteriormente impensáveis. Se a sala de espera estiver "cheia", não entra mais ninguém. Faz sentido; é para proteção dos utentes e dos próprios profissionais. Mas os utentes nem sempre ou raramente percebem a lógica. Por outro lado, e aqui sim está a diferença, neste momento cumprimos a agenda. Se eu tenho 10 vagas sei que vou ver 10 doentes. E mais nenhum. Porque a sala tem de ser limpa entre cada utente e por vezes o próprio profissional tem de trocar material. E isso demora algum tempo. Acabaram-se os aglomerados de utentes à porta do consultório só para "dar uma palavrinha" entre duas consultas. Acabou também em muitos sítios a procura activa do doente: era a unidade a convocar o doente. Neste momento muito poucos são convocados até porque se vive um pouco na lógica do "também não tenho onde os pôr".
Por outro lado abriu-se uma nova porta de acesso: a "famigerada" teleconsulta. Pessoalmente sou adepto. Poupo tempo e recursos. Há imensas coisas que se podem resolver pelo telefone. Eu não preciso de ver um utente só para lhe dizer um resultado de exames ou para lhe propor algum curso de acção. Eu preciso de ver o doente se precisar de o observar, se precisar de "espetar-lhe um dedo na barriga para ver se dói". Se tudo o que eu preciso é de falar com ele, provavelmente muitos desses casos podem ser feitos à distância com vantagens para ambos. Eu sei, não funciona com todos os doentes e eu continuo a marcar presencialmente doentes apenas para falar. Mas esta modalidade esbarra num outro problema: os serviços não estão preparadas para isto. Imaginem um Centro de Saúde com 12000 utentes inscritos - quantos destes é que num determinado dia vão tentar ligar? Algumas centenas. E quantos secretários terá cada uma destas unidades a atender os telefones? Um ou dois - e isso se os próprios telefones não estiverem avariados e assumindo que a única tarefa do secretariado se resume a atender telefones - não é. Conheço mais do que um caso em que um secretário clínico passou a entrar às 7h para ter 1h/dia para resolver expediente. E quantas linhas telefónicas terá a unidade? Demasiadas - o que faz com que, embora todos os telefones possam estar ocupados a linha continue a dar sinal de disponível. Agora imaginem isto num hospital que serve uma população de algumas centenas de milhar de pessoas... Quanto aos profissionais: ou não temos telefone de serviço ou se temos, não permite fazer chamadas porque o saldo = 0€. Usamos os telefones pessoais, com nº oculto - que muita gente não atende porque sabe que do lado de lá deve estar alguém a tentar vender colchões - ou adquirimos um cartão próprio para esta actividade, às nossas custas.
Adicionalmente temos o email: fantástica invenção: tenho enviado documentos para os utentes por esta via, tenho recebido exames e outros documentos por esta via. Sei de casos em que o uso da teleconsulta e email solucionou em 2 ou 3 dias situações que, na pré-pandemia, teriam demorado semanas a terem resolução. Mas temos o reverso da medalha: enviar um email é fácil e temos sido inundados (principalmente os médicos de família) com pedidos "absurdos". Qualquer coisa serve para enviar um email ao médico e se a resposta não surge em 5 minutos lá vai mais um email a pedir para ler e responder ao primeiro (o meu recorde são 5 em dois dias - num fim de semana).
Também no âmbito da teleconsulta foi criada a possibilidade dos médicos e enfermeiros poderem realizar todas aquelas actividades não presenciais no conforto do lar, através do uso de uma VPN: quando me prometeram isto fiquei contente: imaginei-me logo a actualizar processos pendendes no carro enquanto esperava pelos filhos na escola. Mas não... São poucas as VPN's; em vez de ser uma solução cloud com máquinas virtuais na maior parte dos sítios VPN=acesso remoto a um computador físico na unidade (significando que esse computador deixa de poder ser utilizado localmente ou que a VPN apenas pode ser usada quando o computador está livre) e estranhamente, quando me ligo através da MEO há um qualquer problema com a ligação que faz com que a maior parte das vezes não consiga aceder ao servidor remoto. Obviamente que o apoio informático não me sabe resolver o problema.
Tudo isto gasta tempo... tenho a maioria dos meus dias divididos nas duas coisas: 6 a 7 horas/dia para consulta presencial (cheia claro) e 1 a 2 horas/dia para email e telefone - não chega.
A acrescentar a isto o pessoal dos centros de saúde ainda tem o seguimento dos doentes COVID. Como é que isto funciona? Cada utente considerado suspeito ou em que se confirme a infecção é colocado (nem sempre) numa base de dados nacional à qual os Médicos de Família e hospitalares (e a Saúde Pública) têm acesso sendo os doentes filtrados por ACES. O princípio será cada médico contactar telefonicamente os utentes da sua própria unidade e orientar convenientemente todos os casos, suspeitos ou confirmados. Gasta tempo, tempo esse que tem de ser retirado das tarefas normais de consulta. Quando é que isto corre mal? Utentes que não têm o número de telefone actualizado - são imensos; utentes que não atendem o telefone - seja porque não conhecem o número de telefone, seja porque o médico liga com número privado ou então apenas porque estavam na casa de banho. Ao fim de semana... mantém-se esta necessidade de contacto. E perguntam: mas então o médico tem de trabalhar 7/dias por semana? Ter, ter, não. Mas há trabalho todos os dias e portanto, tem - muitas unidades escalam as pessoas - 1 ou 2 por fim de semana, outras apenas com 1 ou 2 médicos/enfermeiros estão a trabalhar quase ininterruptamente desde Abril. Outras unidades pura e simplesmente não fazem este trabalho ao fim de semana, até porque parece que não está a ser pago: inicialmente foi prometido que seria mas tanto quanto é do meu conhecimento - nada oficial portanto - deixaram de pagar as horas extra para esta tarefa em Junho ou Julho - e telefonar a 30 doentes ainda demora o seu tempo.

Finalmente, o excesso de mortalidade ocorrida nestes tempos... Eu tenho a minha opinião e as minhas observações. Aquilo que eu vejo é que em vez de dizer que houve excesso de mortalidade deveríamos estar a falar principalmente em antecipação de mortalidade. Entre nós médicos, que emitimos as certidões, já tivemos muitas conversas sobre o assunto. Quem é que tem morrido? Imensos idosos, cheios de doenças e maleitas afins. E antecipação porquê? Porque antes, qualquer idoso acamado que desse um "Ai" era imediatamente corrido para o Serviço de Urgência mais próximo e, estivesse muito mal ou não, o pessoal garantia que o idoso continuasse vivo por mais algum tempo e voltasse à sua rotina habitual de fingir que era uma couve - não levem a mal a comparação, são situações muito complicadas para os cuidadores e para o próprio doente e o termo não é aqui usado com desrespeito. Neste momento, vemos muitos destes idosos a morrer em casa porque a família não os leva ao hospital. E honestamente, se calhar não estão muito errados. Eu sempre fui apologista da morte em casa, preparada e acompanhada pela família. Fazemos demasiada medicina no fim de vida - e não de fim de vida - sem grandes benefícios... uma questão antiga esta de saber até que ponto é ético e correcto manter um dependente, acamado e sem qualquer tipo de vida de relação - o típico velhinho emagrecido, escariado, com tubos enfiados em tudo o que é buraco - vivo à força.

São livres de perguntar ou comentar: tão cedo não respondo porque preciso de dormir.
Só vos peço uma coisa: tenham cuidado. Não se metam em festas de Universidade; se tiverem de ir a um baptizado façam apenas isso e recordem que o baptizado é a parte em que o padre coloca água na cabeça da criança e não a parte seguinte em que está toda a gente sentada a comer e a conviver. Aquilo que a Graça Freitas recentemente disse tem muita razão de ser: "bolhas familiares". Criem a vossa própria bolha e limitem ao máximo os contactos com elementos de fora. Porque o verdadeiro problema não são os jovens infectados. O verdadeiro problema é o facto destes jovens irem ocupar e desviar recursos, seja na urgência seja no contacto telefónico, de onde eles são mais necessários. Estes dias já tive atrasos na observação de doentes idosos devido ao número de pessoas mais novas que se calhar nem sequer deveriam ter ido a uma urgência em primeiro lugar. O SNS continua a esticar mas já mostra alguns rasgões aqui e ali.
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2020.09.05 04:27 frdnt Despindo o Homem Encapuzado

A teoria abaixo é parte de uma serie de textos escritos por Cantuse em seu blog. Link: https://cantuse.wordpress.com/2014/09/30/the-hooded-man-uncloaked/
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O MANIFESTO : VOLUME II, CAPÍTULO III

Provavelmente, um dos maiores mistérios de A Dança dos Dragões é a identidade do homem encapuzado. Muitas pessoas foram propostas, de Robett Glover a Harwin e ao próprio Theon em algum estado dissociativo.
No entanto, acredito que posso fazer uma conclusão mais convincente de que o homem encapuzado não é nenhuma dessas opções mais conhecidas. Este ensaio explica minha teoria sobre o homem encapuzado e seu propósito em Winterfell.
Colocando minhas cartas na mesa, aqui estão as principais afirmações que faço:
NOTA: Este ensaio pode ser controverso em sua construção e conclusões. Deve-se notar que a identidade do homem encapuzado não é verdadeiramente crítica para que o restante do Manifesto valha a pena. Este ensaio é bastante independente, não afetando mais nada no Manifesto.
Em outras palavras, se você não gosta deste ensaio, pode simplesmente ignorá-lo e continuar.
[...]

PRIMEIROS SINAIS DO GIGANTE

Eu gostaria de um breve momento para destacar algo importante.
– Para lutar com Lorde Stannis, temos que encontrá-lo primeiro – Roose Ryswell observou. – Nossos batedores saíram pelo Portão do Caçador, mas até agora nenhum deles retornou.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Batedores estão desaparecendo do lado de fora do Portão do Caçador. Este é o mesmo portão onde Mors Crowfood parece chegar um ou dois dias depois:
O rufar parecia estar vindo da Matadelobos, além do Portão do Caçador. Estão do lado de fora das muralhas.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
O desaparecimento dos batedores parece algo pelo qual Mors seria responsável. É consistente com o que encontramos no capítulo liberado de Theon de Os Ventos do Inverno: construir obstáculos e impedir ou matar aqueles que saem dos portões. No mínimo, Mors não quer que nenhum batedor encontre seu bando de garotos e informe a Roose Bolton.
Mais importante, os batedores ausentes indicam que Mors estava realmente fora de Winterfell há pelo menos um dia (talvez mais) antes de tocar seus berrantes de guerra.
Mas por que ele ficaria lá aguardando em segredo?
Para responder a essa pergunta, temos que mergulhar no mistério do homem encapuzado.

O IDIOTA DOS RYSWELL

É difícil imaginar o tipo de mente obtusa que é necessária para ser Roger Ryswell. Há algo de suspeito sobre a magnitude e a natureza de sua idiotice.
O Idiota dos Ryswell
Eu gostaria de um momento para mostrar algumas passagens:
– Um bêbado – Ryswell declarou. – Mijando da muralha, aposto. Escorregou e caiu.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
:::
– Esses mortos eram todos homens fortes – disse Roger Ryswell –, e nenhum deles foi apunhalado. O Vira-Casaca não é nosso assassino.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
:::
Roger Ryswell grunhiu.
– Se não é ele, quem é? Stannis tem algum homem dentro do castelo, isso está claro.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
:::
Ryswell não estava convencido.
– Ele, no entanto, ama seus bifes, costelas e tortas de carne. Rondar o castelo na escuridão exigiria que deixasse a mesa. O único momento em que faz isso é quando procura a latrina para uma de suas longas horas agachado.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Vejam, pode ser apenas eu, mas não parece que ele está quase deliberadamente negando qualquer explicação possível para os assassinatos?
Da perspectiva de um leitor, não é também uma estranha coincidência que Roger faz afirmações que contradizem vários truques que nós realmente vimos em A Dança dos Dragões:
Roger nega que as três diferentes conspirações que descobrimos sejam verdadeiras ou se tornarão verdadeiras posteriormente no livro e rapidamente descarta o restante.
Como uma pessoa consegue ser tão boa em acidentalmente impedir uma investigação de assassinato?
Falta de contato visual
Quando você pensa no Homem Encapuzado e na descrição que temos dele, existem apenas dois detalhes que vêm à mente: sua capa e seus olhos.
Mais adiante, cruzou com um homem que vinha na direção oposta, uma capa com capuz agitando-se atrás dele. Quando se encontraram frente a frente, seus olhos se encontraram brevemente. O homem colocou a mão na adaga.
– Theon Vira-Casaca. Theon assassino de parentes.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Assim, vemos que Theon dá uma rápida olhada na capa do homem. Vemos também que Theon evita contato visual com o homem.
Essa falta de contato visual pode ser importante para determinar a identidade do homem encapuzado. Não há dúvida de que Theon evita o contato visual em geral, podemos supor que isso aconteça de vez em quando.
No entanto, gostaria de apontar outro exemplo muito interessante que mostra Theon evitando deliberadamente o contato visual ou olhar para o rosto de uma pessoa:
Pernas de Aço o levou pelo Grande Salão, até o solar que certa vez fora de Eddard Stark. Lorde Bolton não estava sozinho. A Senhora Dustin estava sentada com ele, o rosto pálido e severo; um broche de ferro com o formato de uma cabeça de cavalo prendia a capa de Roger Ryswell; Aenys Frey estava em pé perto do fogo, as bochechas vermelhas com o frio.
– Me contaram que você anda vagando pelo castelo – Lorde Bolton começou. – Homens reportaram terem visto você nos estábulos, nas cozinhas, nos barracões, nas ameias. Foi observado perto das ruínas das torres caídas, do lado de fora do velho septo da Senhora Catelyn, indo e vindo do bosque sagrado. Nega isso?
– Não, ‘nhor. – Theon fez questão de falar mal a palavra. Sabia que aquilo agradava Lorde Bolton. – Não consigo dormir, ‘nhor. Eu caminho. – Manteve a cabeça baixa, olhos fixos nas velhas tábuas corridas no chão. Não seria sábio olhar sua senhoria no rosto.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Você notou o rosto que Theon não conseguiu explicar?
A Senhora Dustin estava sentada com ele, o rosto pálido e severo; um broche de ferro com o formato de uma cabeça de cavalo prendia a capa de Roger Ryswell; Aenys Frey estava em pé perto do fogo, as bochechas vermelhas com o frio.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Por que obtemos descrições dos rostos de Barbrey Dustin e Aenys Frey, mas apenas a capa e o broche de Roger Ryswell? Ora, mesmo que Theon não olhe para Roose Bolton, ele pelo menos explica a razão para não fazer isso.
Tenha em mente que este interrogatório acontece logo após o encontro de Theon com o homem encapuzado, então o contato visual furtivo pode ser um indicativo de um comportamento continuado daquele encontro anterior.
Além disso, um detalhe extremamente pequeno é que Theon se detém na capa de Roger, o único outro detalhe que temos sobre o homem encapuzado.
Existem outros elementos interessantes do interrogatório de Theon:
Dedos perdidos
Quando a Senhora Dustin exige que Theon remova suas luvas: Roger Ryswell não mostra nenhum interesse nos dedos perdidos de Theon. Os outros participantes (Barbrey Dustin e Aenys Frey) comentam especificamente sobre suas mãos. Ryswell não o faz, em vez disso, descarta imediatamente Theon como um suspeito, não com base nos dedos, mas na falta de força de Theon. Ele também o chama de vira-casaca aqui. Talvez sua falta de interesse nas mãos de Theon seja porque ele acabou de vê-los.
Vassalos rivais
A outra coisa interessante sobre Ryswell aqui é sua aversão particular por Wyman Manderly. Embora insultar o personagem de Manderly seja muito comum, Manderly e Ryswell não têm grandes motivos para animosidade e, portanto, as observações de Ryswell sobre Wyman parecem bastante enfáticas:
– Ele, no entanto, ama seus bifes, costelas e tortas de carne. Rondar o castelo na escuridão exigiria que deixasse a mesa. O único momento em que faz isso é quando procura a latrina para uma de suas longas horas agachado.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Este é um insulto particularmente venenoso.
Há um homem no norte que fez comentários grosseiros deste tipo sobre Wyman. Mors Papa-Corvos Umber:
– Manderly? – Mors Umber fungou. – Esse grande saco bamboleante de banha? Seu próprio povo caçoa dele, chamando-o de Lorde Lampreia, segundo ouvi dizer. O homem quase não consegue andar. Se espetasse uma espada na sua barriga, dez mil enguias torceriam-se para fora.
(ACOK, Bran II)
Os Umbers e Manderlys são conhecidos por entrarem em conflito por várias questões, como a herança das propriedades da Senhora Hornwood. Independentemente de qualquer trégua atual que possam ter, Mors continua sendo uma pessoa improvável de conter tais comentários depreciativos.
Agora você pode ver que estou começando a afirmar os dois pontos a seguir:
Devo admitir que, até agora, apresentei evidências interessantes, porém circunstanciais.
Não tenho dúvidas de que esses pontos parecem apenas parcialmente sólidos até agora. Mas tenha fé. O resto virá em alguns instantes.

O GRILHÃO DE RUBI

Então, onde está o “grilhão de rubi” - a braçadeira que Melisandre colocou em Mance Rayder em A Dança dos Dragões?
Sabemos que esse grilhão parecia criar e sustentar um glamour (ou ilusão), que Mance Rayder era na verdade Camisa de Chocalho.
Esta parece ser uma ferramenta incrivelmente valiosa, especialmente quando se fala sobre os tipos de atividade furtiva em que Mance e Mors estão envolvidos.
Então onde está? O que pode ser feito com isso?
Mance Revelado
Em primeiro lugar, sabemos que Mance não está usando a braçadeira de rubi, ou que ela pelo menos está desativada. Sua aparência como Abel é muito parecida com sua aparência original em A Tormenta de Espadas:
Uma mulher grávida estava em pé junto a um braseiro, cozinhando algumas galinhas, enquanto um homem grisalho com um esfarrapado manto preto e vermelho estava sentado numa almofada, de pernas cruzadas, tocando uma alaúde e cantando.
(ASOS, Jon I)
O Rei-para-lá-da-Muralha não se parecia em nada com um rei, e tampouco se parecia com um selvagem. Era de média estatura, magro, com feições bem definidas, astutos olhos castanhos e longos cabelos castanhos já quase totalmente grisalhos.
(ASOS, Jon I)
Os dedos de Abel dançavam pelas cordas de seu alaúde. A barba do cantor era castanha, embora seu longo cabelo já estivesse em grande parte cinza.
(ADWD, Theon)
Então, como ele removeu o grilhão de rubi?
O texto deixa claro que o grilhão de rubi não interfere de forma alguma com o livre arbítrio de Mance, conforme implícito no conforto de Melisandre de que suas visões diriam se Mance era uma ameaça para ela, e em ela sentir que ter o filho de Mance é o que obriga a sua lealdade.
Com isso em mente, não há razão para deixar a algema em Mance.
Um fator adicional é o fato de que a Camisa de Chocalho é absolutamente horrível. Ninguém acreditaria que ele é um cantor e artista, e mesmo que acreditasse, sua aparência mereceria mais escárnio do que qualquer outra coisa.
Além disso, Melisandre tem interesse em ver Mance bem-sucedido. Se o grilhão de rubi pode ajudar nessa tarefa, parece não haver razão para que ela interfira. Afinal, a missão de Mance é vital para a campanha de Stannis, quão importantes são os segredos dela em comparação a isso?
As regras do jogo
Melisandre revela alguns dos mecanismos internos de seus glamours:
– Os ossos ajudam – disse Melisandre. – Os ossos se lembram. As seduções mais fortes são construídas com tais coisas. Uma bota de um homem morto, um tufo de cabelo, um saco de dedos da mão. Com palavras suspiradas e orações, a sombra de um homem pode ser tirada de um e vestida em outro como um manto. A essência de quem veste não muda, apenas sua aparência.
(ADWD, Melisandre)
Isso é interessante porque é incoerente com as preferências de Martin sobre a implementação de magia em romances de fantasia:
Eu simpatizo mais com a maneira como Tolkien lidou com a magia. Eu acho que se você vai fazer magia, ela perde suas qualidades mágicas caso se torne nada mais do que um outro tipo de ciência. É mais eficaz se for algo profundamente desconhecido e maravilhoso, e algo que pode tirar o fôlego.
(George RR Martin sobre magia vs ciência: Weird Tales)
Isso sinalizar imediatamente para os leitores de que algo importante está acontecendo aqui: Martin decidiu que revelar o mecanismo interno dos feitiços era mais importante para a história do que preservar o encanto da magia.
Embora isso não seja evidência de nada em particular, certamente deixa aberta a possibilidade de que Martin não apresentou desordenadamente os mecanismos subjacentes do glamour sem um bom motivo. O trecho sobre glamours é notável precisamente porque não é característico de sua representação da magia em As crônicas de gelo e fogo .
Deixando de lado as opiniões de Martin sobre magia na ficção, também é notável que Melisandre forneça essas explicações naquele momento. Afinal, supostamente nunca mais veremos o glamour ou o grilhão de rubi novamente. Por que se preocupar em explicar tudo, se é irrelevante para Mance ou Jon Snow?
Juntas, essas ideias soam como se Martin pensava que os glamours eram importantes o suficiente para explicar aos leitores, sugerindo importância futura.
Quem está com o grilhão?
Se Mance não está usando a algema, onde está?
A melhor maneira de lidar com essa questão é considerar a origem primeira... quem terá autoridade final sobre quem fica com o grilhão?
Melisandre.
Agora reflita:
Faz todo sentido do mundo que ela o deixe usá-lo. Não há absolutamente nenhuma evidência de que Jon o tivesse, e é altamente duvidoso que ela o daria a outra pessoa ou privaria Mance de sua utilidade.
Isso significa que Melisandre deu o grilhão a Mance, colocando-o em posição de dá-la a qualquer pessoa que encontrar. Portanto, a ideia de que Mors Papa-Corvos estava com o grilhão é, no mínimo, plausível.
A ideia de que Mors está com o grilhão faz muito sentido: fornece a ele uma maneira de acessar Winterfell e garantir que tudo esteja pronto para a missão de resgate. Afinal, Mors deve ter considerado a possibilidade de que Mance falhou em sua missão, Mors não poderia simplesmente tocar sua bateria e soprar suas buzinas indefinidamente.
No entanto, fazer 'muito sentido' e ser a resposta definitiva são duas coisas muito diferentes. Será necessário investigarmos mais para tornar esta afirmação convincente.
* * *
Não, não expliquei nem articulei que Mance sabe usar a braçadeira. Mas acredito que o convencimento de que o grilhão será usado pode ser feito sem que este fato seja revelado.

MORTE DE UM RYSWELL

Se eu acredito que Ryswell é um antagonista secreto?
Não. Roger Ryswell está morto .
Deixe-me explicar.
Um broche de cabeça de cavalo
Roger Ryswell usa um broche ímpar para prender sua capa:
um broche de ferro com o formato de uma cabeça de cavalo prendia a capa de Roger Ryswell
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Lembre-se do que Melisandre disse:
– Os ossos ajudam – disse Melisandre. – Os ossos se lembram. As seduções mais fortes são construídas com tais coisas. Uma bota de um homem morto, um tufo de cabelo, um saco de dedos da mão. Com palavras suspiradas e orações, a sombra de um homem pode ser tirada de um e vestida em outro como um manto. A essência de quem veste não muda, apenas sua aparência.
(ADWD, Melisandre)
Parece ser uma observação justa que o broche (e talvez a capa) seria uma fonte ideal para um glamour.
A confusão de Theon
Havia uma passagem no início de A Dança dos Dragões que sempre me intrigara:
Uma coluna de cavaleiros veio logo atrás, liderada por um fidalgote com uma cabeça de cavalo em seu escudo. Um dos filhos de Lorde Ryswell, Fedor soube. Roger, ou talvez Rickard. Ele não sabia quem era quem quando estavam separados.
– Estes são todos? – o cavaleiro perguntou, do alto de um garanhão castanho.
(ADWD, Theon)
Portanto, vemos que Theon tem problemas para diferenciar Roger de Rickard. É possível então que ele pudesse confundir os dois, dentro de determinadas circunstâncias.
Tenho certeza de que a confusão não está presente em situações de grupo, em que seria capaz deduzir qual deles era com base nas ações dos demais. Essa confusão seria mais proeminente em situações em que ele não tivesse outras pessoas para ajudar: em situações silenciosas e solitárias.
A utilização mais proeminente dessa dificuldade ocorre na noite anterior ao início dos assassinatos:
Sob a Torre Queimada, passou por Rickard Ryswell com o nariz enfiado no pescoço de outra das lavadeiras de Abel, a gordinha com bochechas de maçã e nariz achatado. A garota estava descalça na neve, embrulhada em um manto de pele. Ele imaginou que estivesse nua por baixo. Quando ela o viu, disse algo para Ryswell que o fez gargalhar.
(ADWD, O vira-casaca)
É interessante considerar que este aí pode ter sido Roger Ryswell.
A oportunidade
Com base na descrição, a esposa de lança nesta cena é Frenya, uma mulher corpulenta que é bastante habilidosa no combate: na tentativa de fuga, ela conseguiu lutar com uma lança de um dos guardas de Bolton e ferí-lo.
Quando você reflete sobre Frenya estar realmente se atirando sobre Roger (e não Rickard), as hipóteses de repente ganham vida!
Roger está sozinho em uma área isolada de Winterfell, com a esposa de lanças Frenya. A oportunidade de matar Roger para pegar seu broche e sua capa surgiu.
Lembre-se de que os assassinatos começam a acontecer na manhã seguinte a Theon ver Ryswell com Frenya.
A teoria
Usando as ideias que apresentei até agora, gostaria de montar uma teoria sobre Roger Ryswell.
  1. Frenya atraiu Roger Ryswell para o topo da muralha interna de Winterfell. Ela pegou a capa dele e então o empurrou para a morte.
  2. Esta capa foi então atirada ou enviada para Mors Papa-Corvos.
  3. Mors, em posse do grilhão de rubi, usou a capa para parecer Roger e entrar em Winterfell.
  4. Ele então fica por perto, talvez debatendo coisas ou reunindo conhecimentos. Ele participa das investigações dos assassinato, sabotando-as.
  5. Ele encontra Theon na famosa cena do “Homem Encapuzado” e novamente no interrogatório.
  6. Sua presença no interrogatório é o que dá a Mors a confiança de que a missão pode começar.
    Essa teoria faz sentido por alguns motivos:
Vernáculo compartilhado
Sempre houve uma notável semelhança entre duas afirmações, uma feita por Mors Umber e a outra pelo encapuzado:
– Theon Vira-Casaca. Theon assassino de parentes.
– Não sou. Eu nunca... eu era um homem de ferro.
– Falso é tudo o que você era. Como é que ainda está respirando?
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
:::
Em vez disso, ele choramingou através de dentes quebrados e disse:
– Sou...
– ... um vira-casaca e assassino de parentes, – Papa-corvos completou. – Segurará essa língua mentirosa ou a perderá.
(TWOW, Theon – tradução minha)
É notável que pouquíssimas pessoas se refiram a Theon como um assassino de parentes: Mors, Rowan e o Homem Encapuzado.
Mas isso nada se compara ao fato de que o homem encapuzado e Mors chamam Theon de vira-casaca, assassino de parentes e mentiroso / falso ... exatamente na mesma ordem.
Por algum tempo, isso sugeria a possibilidade de Mors ser o homem encapuzado, mas seu olho a menos [de Mors] me impedia de explicar essa possibilidade.
No entanto, a braçadeira de rubi subverte esse problema perfeitamente.
Ocultando o corpo
Vamos revisitar o primeiro assassinato, usando essa teoria como um guia.
Para refrescar sua memória:
Com esta teoria como guia, de repente fica claro: a primeira vítima de assassinato, o corpo enterrado na neve, era na verdade Roger Ryswell.
Em primeiro lugar, há algo muito singular neste assassinato em comparação com todos os outros: o corpo estava escondido.
Os outros assassinatos estavam todos à vista e tiveram um claro componente psicológico. Este corpo não era para ser descoberto:
Se as cadelas de Ramsay não o tivessem desenterrado, ele poderia ter ficado lá até a primavera. Quando Ben Ossos o puxou, Jeyne Cinza havia comido tanto do rosto do morto que meio dia se passou antes que soubessem com certeza quem era: um homem em armas de quatro e quarenta anos que marchara para o Norte com Roger Ryswell.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Além disso, é interessante que o rosto tenha sido comido porque tornou a identificação impossível. Caberia quase inteiramente a “Roger Ryswell” apurar a identidade do homem. Talvez seja por isso que Roger foi tão rápido em descartar o corpo como sendo apenas um bêbado.
Mais uma coisa a notar é que “Roger” declara que a vítima provavelmente estava mijando à beira da muralha:
– Um bêbado – Ryswell declarou. – Mijando da muralha, aposto. Escorregou e caiu. – Ninguém discordou. Mas Theon Greyjoy se perguntou por que um homem subiria por degraus escorregadios de neve até as ameias, na escuridão da noite, apenas para mijar.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Isso poderia de alguma forma implicar que as calças do homem morto estavam abertas ou abaixadas?
Fosse esse o caso, não poderia ser mais provável que o homem estivesse envolvido em um ato sexual quando caiu e morreu? No mínimo, certamente parece mais plausível que um homem procurasse um canto recluso para fazer sexo no alto das muralhas do que que ele tenha escalado uma muralha para mijar.
Resumidamente, se o morto estivesse no meio de algo que envolvesse seu pênis ficar fora das calças enquanto estava em cima das muralhas, provavelmente seria para sexo e não para urinar.
Se for esse o caso, temos que reconhecer que no dia anterior à descoberta do corpo, Theon viu um Ryswell com Frenya. Naquele momento, Theon observa que Frenya provavelmente “estivesse nua por baixo” da capa de pele de urso. Isso parece implicar que eles estavam fazendo (ou iam) fazer sexo. Minha opinião pessoal é que Frenya atraiu Roger Ryswell para o topo das muralhas, prometendo sexo oral. Durante o ato, ela agiu e o matou.

Preparado o palco

Voltando aos pontos iniciais deste ensaio, há questões que precisam de respostas:
  1. Dado que Mors e Mance colaboraram na missão de resgate, como Mors saberia que Mance estava pronto para levar a missão a cabo?
  2. Como Mance saberia que Mors estava fora de Winterfell, pronto para receber Arya?
  3. Por que Mors permaneceria em segredo fora de Winterfell por um dia ou mais antes de tocar seus berrantes?
Mors poderia facilmente indicar a Mance que ele estava no a postos: os berrantes de guerra fazem isso muito bem.
O verdadeiro problema é informar Mors de que a missão de resgate está pronta para acontecer. Para isso, os selvagens precisam ter algum tipo de sinal ou outra forma de se comunicar com Mors. Também pode haver detalhes específicos que modificam quaisquer planos que Mors e Mance possam ter inicialmente traçado.
Em última análise, Mance e Mors iria precisar de alguma forma de se comunicar. Eu acredito que foi por isso que Mors permanece por vários dias fora Winterfell antes de anunciar sua presença com os berrantes de guerra. Ele usa sua presença icógnita para acessar Winterfell e verificar se tudo está pronto para a tentativa de resgate. Talvez seja por isso que os batedores tenham desaparecido, para garantir o disfarce ou algo semelhante.

IMPLICAÇÕES

Existem algumas idéias (e questões) interessantes que surgem a partir deste ensaio:
O que aconteceu com o grilhão de rubi?
Eu acredito que é entregue a Mance antes da partida final de Papa-Corvos do castelo. Isso ocorre porque há evidências de que isso é fundamental para a “estratégia de saída” de Mance.
Senhora Dustin ou o outro Ryswell não notariam?
Os Ryswells se odeiam abertamente. Eles não prestam muita atenção às nuances do comportamento de seus irmãos.
Os Ryswells eventualmente não perceberiam que Roger estava desaparecido (depois que Mors saiu)?
Eventualmente. Não acho que Mors ou Mance realmente se importariam, e ninguém teria ideia do que realmente aconteceu.
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2020.08.17 07:13 Mafio2 The Way to Light Capítulo 1: O Inicio

Prisão Red Death,Canadá, 2008


No começo de 2007 um homem sem motivação para viver, se envolveu na vida do crime, então, descobriu que tinha poderes, enquanto assaltava uma loja, ele acabou descobrindo que controlava energia elétrica, ao encostar no caixa e o eletrocutar, no começo, ele não entendeu e apenas fugiu do lugar, porém, testemunhas o descreveram a polícia que esteve na loja alguns minutos depois, então, a polícia foi atrás do tal homem.
Ao encontrarem esse homem, ele começou a atirar rajadas de energia elétrica com suas mãos e a matar alguns dos policiais, até que um policial atirou no estômago desse homem e o desmaiou, então, ele foi enviado para um laboratório militar, onde foi estudado por dias, porém, não encontraram nada de diferente no DNA desse homem, então, temendo a existencia de mais pessoas como esse homem, o governo ordenou que o exército militar começasse uma operação para encontrar outros seres com “habilidades especiais”.
No meio de 2007 foi anunciada a prisão Red Death, uma base militar para capturar pessoas com essas habilidades.
Então, no começo de 2008 já tinham sido capturados 1300 pessoas com essas habilidades ao redor do mundo, os que ainda estavam soltos se escondiam no meio da sociedade sem usar seus poderes.
Na prisão eles podem usar seus poderes, porém, aqueles que tentam fugir geralmente não são mais vistos, nunca sequer ouvem falar sobre eles.
Dentro dessa prisão, há uma divisão, aqueles que cometeram crimes com seus poderes e aqueles que só estão ali por terem poderes, os que de fato são criminosos, ficam em um lugar que de fato se parece com uma prisão de segurança máxima,porém, são torturados, já os outros, em um lugar comum, porém, separado da sociedade e eles não podem sair ou serem visitados.

Cidade de Winnipeg,Canadá

Em uma pequena casa na cidade de Winnipeg, mora um jovem de 16 anos chamado Jim New Moon, o filho mais novo dessa geração da familia Moon, foi combinado também, por seus pais e tios que não teriam outros filhos até que essa geração se torna-se adulta, Jim possui um irmão mais velho chamado Jack Moon de 22 anos,também possui um primo e uma prima, Jason Moon de 19 anos e Marianne Moon de 18, ambos cresceram juntos e sempre foram bem próximos, um conhecia o outro como a palma da mão e sempre se encontravam na casa de um deles para conversarem sobre a situação, então, naquela semana decidiram se encontrar na casa de Marianne para conversarem.

- Estão todos bem? - Perguntou Jim com uma voz calma enquanto se sentava em uma cadeira
- Sim, ou melhor, eu estou pelo menos...O Jack não veio? - Disse Marianne com uma voz levemente preocupada.
- Não, ele disse que tinha que resolver algumas coisas na casa dele e provavelmente não daria tempo de vir. - Respondeu Jim num tom de voz levemente irritado com a decisão de seu irmão, afinal, eles quatro sempre se reuniam para planejar sobre como sobreviveriam e se esconderiam a essa caça por pessoas com poderes.
- Relaxa, talvez ele esteja ocupado demais - Disse uma voz saindo da cozinha, então, a pessoa que disse vem para a sala e é Jason, ele se senta no sofá e olha para seus primos.
- É...Talvez ele venha na próxima...- Disse Marianne um pouco triste.
- Então, acham que só deixar de usar nossos poderes vai ajudar a nos esconder? Talvez até funcione por um tempo, porém, com certeza eles irão começar a procurar um jeito de identificar quem tem poderes e quem não tem - Disse Jim olhando para Marianne e Jason com uma voz levemente fria.

Nesse momento, todos ficaram calados por um tempo, ir para um pais distante não é uma opção, afinal, em todos os lugares pessoas com essas habilidades especiais estão sendo procurados, talvez se afastar da sociedade seria uma boa, porém, com o tempo levantaria suspeitas.

Eles ficaram algumas horas tentando decidir o que fariam, porém, no fim das contas, não conseguiram pensar em nenhum plano bom, então, por hora, decidiram evitar sair de casa.

Após a reunião, Jim estava voltando para sua casa e parou para pensar, se eles se evitassem sair de casa isso só levantaria mais suspeitas, então, ele se virou para ir correndo falar para seus primos,quando percebeu algo que fez seu sangue gelar...um homm estava olhando para ele, um homem alto, com um sobretudo preto e um chapéu, sua pele parecia cinza, como alguém que já havia morrido, e ele estava olhando nos olhos de Jim.

- Interessante, você é um deles, você também tem poderes - Disse o homem com sobretudo preto.

- Quem é você!? Do que está falando!? - Perguntou Jim, assustado e dando alguns passos para trás.

-Não finja que não sabe do que estou falando, eu escutei a conversa inteira. - Respondeu o homem, com uma voz estranhamente calma.

-Como?...Como você conseguiu ouvir sem que nós sequer notarmos sua presença.- disse Jim, preocupado e ainda dando alguns passos para trás.

-Keys to the Kingdom... - Disse o homem sem se importar em responder as perguntas de Jim.

De repente Jim começou a ficar tonto e quando percebeu, ele já estava em outro lugar, uma espécie de quarto, bem espaçoso e vazio, o homem ainda estava lá, então, Jim olhou para o homem e disse:

-Onde estamos? Quem é você?... - Jim estava tentando manter sua calma, mesmo que por dentro estivesse preocupado e imaginando o que iria acontecer nos próximos minuitos.

-Eu não tenho nome, sou apenas algo que vaga pela sociedade a procura de pessoas com poderes, não estou do lado do governo, porém, não quero que as pessoas como eu sejam livres. - Para surpresa de Jim, aquele homem respondeu uma de suas perguntas.

-Que lugar é esse?... - Disse Jim olhando em volta.

-Uma espécie de dimensão alternativa que eu criei, esse é um dos meus poderes - Respondeu o homem sem tirar os olhos de Jim.

-Por que me trouxe aqui? - Disse Jim voltando os olhos para o homem.

-Lutaremos aqui, lutaremos até a morte - Disse o homem com uma voz fria e sem expressão alguma em seu rosto.

-Mas eu não quero lutar... - Disse Jim com uma voz bem mais calma do que antes.

-Quem disse que você tem escolha? - Respondeu o homem correndo na direção de Jim.

Jim então se assustou com a velocidade daquele homem, o homem deu um soco certeiro no rosto de Jim o jogando na parede daquele quarto, então, antes que Jim pudesse se levantar ou sequer pensar no que estava acontecendo, o homem já apareceu em sua frente tentando dar um chute em seu rosto, mas, Jim foi mais veloz dessa vez e segurou o pé do homem, em seguida, o empurrou para trás e se levantou rapidamente.

-MAS QUE PORRA É ESSA!? - Gitou Jim com raiva.

-Vivo a mais de 100 anos vagando pela terra a procura de alguém para me matar, porém, eu fiz uma promessa a mim mesmo, eu não me matarei e nem deixarei alguém me matar facilmente, quero morrer em um duelo até a morte - Disse o homem começando a abrir um sorriso em seu rosto.

-MAS QUE NÃO QUERO TE MATAR! - Respondeu Jim furioso, porém, mesmo falando isso, ele sabia que não teria outra escolha a não ser lutar com esse homem.

-Aqui será matar ou morrer - Disse o homem correndo novamente na direção de Jim.

O homem tentou dar um soco em Jim, porém, dessa vez Jim se esquivou para o lado e o homem acabou dando um soco na parede, começando a fazer a mesma se rachar, em seguida, Jim deu um chute em suas costas, fazendo o homem grunir um pouco. Rapidamente, o homem se virou dando um soco no rosto de Jim e o jogando no chão, fazendo Jim cospir sangue, então, Jim deu um chute na parte de frente da perna do mesmo, fazendo ele cair, então, Jim se levantou rapidamente e olhou para o homem dizendo:

- É tudo o que você tem? -Jim limpou o canto de sua boca, que estava com sangue.

- Estava só te testando, ainda não mostrei meus poderes, nem você - Disse o homem se levantando e dando um leve sorriso.

O homem levantou sua mão direita e então, várias laminas sairam de baixo de onde Jim estava, perfurando seu pé e entrando em sua perna.

- AAAAAAAAAAAAAAAAAARGH! - Jim gritou de dor, mas também, de surpresa, afinal, aquela habilidade ele ainda não conhecia.

- Imagino que já tenha ouvido a expressão "Meu mundo minhas regras", nesse mundo, essa regra existe literalmente - O homem sorriu.

- Easy Mode - Jim falou baixo, com uma voz calma, então, vários clones sairam de trás do mesmo e começaram a tira-lo dos espinhos, depois, todos eles começaram a atacar o homem de preto, o mesmo até que defendia de boa parte dos ataques, porém, alguns o atingiam e o mesmo foi começando a fica animado com a batalha

- Jervis Floyd - Disse o homem, sorrindo, mas sem parar de se defender dos ataques.

- Hm? O que? - Perguntou Jim ainda atacando o homem com seus clones.

- Jervis Floyd, esse é meu nome verdadeiro, eu só revelo ele durante as batalhas, para me certificar que o inimigo saiba pelo menos quem o matou - Jervis deu um sorriso largo e em seguida disse:

-Keys to the Kingdom: Brick in The Wall! - Ele falou empolgado, então, várias lâminas começaram a sair do chão e parede, acertando os clones de Jim, o próprio Jim e também o Homem que agora se apresentava como Jervis Floyd, as laminas fizeram os clones sumirem e sobrarem apenas Jim e Jervis.

- C..Como?...- Perguntou Jim cospindo mais sangue.

- Esse é apenas o começo... - As laminas começaram a se abaixar e os dois começaram a se encarar seriamente.

- Me...Medium Mode... -Disse Jim meio fraco, então, uma aura verde começou a aparecer em volta de seu corpo, Jervis olhou interessado e se preparando para o que esta por vir.

Então, em uma velocidade absurda, Jim correu na direção de Jervis e deu um pulo bem alto, lá de cima ele começou a girar e deu um chute que atingiu o lado esquerdo do rosto de Jervis e o mandou na parede, antes que Jervis pudesse reagir, Jim já estava em sua frente dando vários chutes no mesmo, então, Jim parou por um tempo e Jervis caiu no chão sangrando muito.

- Isso...Isso é...Incrível!! FINALMENTE! ALGUÉM QUE TALVEZ POSSA ME DERROTAR, ALGUÉM DIGNO DE VER MEU PODER TOTAL! - Jervis começou a gritar empolgado no chão, então, tudo em volta de Jim começou a ficar escuro, Jim tentou chutar o lugar onde Jervis estava, porém, ele já não estava mais lá.

-O que!? Onde está você!? APAREÇA! - Jim estava olhando em volta tentando enxergar algo, porém, nada.

-Keys to the Kingdom: The Bird and the Worm - Disse a voz de Jervis do escuro, então, de repente tudo ficou claro, como uma explosão de luz, no começo Jim não conseguia enxergar nada, porém, depois ele conseguiu ver... Jervis estava em sua frente voando, ele possuia asas de um anjo, estava sem camisa, apenas com uma calça preta, seu cabelo agora era revelado, um cabelo ruivo, que ia até seus ombros.

-O que...O que é isso?... - Jim estava olhando para Jervis com uma cara extremamente espantada.

-Essa é minha forma real, agora, nossa batalha irá começar de verdade - Disse Jervis empolgado para a batalha definitiva.

Então, Jervis começou a voar na direção de Jim rapidamente, e deu um soco em seu rosto, Jim cospiu sangue e em seguida deu um chute nas costelas de Jervis, fazendo ele também cospir sangue, então, ambos começaram a trocar socos e chutes em uma velocidade incrível, nem pareciam serem humanos, porém, para a surpresa de Jim, Jervis começou a abrir a boca e de lá saiu uma lamina que atingiu o olho direito de Jim, fazendo o mesmo parar de atacar. Em seguida Jervis deum um chute na barriga de Jim, o jogando no chão.

-Nossa batalha está chegando ao fim, Jim New Moon - Disse Jervis com uma voz calma.

-De fato...Jervis Floyd...Hard...Mode - Ao ouvir isso, Jervis ficou surpreso, pois achou que Jim já estava em seu limite, então, a aura verde de Jim sumiu e começou uma aura vermelha em volta do mesmo, então, Jim se levantou.

-Isso está ficando interessante, porém, com esse meu ataque...VOCÊ MORRERÁ! - Jervis começou a voar novamente na direção de Jim, então Jim apenas olhou para ele e disse:

-Goodbye...Jervis... - Então, num piscar de olhos Jim estava atrás de Jervis, pisando em suas costas e fazendo ele cair no chão.

-O QUEEEE?! - Jervis estava extremamente surpreso com aquilo e pela primeira vez na sua vida, sentiu medo.

-MORRAAAAAAAAAA - Jim deu um soco nas costas de Jervis, a aura em sua mão era extremamente quente e Jim conseguiu atravessar o corpo de Jervis com esse soco.

Jim saiu de cima de Jervis, então Jervis olhou para Jim fraco e disse:

-Você...Você pode não ser o homem mais forte do mundo...Mas é o único homem que tem meu respeito... - Após dizer isso, os olhos de Jervis começaram a perder a cor, então, Jervis Floyd estava morto...

A aura de Jim foi desativada e o mundo de Jervis deixou de existir, levando Jim de volta ao mundo real, Jim colocou a mão em seu olho direito e começou a andar tristemente na direção da casa de sua prima...Agora ele tinha certeza que o inferno iria começar.


Continua....
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2020.06.09 11:42 Alfre-douh Encontro

Os olhos de reflexos vítreos escondem ao espelho a emoção da alma. Finalmente, chegou o dia. O dia em que a nossa personagem os analisa minuciosamente. Aproveitando a tremelicante luz da velha lâmpada de 50W, a nossa personagem procura manter-se à tona, corrigindo no exterior a falha de tudo aquilo que há em si.
A personagem está gasta, e sejamos francos face à humanidade: como poderia não estar ou não ser gasta?! Ao fundo, fazendo prova disso, do elemento perturbador surge a singular notificação cujo conteúdo adivinha.
"Merda" diz para si. "Está na hora..." e, pousando delicadamente o cigarro na saboneteira de inox, dá um último jeito ao cabelo.
"Criamos tecnologia desde o sílex até aqui pelo simples facto de termos polegares. E pela forma mais rudimentar e redutora de empatia distribuímos representações do mesmo perante estímulos que mais não são do que sentimentos de pertença artificiais."
Explora a personagem para si, enquanto entra no carro e procede ao ritual do pôr a trabalhar.
"O oxigénio que consumimos há de ser sempre o que nos consome no fim. Química elementar. O que nos dá vida ser aquilo que nos mata é precisamente o tipo de coisa que me faz ter vontade de acreditar em Deus. A ironia da derradeira causa/efeito é estar à vista de todos. E se no fundo Deus existe então a consciência mais não é do que uma falácia" diz a nossa personagem à projecção que segue consigo no carro.
"Cala-te com essa tragédia, se faz favor. Que raciocínio infantil. Decorrer do facto de que aquilo que usamos a vida toda um dia esgota-nos, para chegar à ideia de que a consciência é uma falácia é a prova de que tens de dormir e sonhar com outra coisa qualquer. Pensar em Deus foi, é, e será sempre uma forma de hipotecares o teu livre arbítrio e a tua dita consciência" devolve a projecção.
"Então qual é para ti o fundamento de tudo isto? E, já agora, daquilo a que nos propomos..."
"Fazemos o que fazemos... não porque existe Deus, mas porque existem condicionalismos tecnológicos. Sempre foi assim, sempre será. Tudo no mundo é medo e superação. Deus apenas existe para validar a nossa própria incapacidade de não conseguir superar algo."
"Então tens a certeza que isto é a coisa certa a fazer?"
"Tenho." e ao dizê-lo de forma tão contundente, a projecção consegue o esperado vortex de silêncio dentro do habitáculo.
Ambos chegam ao destino. A personagem e a projecção. Dali para a frente, um deles terá que sair e o outro ficar no carro. A escolha no entanto está acima duma noção de consciência divina ou de um condicionalismo tecnológico.

Encarar a idealização do amor foi, é, e será sempre superior a isso...
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2020.06.08 19:02 Coming_Back_To_Life Vampiro: A Máscara backstory de personagem

Olá pessoal, gostaria de compartilhar o backstory do meu personagem atual de Vampiro a Máscara. A nossa campanha se passa nos dias atuais, em Brasília, e eu resolvi fazer um personagem que está nessas terras a um tempinho. Espero que curtam.
Eu morava em uma cidade chamada Campo Formoso, no estado de Goiás. Uma cidade pequena, de gente simples, que sempre existiu na base da esperança do progresso que viria junto da prometida linha do trem. Eu vivi até morrer e não vim trem algum.
Minha família era pequena, mas grande o bastante para ter dificuldade para se esconder da sombra da fome e das necessidades. Desde criança fui ensinado a caçar no cerrado, as vezes na pedrada ou paulada, as vezes na surdina para não despertar o bicho ou o seu dono.
Quando passei dos dez anos ganhei minha primeira carabina, paga com queijo feito de leite de vaca magra. Não havia privilégio de errar os tiros, já que bala não dá em árvore, mas árvore dá em criança que erra o tiro, espanta a caça, chama a fome e desperdiça a munição.
Nos dias em que a caça era das boas, chegada era a hora de colocar em prática outra habilidade tão importante quanto conseguir caça de sobra: Vender, ainda que as vezes para quem não precise ou não queira comprar. Uma conversa mais próxima, uns trejeitos reconstituindo como foi a caçada na frente do comprador e as vezes até o cumprimentar carismático com as duas mãos juntas, tudo pela família.
Passando o tempo e o tempo passando, com os anos em meio ao cerrado também aprendi a diferenciar o que faz bem e dá energia daquilo que faz a pessoa desistir de tentar pôr hoje. Nem toda raiz forte faz mal e com algumas folhas maceradas se faz um chá e do bagaço curativo para feridas.
Por volta dos meus 17 anos chegou em Campo Formoso a pessoa que definiria o meu futuro de forma definitiva, para bem e para mal.
Miguel dos Anjos, um homem de meia idade, mas com ar jovial. Boa forma física, cabelos castanhos-fogo e vestido como quem não espera visitas. Logo se instalou em uma casa de tábuas de Mutambo no fim da segunda rua depois da avenida principal. A casa mais parecia uma morada de João de Barro, sem muito conforto por dentro e luz do sol somente por fora. Não tinha cadeiras, ou confortos básicos, talvez fosse assim que as pessoas fizessem em outras cidades. Vai saber. Dentre as poucas posses, ele tinha um par de luvas grandes e vermelhas, com cadarços brancos, boxe. Eram luvas de boxe. Eu não sabia o que isso queria dizer, mas não via a hora de saber.
Poucos dias depois da sua chegada à cidade, nós passamos a conviver e como foi fácil nos tornarmos amigos. Parece que caímos como uma luva um para o outro. Logo eu comecei a aprender a lutar, parecia que todos os sacrifícios e dificuldades da vida serviram para tornar mais fácil a minha habilidade para esse esporte. Em pouco tempo passamos a treinar todos os dias, enquanto dividíamos histórias sobre o cerrado e as coisas que andam pelo mato, falávamos até sobre lendas que outras pessoas da cidade sonhavam em esquecer.
Os anos passaram. Cada vez eu tinha de me preocupar menos com caçar ou barganhar no mercadinho da cidade pelo pão de cada dia. Boxe, o caminho para mim era o boxe.
E assim foi até o dia, muitos anos depois, da etapa regional de boxe peso-pena da cidade de Campo Formoso.
Só muito tempo depois eu descobriria a notícia a seguir, mas o importante é que eventualmente eu descobri:
Clarim Goiano
Mathias - Luvas de aço e Coração de Ouro
Mathias Oliveira venceu na noite de ontem, 22 de Junho de 1940 em Campo Formoso, a etapa regional de boxe peso-pena. A vitória suada no ringue goiano classificou o atleta para disputar o campeonato nacional.
Aquela noite seria a última em Campo Formoso, até o dia em que só existiriam noites. Depois de lutar e conseguir a vitória eu tive de ir às pressas para a rodoviária pegar o último ônibus em direção a São Paulo, consegui embarcar a tempo, mas nunca cheguei ao destino.
Quando eu desperto eu não sei onde estou e nem o que aconteceu comigo. Logo descubro que sou um monstro! Minha pele agora é fria, meus dentes parecem afiados e sinto fome de algo que nunca comi e mais do que fome, desejo.
Eu perambulo noite após noite tentando entender o que aconteceu, tentando me encontrar, mas a confusão é tanta que me perco em pensamentos e em meio todo tipo de matagal. Chama a minha atenção os diversos tipos de besta que surgem na escuridão, mas aparentemente nenhuma com coragem o bastante para se aproximar de mim.
Com o tempo aceito que agora eu sou isso...
Eventualmente eu consigo voltar pra minha cidade, entretanto ela está absolutamente abandonada.
Em busca de respostas eu acabo descobrindo na biblioteca, se é que posso chamar assim, um jornal datado de alguns anos atrás, nele a notícia: "Governador Brandão muda planos sobre ferrovia".
Certamente com essa notícia de que a ferrovia não viria mais para a cidade as pessoas largam a esperança de morar aqui e abandonam a cidade.
Desolado eu sigo em frente e chego até a minha antiga casa, quase nada foi deixado pra trás, algumas roupas rasgadas pelo chão, a parafina de várias velas e sujeira, bastante sujeira.
No meu antigo quarto eu vejo um jornal do dia seguinte da minha luta.
Na capa uma foto minha com os braços levantados comemorando a vitória, ao fundo tentando se levantar nas cordas está o meu oponente, porém eu não consigo ver o seu rosto, eu sei que está na foto, mas eu não consigo ver!
Há ainda uma outra pessoa na foto, ao fundo, na torcida que eu também não consigo ver o rosto, apenas um borrão.
Eventualmente eu sigo em frente, mas levo sempre comigo algumas coisas como lembrança da minha vida, dentre elas esse jornal.
Um dia um colega de viagem, muito talentoso na arte do desenho e pintura se impressiona com a minha história de boxeador, pelo menos com a parte que eu permiti que ele soubesse e assim ele se oferece para recriar a foto com um toque mais artístico.
No que ele faz o desenho eu consigo ver os rostos que antes apareciam borrados para mim. Eu não me lembro daqueles rostos, mas suspeito que estão ligados ao fato de que eu me tornei um vampiro.
Talvez o adversário que eu derrotei fosse um vampiro?
Apesar de a cidade ter sido abandonada, vez ou outra eu me via andando pelas redondezas, talvez a procura de um rosto familiar.
Esse desejo me foi realizado.
Certa vez enquanto observava as nuvens negras no céu, por vezes encobrindo as estrelas e a lua, fui surpreendido com uma visita inesperada.
Miguel dos Anjos, o meu antigo treinador de boxe, além da surpresa da sua presença ele também me surpreendeu a tornar algo bem claro.
Ao perceber que eu não havia chegado ao meu destino, ele se pôs a me procurar incansavelmente. Depois de duas noites me encontrou num matagal, a meio fio de distância da morte. Mesmo sabendo que o ônibus que eu havia tomado chegou ao destino, ele se sentiu tentado a procurar os destroços de qualquer que fosse o acidente em que eu havia me envolvido. O estrago era muito grande.
Ele decidiu me "salvar" e assim me transformou em um morto imortal, da morte nasceu o eu vampiro.
Ao longo dos anos ele se pôs a me ensinar o que é ser Gangrel, as leis do novo mundo e os limites dos meus novos poderes.
Eventualmente chegou a nós uma notícia que deixou Miguel extremamente transtornado, no coração do cerrado se materializaria uma nova cidade, das mais modernas, feita de rios de concreto e sem meia consideração com as terras daquele planalto. Como nenhuma flor são só espinhos, havia algo de bom nessa história. Junto com a nova capital, chegaria nessas terras um outro Gangrel chamada Annabelle, a quem sou apresentado e com quem passamos várias noites conversando sobre quem somos e principalmente sobre as implicações da nova cidade que estava nascendo. Dentro de pouco tempo a insatisfação e a irritação com relação a tudo isso cobra o seu preço e Miguel decide que deve retornar para o cerrado virgem onde certamente estará mais em sintonia com a sua natureza.
Passados alguns anos, buscando meios de aperfeiçoar as minhas habilidades medicinais eu acabei fazendo amizade com uma moça, na época, chamada Leia. Curioso como percebemos que sabíamos tantas coisas diferentes sobre as plantas do cerrado. Uma mesma planta, mas com usos totalmente distintos. Eventualmente, talvez por conta do meu carisma ou por conta euforia que Leia sentiu em poder dividir sua forma de ver o mundo com alguém, ela me confessou ser uma bruxa. Me contou com alegria sobre a sua ligação com a natureza e com os animais. Eu aproveitei a deixa para lhe contar que eu também sei um feitiço, sobre como me manter sempre jovem, mas que não poderia jamais revelá-lo sobre pena de perder o seu efeito. Ao longo de todos esses anos ela nunca me questionou, por mais que as vezes seja fácil perceber a curiosidade nos seus olhos.
Nada melhor do que o encontro de dois espíritos livres. Foi assim que a minha amizade com o Oliveira começou. Brasília se mostrou uma cidade fácil de se entediar. Isso se torna um pouco mais difícil quando você está em cima de uma moto rasgando os eixos do planalto de ponta a ponta no silêncio da noite, ouvindo apenas o borbulhar do escapamento que meio grita meio tosse como um velho fumante e alcoólatra. A lataria tremendo com o sobe e desce dos pistões a cada revolução do motor e o som rápido e curto dos postes, placas e outros veículos que ficam para trás. Pilotar é pra mim, uma daquelas coisas na vida que a gente não sabe fazer muito bem, mas se diverte fazendo. Já o Oliveira sabe o bastante para ensinar. Depois de horas pilotando, os braços ficam doloridos de tanto ler o que se escreve em braile ao longo do tempo no asfalto, costumamos ir para um mirante olhar a cidade dormir.
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2020.04.17 06:57 VoxelRiot Eis outro exemplar.

Alguma alma caridosa que faça o favor de ler? Se tiverem interessado em mais, isto é apenas o capitulo 4. Tenho 10, com dois deles incompletos.
Peço desculpa pela formatação de merda, mas a culpa é do reddit. Se tiverem interessados em mais, eu mostro o resto em troco de opiniões.
Longínquo vai o tempo das novidades. Quando Iluz passeava com Jillia pelo braço nas ruas de Arge. Falavam com os comerciantes para ouvir de terras distantes, ou viam com olhos brilhantes os espetáculos dos saltimbancos.
Iluz preocupava-se em ajustar os músculos ao tamanho da roupa e aparar a barba diariamente. Fazia jus ao estereótipo do Biomancer atraente.
Todos os dias chegava a casa perante um sorriso e lanche. Com roupa de pano branca acastanhada ao tom da terra, e suor a escorrer pela careca. Jillia por sua vez, lia sobre herbanária para melhorar Biomancy e fazia chá com o que aprendia.
Ah, ela era e é tão bela. O cheiro a rosas que espalha pela casa. O cabelo apanhado brilha à luz das velas. Figura esculpida nas brasas a dançar no vento. Pele casca de noz temperada pelo libido.
O melhor período da vida, veio depois de receber o bebé embrulhado em azul. A cor extinta que vale fortunas. A velha prometeu e cumpriu com cinquenta mil Celestes ano até aos dezoito. E assim construíram a quinta.
Jillia dançava e cantava com o bebé nos braços ao estender a roupa pelos frescos pastos. Iluz imaginava a mesma melodia para seus futuros filhos. Acordava embalado pelo sonho duma grande família. Mas tudo mudou com o requerimento militar.
Iluz franze os olhos ao pensar no assunto. Voltou coberto pela cicatriz gigante. Ela começa no abdómen e espalha-se pelo corpo como um ramo de oliveira. Os únicos que sabem da sua origem, são os antigos colegas de exércitos, porém também desprezam esses tempos.
Hoje, a deixar de ser quarentão, não liga a mexericos e caprichos na aldeia. Caminha pelas ruas de Arge a tentar passar despercebido no meio da multidão. Preso no silêncio da mente a sofrer de antecipação das burocracias do dia seguinte.
Os dias são todos iguais. Mesma terra castanha com raízes soltas pelas ruas. Mesmas casas de madeira com as mesmas pessoas à porta. Todas vestidas com os mesmos panos brancos com a mesma conversa. O vento que guia as nuvens é o mesmo que passa na careca e avisa do inverno. As únicas experiências novas pela frente são responsabilidades.
E para se livrar delas, Iluz entra na taberna. Cheia de pessoas, mas vazia de companhia. Abriu há minutos e os amigos estão por chegar. Então para fazer tempo, chega ao balcão, cumprimenta o taberneiro e pede um copo de bagaço.
Primeiro copo do dia. Já é tradição bebê-lo sozinho com as costas no balcão e olhos ambulantes. Passam de mesa a mesa, todas elas de madeira antiga cheias de falhas e inscrições feitas com navalhas… Com as mesmas pessoas e o mesmo barulho de fundo… Iluz solta o mesmo suspiro do costume.
Final da tarde e o pôr-do-sol já não ilumina a taberna. O taberneiro movimenta-se entre as mesas a acender as velas presas nos pilares de madeira. Talous, o bardo Cybermancer local, recebe o sinal para começar a cantar.
Iluz revira os olhos. Não é grande fã do bardo. Acha tudo nele ridículo. Tudo. Os collants vermelhos e o fato de seda verde com suspensórios violeta. A boina amarela que parece uma omelete descaída. E pior, os quatro amplificadores espetados na cara. Dois por cima de cada sobrancelha, como se precisasse deles para as prender.
Contudo, apesar da aparência do bardo, a curiosidade vence e ouve-o a cantar. As notícias que repudia são das poucas novidades do dia.
Talous canta um soneto.
‘’Dormia descansada Gertra Torsket
Mas acordou pouco após as sete
Com uma dor pior que uma machete
Iria nascer o novo bebé Torsket
General Bupson estava contente
por finalmente ver a semente.
Nove meses de espera dementes
para do terceiro ser parente.
Mas a intensa dor prevaleceu
E assim a bela Gertra concedeu.
Foi hoje de manhã que faleceu
Meus pêsames ao General Torsket
Muito Obrigado aos aqui presentes
Aceito pagamento em Celestes’’
Talous dá uma pirueta pelo ar, faz uma vénia e extende a boina ao homem mais próximo.
O homem abana a cabeça e mostra-lhe as costa.
Iluz leva a mão ao rosto para lavar o constrangimento. Porque é que ainda gasto tempo com bardos... Quero lá saber do que se passa na outra ponta da ilha... Pensa Iluz ao pousar o copo vazio.
Talous é um Cybermancer, por isso comunica com outros como ele à distância. Como existem vários espalhados pelo mundo com amplificadores, tem uma rede onde a informação circula instantaneamente.
Iluz não compreende a utilidade deles. Afinal, para quê falar com desconhecidos distantes, quando é melhor dar novidades a beber copos. E pior! O despudorado anda com aquelas atrocidades na cara! Iluz nunca deixaria alguém furar-lhe a cara de livre vontade.
O bater da porta na parede chama a atenção de Iluz. Duher e Ubin chegaram, ainda vestidos com o uniforme de guarda. Uma camisola verde, calças de pele e um casaco castanhos com tecido negro de Needlemancy cosido nas mangas.
''São três copos! Do bagaço mais forte que houver!'' - Diz Iluz ao meter dez Celestes no balcão.
’Ele quis dizer seis!’’ - Grita Ubin ao colocar as suas mãos, carnudas como chouriço nos ombros de Iluz. Hoje está alegre como quem descobre cinquenta Celestes no bolso. - ‘’Iluz seu espectro mal amado! Adivinha o que me aconteceu hoje!’’
‘’O quê?’’
‘’Fui promovido a Sargento! Para a semana estou em Serilena!’’ - Ubin sorri. - ‘’Abençoados sejam os bandidos que lhes tem dado problemas!’’
Ubin é Biomancer como Iluz, porém especializado em humanos. É o único dos três amigos na casa dos cinquenta. Mas com a aparência de trinta e cinco e corpulento como um boi. A barba é aparada à definição do queixo e o cabelo negro aprumado como nobreza.
Será um bom sargento. Tem a cara áspera e desgastada com sobrancelhas a engolir os olhos. Quando desconhecidos no exército, Iluz lembra-se de sentir como ser uma criança perto do pai mal humorado. São poucos com quem partilha o riso.
‘’Parabéns seu filho dum espectro!’’ - Iluz coloca os braços à volta de Ubin e puxa-lhe a cabeça para junto da sua.
Duher, contudo, morde o lábio e debruça no balcão. Puxa dum copo e dá um gole comprido. Fica com bagaço no bigode já mais cinzento que preto.
''Nunca vou perceber porque usam os espectros como insulto para tudo.'' – Diz Duher a deambular o copo como um badalo. - ''Se soubessem o que é andar a vida toda à procura dum...''
‘’Sim Duher... Porquê é que os bichos que chupam sangue e trazem azar são usados como insultos.’’ - Ironiza Iluz ao esvaziar o copo. - ‘’Pelo menos vocês Kuniks podem ter rebanhos de filhos!’’
‘’'E os Mancers têm tudo, sem ter que fazer nada!’’ - Diz Duher ao emborcar o resto do copo. Tem olheiras negras atrás duma fina franja esbranquiçada.
‘’Calem-se e bebam! Hoje o dia é para festejar!’’ – Diz Ubin a pegar nos copos no balcão e a colocá-los nas mãos de Iluz e Duher. Iluz nunca percebeu porque os espectros são tabu para Duher. É mais provável um Kunik ir da pobreza à riqueza em Serilena, que ser escolhido por espectros. Aliás, para quê ter coisas conscientes a segui-lo? Para Iluz, o principal benefício deles é a facilidade de reprodução.
Iluz passaria fome por Rahel. Mas inveja os oito filhos de Duher. Imaginava-se a ficar velho na quinta com meia dúzia de pequenos Iluzes e Jillias. Contudo, Mancers têm baixa taxa reprodutiva e nunca conseguiram mais.
Mas está feliz com Jillia. Apesar de só ter uma filha, tem a certeza que vai herdar Biomancy. Se Iluz tivesse casado com uma Kunik, teria mais filhos. No entanto, cada teria as mesmas hipóteses de ser Kunik ou Biomancer.
Pensamentos na quinta fazem Iluz debruçar sobre o balcão. Duher ao reparar em Iluz, coloca de parte a discussão mete-lhe as mãos nas costas. - ''Então o que é que se passa?''
‘’Aquele gaiato estúpido…’’
‘’O que é que ele fez desta vez?’’ - Pergunta Ubin a encostar ao balcão.
‘’Deixou de ser gaiato…’’ - Iluz vinca as unhas na mesa ao cerrar o punho. - ‘’Já fez os dezoito e vou deixar de receber os Celestes…’’
‘’Então já o podes expulsar! Como já queres fazer há anos.’’ - Diz Duher.
‘’De manhã discuti com a Jillia sobre isso. Ela não o quer expulsar. Para ela, é tanto filho como a Rahel.’’ - Iluz emborca o resto do copo. - ‘’Mais três copos!’’
O taberneiro a encher os copos preenche o silêncio dos amigos sem saber o que dizer.
‘’Eu bem tento ignorá-lo. Eu tento esquecer que é um Electromancer…’’ - Iluz agarra no copo que o taberneiro mete no balcão. - ‘’Mas escolher apatia não faz desaparecer a raiva e o ódio.’’. - Iluz dá um gole e aperta o copo metálico. O bagaço derrama sobre a mão.
''Estes três vamos bebê-los duma vez'' - Diz Ubin a elevar o copo. Tenta mudar de assunto. - ''Bem estás a precisar.''
Iluz e Duher levantam os copos e dão o brinde. Depressa vai à boca e num gole desaparece. Os três copo batem no balcão simultaneamente enquanto recuperam o fôlego com caras distorcidas.
Ubin sorri da promoção. Duher sorri por ser o mais franzino. Iluz sorri ao apertar mais o copo. Os cantos frios e afiados do metal amolgado cortam a pele. Prazer como tocar em metal fresco em dia quente.
‘’Odeio aquele gaiato... Que sufoque num espectro!’’ – Diz Iluz ao destruir o copo.
''Mais três copos!'' - Diz Duher ao taberneiro. Franze o olhar e tenta ignorar o comentário dos espectros.
‘’Cada vez que vejo aquela cara. Com aquele sorriso estúpido só me lembro disto.’’ - Iluz aponta as cicatrizes na cara, com o dedo estremecer com a voz. - ‘’Aquela noite.’’
‘’Não penses nisso! Pensa que por causa do exército agora estamos aqui os três juntos.’’ - Diz Ubin a levantar o copo para outro brinde. - ‘’Vá bebe mais outro que já te começas a sentir melhor!’’
Iluz não espera pelo taberneiro e rouba-lhe o copo da mão. Este gesto e o copo estragado, normalmente levaria é expulsão. Porém o taberneiro não quer perder o melhor cliente.
Iluz nem pede desculpas. Ergue o copo e espera que se juntem ao brinde. Em segundos desaparece outra rodada e assim continuam até á hora de jantar.
Iluz sai da latrina e retorna aos amigos. No regresso pisa metade dos pés na taberna e zanga-se com cinco desastrados que foram contra ele. Os seus braços ganharam a flexibilidade da cauda duma vaca e o campo de visão caiu para metade. Mas Iluz consegue achar Ubin e Duher, quase a dormir de cabeça encostada ao balcão.
''Adorvos mastenho dir pacasa...'' - Murmura Iluz e volta para trás sem despedida.
No caminho até á porta da taberna, Iluz pisa os restantes pés e empurra uma cadeira. Espectros! A mobília não tem cuidado ou educação! Não param de ir contra ele.
Sai da taberna ao anoitecer. Mas está preparado para voltar à quinta. Confiante. Começa a caminhada e tudo corre bem. Até que se farta. Por mais que caminhe, nunca mais chega. Ainda está nas portas da aldeia e sente que está a andar há mais de meia hora.
Ele sabe que está a deambular entre casas. Mas não há justificação para demorar tanto. Então tem uma ideia genial!
Iluz vai tentar usar Biomancy para ficar sóbrio e chegar a casa depressa. Um plano infalível. Nem sabe porque nunca pensou nisso antes. No dia seguinte quando contar a Ubin vai parecer um verdadeiro génio.
Contudo, não acontece nada do que espera. O corpo pulsa sem controlo. Os membros começam a ficar musculados, gordos e magrinhos simultaneamente em zonas distintas. A camisola rasgasse no abdómen e solta a barriga gorda que rapidamente se transforma em abdominais e vice-versa.
Mas de certa maneira funciona. Iluz fica um pouco mais sóbrio ao sentir o corpo a pulsar. No entanto, Iluz perde o equilíbrio. Inclina-se contra uma árvore e agarra o tronco para estabilizar a transformação. Porém, as dores de fome fazem-no desistir e ficar encostado à árvore. O corpo pára de transformar e fica desproporcional.
O braço direito tem os músculos inchados num melão e os ombros mais largos que a árvore. A barriga é uma horta de pele flácida e as pernas demasiado magras como o cabo duma enxada. Esqueléticas até. Mas Iluz não pode ficar parado. Continua o caminho a utilizar o braço músculado como apoio. Até o cansaço ganhar e perder o equilíbrio.
A cabeça vai ao chão e solta um grunhido. Morde os dentes com toda a força enquanto expira e inspira de cansaço. Deitado na terra fria de barriga para baixo. Ele quer chegar a casa, mas a força de vontade desaparece. Espectros para isto... pensa Iluz com estômago a dobrar-se. Ele sabe o que aí vem. Tenta resistir. Mas em vão... Iluz vira-se para o lado e vomita.
Usa as migalhas de força para virar para cima e fechar os olhos. Sente o cheiro e a viscosidade do vómito nas costas. Mas o breve alívio seguinte, leva-o num transe para o passado.
Lembra-se de ser acordado de madrugada com o som de trovoada. Lembra-se de ver a tenda a ser arrancada do chão e a voar puxada pelas estacas. Lembra-se do Electromancer com capa negra e inúmeros amplificadores na cara a atacar sozinho o batalhão.
Raios eléctricos como trovões saíam-lhe do corpo. Todos os aparelhos metálicos como espadas, escudos e jaulas com animais voavam à sua volta. Como se fosse o epicentro duma tempestade metálica.
Os militares deixaram de lutar. Estavam a tentar fugir e sobreviver. Cães que Iluz treinou, eram arremeçados dentro das jaulas aos seus colegas.
Lembra-se dos gritos. Lembra-se do ganir. Lembra-se de se esconder no meio dos destroços, agarrado aos joelhos e a tremer com o medo de nunca mais ver Jillia. Quando por acaso, um raio do Electromancer lhe acerta. E tudo se apagou.
Iluz acordou semanas depois, com uma cicatriz enorme a cobrir o corpo e com maior sentimento de insignificância. O homem que quase o matou, nem se apercebeu da sua existência. Foi só mais um dos milhares de raios que soltou naquela noite. Foi só mais um dia para ele. E Iluz foi só mais um.
Após minutos que pareceram horas. Deitado no próprio vómito e a ser assombrado pelo seu passado, Iluz ouve galopar pelo trilho abaixo. Tenta virar-se e ver quem se aproxima. Mas o corpo ainda atrofiado, não obedece e continua deitado.
Até que vê patas de burro a parar ao seu lado. Ouve duas pessoas a descer ao som do ladrar de cachorrinho. Dois estranhos falam entre si. É a voz dum homem e duma adolescente. Iluz tenta ver os salvadores. Mas na escuridão e com visão distorcida, vê apenas duas silhuetas sem caras vestidas de branco. O homem é alto, magro e com cabelo comprido. E a adolescente faz-lhe lembrar Jillia com roupas sujas de preto.
Os estranhos tentam levantar Iluz. Contudo, por mais que tentem, o corpo inanimado acaba no chão. As pernas esqueléticas não tem força ou equilíbrio para aguentar o resto do corpo.
''Moody deita no chão.'' – Diz o homem. Uma voz familiar mas ainda indistinguível.
O burro obedece. Os estranhos agarram nos braços e arrastam-no pelo vómito para cima do burro. A sua cabeça fica encostada à crina, o braço músculado a servir de almofada e o outro balançar no ar. As pernas vão presas na sela. E com o cavalgar, Iluz adormece.
Horas depois, Iluz acorda num monte de palha mal iluminado. Deduz que esteja no estábulo pelo cheiro a cavalo e carvão, embora não saiba como lá chegou. A última coisa que se lembra é de beber com Duher e Ubin. O corpo normalizou, no entanto sente o estômago oco. Como se tivesse usado Biomancy. Mas não deve ser isso, usar Biomancy embriagado soa a ideia terrível.
Ouve os kuniks a cantar em coro no exterior. Estão felizes e animados. Distraídos com futilidades. Um som que por norma ignora, mas neste momento o faz querer a arrancar a barba ao dente. Iluz levanta-se e quase perde o equilíbrio. Não está tão sóbrio como esperava. Os primeiros passos foram difíceis, mas depois ganha o ritmo.
''Boa noite patrão.'' – Diz Tortgard de vassoura na mão. - ''A Rahel deixou uma merenda preparada. Está alí na mesa de poker.''
Iluz só quer comer e dormir. Mas a dor de cabeça... O barulho… O coro dos Kuniks como bois exaltados. O raspar da vassoura na madeira. O respirar dos cavalos. O vento.
Iluz fixa Tortgard com olhar vermelho envolto de olheiras. Incêndio envolto de pólvora.
‘’Vory, faz pouco barulho.’’ - Sussurra Tortgard. - ‘’O patrão não tá com boa cara.’’
‘’Preocupa-te tu com ele.’’ - Sussurra Vory. - ‘’Trabalho bem no silêncio.’’
Sussurros como riscos nos ouvidos. Iluz chega perto da merenda e dá um murro na mesa. Dói ao ouvido como martelar pregos em ferro.
Vory engole em seco. - ‘’O outro lado do estábulo também precisa ser limpo.’’
‘’Sim, é melhor ir para lá.’’ - Diz Tortgard.
Iluz puxa do banco e senta-se à mesa. Passa o braço e atira todo a palha, os feijões e cartas para o chão. E finalmente morde a merenda.
Foi feita por Rahel às escondidas de Jillia certamente. O pão e a alface estão secos, o queijo com bolor e a carne tem pontos esverdeados. É feita de sobras. Mas sabe tão bem na mesma. Entre as dentadas, ele sorri ao encher-se com um calor de prazer.
Mas o êxtase acaba. Iluz coloca os punhos na mesa e levanta-se. Os pés arrastam-se pela palha. As tonturas fazem o mundo divagar a cada passo. Sai do estábulo e sente o sopro de lucidez. O ar exterior é leve e liberto. Porém, o cantar fica mais alto.
Inspira a tapar a explosão. Mas solta um suspiro de alívio ao ver Rahel a aproximar-se.
Iluz força o sorriso. Mas em vão. Os olhos estão pesados e a mente nublada. Em vez de sorrir, Iluz mostra os dentes com olhos desnivelados.
''Pai! Pai! Advinha o que encontrei!'' - Diz Rahel.
''O quê?'' – Murmura Iluz.
''Um Cachorrinho. Podemos ficar com ele?!'' - Diz Rahel ao fazer o seu melhor beicinho.
Porém Iluz olha para o chão. Olha para Rahel. Olha para trás. Mas não encontra nada.
Só vê Tortgard pelo canto do olho. Ele olha Rahel e abana cabeça de lado a lado. Tem olhos arregalados e um dedo à frente á boca.
Os lábios movem-se em silêncio a soletrar ‘’a-ma-nhã, a-ma-nhã’’ .
''Está ali pai, ele voa.'' - Diz Rahel a apontar para cima. - ''Chama-se Ciza.''
Iluz franze o olhar. Aquilo não é um cachorro. É um espectro.
''Sua tonta. Tu não podes ter espectros. Não és Kunik'' – Diz Iluz a forçar o riso tremido. - ''Vai devolvê-lo a quem o tiraste.''
''Ele é que veio ter comigo e estivemos juntos o dia todo. Ele não tem outro dono'' – Diz Rahel.
Um arrepio atrofia Iluz como um rastilho. Não... Não... O espectro não é dela... A Jillia não me fazia isso... pensa Iluz ao deixar Rahel para trás. Eu já cá estava quando a Rahel nasceu. Mesmo se tivesse andado num reboliço ou outro no meio da palha com alguém, ela pararia quando regressasse... Certo?
Iluz olha para trás e repara nas expressões de Rahel e Ciza.
Rahel estende a mão... E Ciza vem até si sem palavras trocadas.
Rahel faz o beicinho... Ciza faz o beicinho.
''Vá lá pai! Eu tomo conta dele''
Iluz cerra os dentes e esconde as lágrimas. O seu rosto fica vermelho. Os músculos começam a pulsar. A crescer. A rasgar o resto da roupa de pano. Cada pegada maior que a anterior. A fúria alimenta a fome. Marcha em direção á casa e solta um grito que vibra a noite.
''JILLIA!''
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2020.04.13 04:42 altovaliriano Jon Snow (Parte 3)

O Jon que encontramos em A Fúria dos Reis é alguém decidido a fazer parte da Patrulha e seguir para o Norte com o Lorde Comandante Mormont para a batalha contra os selvagens.
Como sua lealdade foi testada durante A Guerra dos Tronos, é natural que Jon esteja em paz com seu papel na hierarquia da Patrulha e dedique suas forças e coragem para cumprir suas ordens. Por essa razão, não surpreende que Jon tenha evitado o bordel de Vila Toupeira mesmo diante da perspectiva de não retornar vivo. Quanta ironia que a última ordem que Jon recebe em A Fúria dos Reis (dada por Qhorin Meia-mão) seja justamente quebrar seus votos e trair a Patrulha.
A primeira cena de Jon em A Fúria dos Reis é interessante. Ele procura por Samwell na biblioteca de Castelo Negro e não compreende o interesse do amigo pelo local.
– Talvez você se surpreendesse. Esta galeria é um tesouro, Jon.
– Se você diz...
Jon tinha dúvidas. Tesouro queria dizer ouro, prata e joias, não poeira, aranhas e couro apodrecido.
(ACOK, Jon I)
Essa reação é curiosa, pois vimos como a educação formal de Jon o distinguia dentro da Muralha. É claro que ninguém pretende comparar a erudição de Tarly com a de Jon, mas retratar Jon como alguém que somente se interessa por conhecimento com utilidade prática é algo soa bastante Eddard Stark. Em contrapartida, Rhaegar Targaryen seria alguém mais parecido com Samwell.
Mas talvez este desinteresse tenha sido Martin plantando um desejo momentâneo por mais ação. Pois é certo que, uma vez que eles entram na Floresta Assombrada, a erudição de Tarly não serve para muito diante da amplitude de coisas inexplicáveis que ocorrem nas terras para-lá-da-Muralha.
Ao chegar em Brancarbor, Jon afirma poder sentir o poder do enorme represeiro no meio da vila. Não fica muito claro o sentimento que perpassa o personagem naquele momento. Ficamos sem saber se o rapaz sentia realmente a presença de algo sobrenatural ou apenas estava fazendo uma metáfora para o quão impressionante aos olhos era a velha árvore.
Outro evento que escapa à razão se dá quando a Patrulha está montando acampamento no Punho dos Primeiros Homens. Fantasma passa a se comportar estranhamento no local, se mostrando desobediente a Jon de forma até então inédita. O lobo se nega a entrar nas ruínas e, quando finalmente entra, começa a chamar Jon para seguí-lo (outra coisas que não o vemos fazer em nenhum outro momento).
No momento em que Jon é levado por Fantasma até a trouxa com as armas de obsidiana e o berrante de chifre de auroque, o pacote está coberto por “um montículo arredondado de terra mole”, o que dá a entender que alguém o havia enterrado ali recentemente. Mas quem quer que tenha enterrado os itens ali o fez para serem achado especificamente por Jon?
A escolha de Jon para fazer parte da equipe de Qhorin Meia-mão é outro momento em que o rapaz é tratado como escolhido pelos deuses.
– Muito bem. Escolho Jon Snow.
Mormont pestanejou:
– Ele é pouco mais do que um rapaz. E, além disso, é meu intendente. Nem sequer é patrulheiro.
– Tollett também pode cuidar do senhor – Qhorin ergueu sua mão mutilada, com apenas dois dedos. – Os deuses antigos ainda são fortes para lá da Muralha. Os deuses dos Primeiros Homens… e dos Stark.
(ACOK, Jon V)
Logo quando estes dois se conhecem, Qhorin logo quer saber em saber onde está Fantasma, que não está presente. Com isso, o patrulheiro estabelece interesse pelos predicados místicos de Jon. Esta inclinação de Qhorin pelo sobrenatural se repete quando ele afirma que Mance está reunindo tropas Presas de Gelo porque estaria atrás de um “poder” mágico, enquanto que Mormont pensa que isso ocorreu para esconder suas tropas dos olhos da Patrulha.
Para a sorte de Qhorin, sua aposta em Jon deu resultado. O rapaz teve um vívido sonho de warg dentro de Fantasma enquanto o lobo se aproximava do exército de Mance Rayder, poupando o trabalho dos patrulheiros. Entretanto, o afloramento deste poder através da intervenção de Bran parece ter sido um modo que GRRM achou de tornar este evento único. Ou seja, Martin o fez dessa forma para parecer que Jon não conseguiria repetir o feito sozinho. E como se vê nos livros seguintes, Jon não entra na pele de Fantasma em sonhos futuros.
De todo modo, Jon não consegue evitar a fama de troca-pele. Ela é suscitada na Muralha e entre o Povo Livre. Jon deve à intervenção hábil de Ygritte sua vida, caso contrário o bando de Camisa de Chocalho poderia estar duplamente disposto a matar um patrulheiro que também era um troca-pele, tivesse ele se rendido ou não.
Assim, fica claro que A Fúria dos Reis envolve um arco mais mágico de Jon nas terras para-lá-da-Muralha. Em contrapartida, A Tormenta de Espadas vai se focar em conflitos internos, no teste de suas lealdades e nas consequências de suas escolhas.
A jornada de Jon com Mance é bem exemplificativa disto. Inicialmente, Jon trata Mance como inimigo em seu íntimo para no final do livro ouvir que seu plano de “conquista” dos Sete Reinos é apenas uma fuga dos Outros. Jon tanto simpatiza pela causa de Mance que assume-a para si quando pensa que Mance estava morto, ao ponto de deixar a Patrulha à beira do motim (que só ocorreu quando ele quebra seus votos para tentar enfrentar Ramsay).
Mas essa empatia por Mance é cultivada por todo o livro. Logo no primeiro encontro, quando Mance parecia ser um completo estranho, GRRM habilmente introduz Mance na infância de Jon, fazendo com que o rapaz experimente a sensação de familiaridade por Rayder.
– [...] Você era só um garoto e eu estava todo de preto, fazia parte de uma dúzia que escoltou o velho Senhor Comandante Qorgyle quando ele desceu até Winterfell para um encontro como seu pai. Eu percorria a muralha em volta do pátio quando me deparei com você e seu irmão Robb. Nevara na noite anterior, e vocês tinham feito uma grande montanha por cima do portão e estavam esperando que alguém passasse por baixo.
– Eu me lembro – disse Jon, surpreso, comuma gargalhada. Um jovem irmão negro no adarve, sim. – Jurou não contar.
(ASOS, Jon I)
Por outro lado, Mance teve motivo para matar Jon duas vezes (quando o garoto mentiu no Punho dos Primeiros Homens e quando seu acampamento foi atacado enquanto Jon foi enviado por Janos Slynt para matar Mance Rayder). Contudo, em nenhuma das duas oportunidades o fez. Na verdade, pouco antes de ser capturado por Stannis, Mance estava explicando que gostava de Jon (apesar de não confiar nele).
Na verdade, durante o ataque de Stannis o próprio Jon teve a oportunidade de finalmente matar Mance e terminar o conflito. Porém, durante o capítulo, o rapaz não fez outra coisa senão avaliar como seria impróprio matar Mance naquelas circuntâncias, demonstrando que não mais o enxergava como um inimigo a ser eliminado a qualquer custo.
No caso do conflito envolvendo Ygritte a coisa é mais óbvia. Mesmo acossado por tipos como Alliser Thorne e Janos Slynt, Jon provou estar mais inclinado à ser leal à Patrulha do que aos desejos românticos. Ainda que Jon não tenha sido capaz de atirar na garota quando a teve sob a mira do arco (nem para retribuir a flecha que ele supõe que ela lhe atirou em Coroadarrainha), o rapaz nunca investigou quem foi que efetivamente atirou em Ygritte, apenas aceitando sua morte como decorrente do conflito.
Na verdade, a única ponta solta relevante que sobrou do evento em Coroadarrainha foi que Jon teve indícios de que Bran estaria vivo. Ou ao menos, vivendo uma segunda vida.
Em Coroadarrainha vi um lobo gigante, um lobo gigante cinza... cinza... ele me reconheceu. – Se Bran estava morto, poderia uma parte dele sobreviver em seu lobo, tal como Orell vivia no interior de sua águia?
(ASOS, Jon VI)
Estas especulações abrem uma grande brecha para novas direções na história, haja vista que o próprio Jon pode estar à beira de ele mesmo viver uma segunda vida em Fantasma. Assim, não pareceria tão fora do personagem que ele fosse atrás do irmão, ao perceber que sua vida humana acabou.
O último aspecto que quero pontuar em A Tormenta de Espadas é os primeiros momentos do relacionamento de Stannis com Jon. Neste livro, Jon é apenas um intendente que recebe do autoproclamado rei uma oferta de ser legitimado, abjurar seus votos, se casar e herdar Winterfell.
Mesmo diante de uma perspectiva tão sonhada, Jon hesita (talvez da mesma forma que Tyrion hesita em casar com Sansa para ganhar os mesmos títulos e terras). Na verdade, Jon fica irado com a perspectiva, porque, como a lembrança de Catelyn parece indicar, isso faria com que ele se tornasse o usurpador que ela anunciava que ele se tornaria.
Por que estou tão zangado?, perguntou a si mesmo, mas era uma pergunta estúpida. Senhor de Winterfell. Poderia ser Senhor de Winterfell. Herdeiro de meu pai.
Mas não foi o rosto de Lorde Eddard que viu flutuando na sua frente; foi o da Senhora Catelyn. [...] Ela o olhava daquela maneira como costumava olhá-lo em Winterfell, sempre que ele se sobrepunha a Robb nas espadas, nas somas, ou em qualquer outra coisa.
(ASOS, Jon XII)
Entretanto, era levado pela necessidade. Afinal, ele sabia que Janos Slynt estava próximo de ganhar a eleição de Lorde Comandante, o que significava que aceitar a oferta poderia ser o único modo de manter sua vida.
Lorde Janos será escolhido Senhor Comandante. E isso deixa-me o quê, além de Winterfell?
(ASOS, Jon XII)
A parte estranha, que eu nunca consegui entender, é qual foi resposta a que Jon Snow chegou quando encontrou com Fantasma.
Ele e o lobo estavam afastados há algum tempo, desde que Jon teve que escalar a Muralha, quando então se reencontraram no dia em que Snow foi escolhido Lorde Comandante. Naquele dia, Jon estava do outro lado da Muralha, refletindo sobre a proposta de Stannis quando o lobo apareceu. Jon estava olhando para Fantasma quando teve a seguinte cadeia de pensamentos:
Olhos vermelhos, percebeu Jon, mas não como os de Melisandre. O lobo tinha olhos de represeiro. Olhos vermelhos, boca vermelha, pelo branco. Sangue e osso, como uma árvore-coração. Este pertence aos deuses antigos. E só ele, entre todos os lobos gigantes, era branco. Tinham encontrado seis filhotes nas neves do fimdo verão, ele e Robb; cinco que eramcinzentos, negros e castanhos, para os cinco Stark, e umbranco, tão branco como a neve. Snow.
Então obteve a sua resposta.
(ASOS, Jon XII)
Uma vez que a eleição de Jon como Lorde Comandante o impede de contar a Stannis esta resposta, nunca ficamos sabendo a quê conclusão o rapaz chegou. Ou eu estou entendendo errado?
No tópico do domingo que vem, vou analisar Jon em A Dança dos Dragões.

Perguntas

  1. Jon realmente sentiu algum poder sobrenatural na árvore de Brancarbor?
  2. As armas de obsidiana e o berrante de chifre de auroque eram destinados a serem encontrado por Jon?
  3. Bran despertou poderes de warg em Jon? Ou aquele foi um evento único, cuja repetição depende de nova intervenção de Bran (ou de outro vidente verde)?
  4. Qual era a resposta que Jon obteve olhando para Fantasma em ASOS, Jon XII?
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2020.03.28 03:40 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 5

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/53134866390
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6

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Novamente, eu ergo montanhas sobre montículos nesta parte e na próxima, presumindo que tudo o que fazem os homens do norte em Winterfell, especialmente Lorde Manderly, é suspeito.

O Norte: Homens Stark

Wyman Manderly, um Operador Sutil

Anteriormente, eu teorizei que Manderly poderia saber sobre Robb ter escolhido Jon para sucedê-lo como Rei do Norte de Robett Glover, que por sua vez ouve as notícias de seu irmão mais velho Galbart, desapareceu no Gargalo com Maege Mormont, ambos testemunhas do decreto de Robb (ASOS, Catelyn V). No entanto, Manderly jurou se declarar por Stannis caso Davos traga Rickon e Cão Felpudo de volta de Skagos? Rickon não seria redundante se Manderly pretendesse reconhecer Jon como seu rei?
A promessa de Manderly a Davos não é tão hermética quanto parece, para começar.
– [Wex] sabe para onde [Osha e Rickon] foram – Lorde Wyman disse.
Davos entendeu.
– Você quer o menino.
– Roose Bolton tem a filha de Lorde Eddard. Para impedi-lo, Porto Branco precisa ter o filho de Ned... e o lobo gigante. O lobo provará que o menino é quem dizemos que é, se Forte do Pavor tentar negar. Este é meu prêmio, Lorde Davos. Contrabandeie-me meu senhor suserano, e eu tomarei Stannis Baratheon como meu rei.
(ADWD, Davos IV)
Em primeiro lugar, observe que Manderly não especifica Rickon pelo nome, mas diz "suserano", deixando Davos concluir pelo contexto qual dos filhos de Ned ele quer dizer. Mesmo que ele não saiba nada sobre Jon, ele fica sabendo por Wex que Bran também sobreviveu ao saque de Winterfell. Sendo irmão mais novo, Rickon não pode ser Lorde de Winterfell antes de Bran, que não é desqualificado por sua deficiência (ou ser uma árvore!) E, até onde sabemos, não abdicou ou morreu. Então, com essas complicações, quem é o suserano de Manderly?
Em segundo lugar, Manderly não fala em nome de Porto Branco, mas em seu próprio nome. O que acontecerá com seu acordo com Davos, que não foi jurado aos deuses antigos ou aos novos, se Manderly morrer e seu filho, Wylis, o suceder como senhor? Manderly deliberadamente provoca os Freys em Winterfell às vias de fato durante o último POV de Theon. Sobre a morte de Pequeno Walder, ele comenta: “Embora talvez isso tenha sido uma bênção. Se vivesse, teria crescido para ser um Frey”. Especula-se que Manderly não espera voltar de Winterfell vivo, assim como os homens do clã que marcham com Stannis preferem morrer banhados em sangue Bolton do que para as adversidades do inverno (ADWD, O Prêmio do Rei). A palavra que Lorde Wyman deu a Davos, sobre a qual Wylis pode negar conhecimento com sinceridade, é nula e sem efeito?
O Norte está prestes a enfrentar o pior inverno de muitas gerações, com um gelado apocalipse zumbi pra completar, após a morte de milhares de homens na Guerra dos Cinco Reis, fortalezas e colheitas arruinadas pela ocupação inimiga, sem expectativas de ajuda do Trono de Ferro, absortos como os sulistas estão em seus jogos de poder. Não é hora para os garotos-senhores, que são a ruína de qualquer casa, mesmo segundo Roose Bolton (ADWD, Fedor III). No entanto, se Jon for rei, certamente não faria mal para ele ter um herdeiro, já que é improvável que ele traga o seu próprio, pois jurou não tomar esposa ou ter filhos.
Manderly é capaz de tais truques? De tal traição? Todo o incidente das tortas de Frey sugere isso, em minha opinião.
[Davos] esperava ouvir Lorde Wyman falar, E agora eu me declaro pelo Rei Stannis, mas, em vez disso, o homem gordo sorriu um estranho sorriso cintilante e disse:
– Agora tenho um casamento para assistir. Sou gordo demais para subir em um cavalo, como qualquer homem com olhos pode ver claramente. [...]. Meu corpo tornou-se uma prisão mais lúgubre do que a Toca do Lobo. Mesmo assim, preciso ir para Winterfell. Roose Bolton me quer de joelhos, e sob o veludo da cortesia mostra a cota de malha de ferro. Preciso ir de barcaça e de liteira, cercado por uma centena de cavaleiros e por meus bons amigos das Gêmeas. Os Frey vieram pelo mar. Não têm cavalos com eles, então devo presentear cada um deles com um palafrém como presente de convidado. Os anfitriões ainda dão presentes de convidados no Sul?
– Alguns dão, meu senhor. No dia da partida dos convidados.
– Talvez você entenda, então.
(ADWD, Davos IV)
Manderly não tem escrúpulos em observar cuidadosamente a literalidade das leis da hospitalidade, mas violar seu espírito. Ele faz gestos amigáveis aos Freys e os mata assim que seus presentes de convidado o libertam de suas obrigações de anfitrião.
O Senhor de Porto Branco fornecera a comida e a bebida, [...]. Os convidados do casamento se fartaram em [...] três grandes tortas de casamento [...]. Ramsay cortou as fatias com sua cimitarra, e Wyman Manderly serviu pessoalmente, oferecendo as primeiras porções fumegantes para Roose Bolton e sua gorda esposa Frey, as seguintes para Sor Hosteen e Sor Aenys, filhos de Walder Frey.
– A melhor torta que já provaram, meus senhores – o gordo senhor declarou. – Empurrem tudo para baixo com um dourado da Árvore e apreciem cada pedaço. Eu sei que vou.
Fiel à sua palavra, Manderly devorou seis porções, duas de cada uma das três tortas […]
O Senhor de Porto Branco era a imagem perfeita do gordo feliz, gargalhando, sorrindo, brincando com os outros senhores e batendo em suas costas, pedindo aos músicos esta ou aquela canção.
– Nos dê A noite que terminou, cantor – gritou. – A noiva gostará desta, eu sei. Ou cante para nós os feitos do bravo jovem Danny Flint, e nos faça chorar. – Ao olhá-lo, era possível pensar que era ele o recém-casado.
– Está bêbado – disse Theon. [...] Lorde Manderly estava tão bêbado que pediu quatro homens fortes para ajudá-lo a sair do salão.
– Devíamos ouvir uma canção sobre o Rato Cozinheiro – ele murmurou, enquanto passava cambaleando por Theon, apoiado em seus cavaleiros. – Cantor, dê-nos uma canção sobre o Rato Cozinheiro.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
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O Cozinheiro Ratazana tinha feito com o filho do rei ândalo um grande empadão com cebolas, cenouras, cogumelos, montes de pimenta e sal, uma fatia de bacon e um escuro vinho tinto de Dorne. Depois, serviu-o ao pai dele, que elogiou o sabor e pediu para repetir. Mais tarde, os deuses transformaram o cozinheiro numa monstruosa ratazana branca que só podia comer os próprios filhos. Desde então, vagueava por Fortenoite, devorando os filhos, mas sua fome ainda não estava saciada.
– Não foi por assassinato que os deuses o amaldiçoaram – dizia a Velha Ama – nem por servir ao rei ândalo o filho num empadão. Um homem tem direito à vingança. Mas matou um hóspede sob o seu teto, e isso os deuses não podem perdoar.
(ASOS, Bran IV)
No banquete de casamento, Manderly zomba maliciosamente de seus inimigos bem diante de suas caras, brincando com a ignorância do que ele fez. Além disso, ao fornecer a comida e a bebida, Lorde Wyman garante que ele e seus co-conspiradores não violem o direito de hóspede, que é uma forma de confiança mútua entre anfitrião e hóspede. De qualquer forma, ele tem alguma margem de manobra, porque provavelmente ainda considera Winterfell a casa dos Starks. Os deuses não puniriam mais intensamente Manderly por matar Boltons e Freys do que a Roose por enforcar as duas dúzias de posseiros encontrados no castelo, quando ali chegaram (ADWD, O Príncipe de Winterfell).
No entanto, o subterfúgio de Manderly não para por aí. Ele faz conluio com Mance Rayder e suas esposas de lança. Eles se encontraram na estrada, e Mance diz a Manderly que ele procura um caminho para Winterfell para roubar a noiva de Ramsay em nome de Jon Snow, o irmão dela. Sendo os vassalos mais meridionais dos Stark, tanto geográfica quanto historicamente, os Manderlys não sofrem tanto com ataques selvagens quanto, por exemplo, os Umbers e estariam melhor dispostos a ter o Povo Livre como aliados.
Perto do palanque, Abel arranhava seu alaúde e cantava Belas donzelas do verão. Ele se chama de bardo. Na verdade, é mais um cafetão. Lorde Manderly trouxera músicos de Porto Branco, mas nenhum era cantor, então, quando Abel apareceu nos portões com um alaúde e seis mulheres, fora mais do que bem-vindo.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
Que coincidência que Lorde Manderly, que sempre pensa em tudo, não trouxe cantores para as festividades! Estranho, porque no banquete da colheita em Winterfell, alguns livros atrás, ele tem músicos e um cantor em sua procissão, com um malabarista para completar.
Os músicos de Lorde Wyman tocavam com bravura e bem, mas a harpa, a rabeca e a trompa foram em breve afogadas por uma maré de conversas e risos, o tinir de taças e pratos, e os rosnados de cães que lutavam pelos restos. O cantor cantava boas canções, Lanças de Ferro, O Incêndio dos Navios e O Urso e a Bela Donzela, mas só Hodor parecia estar ouvindo. [...]
(ACOK, Bran III)
Eu não acredito em tais coincidências. Manderly – que já decidiu assassinar Jared, Symond e Rhaegar Frey no momento em que conversa com Davos – provavelmente planeja prepará-los em tortas, servi-los aos seus parentes e pedir uma música sobre o Rato Cozinheiro. O que – a menos que ele queira cantar a música – exigiria um ou dois bardos.
Mance não é o único em Winterfell com quem Manderly tem um acordo prévio. Antes do mesmo banquete da colheita, Manderly levanta a idéia de construir uma frota de navios de guerra para Bran, Ser Rodrik e Meistre Luwin.
Além de uma casa de cunhagem, Lorde Manderly também propôs construir uma frota de guerra para Robb.
– Há centenas de anos que não temos força no mar, desde que Brandon, o Incendiário, tocou fogo nos navios do pai. Concedam-me o ouro necessário, e ainda este ano porei para flutuar galés em número suficiente para tomar tanto Pedra do Dragão como Porto Real.
(ACOK, Bran II)
Sor Rodrik e Meistre Luwin não se comprometem inicialmente, prometendo apenas conversar com Robb sobre o assunto, mas Sor Rodrik logo tem uma idéia.
Hother [Umber, Terror das Rameiras] queria navios. [...]
Sor Rodrik puxou as suíças:
– Vocês têm florestas de pinheiros altos e velhos carvalhos. Lorde Manderly tem construtores navais e marinheiros com fartura. Juntos, deveriam ser capazes de pôr na água dracares em número suficiente para defender as costas de ambos.
– Manderly? – Mors Umber [Papa Corvos] fungou. – Esse grande saco bamboleante de banha? [...]
– Ele é gordo – admitiu Sor Rodrik –, mas não é bobo. Irá trabalhar com ele, caso contrário o rei ficará sabendo o por quê. E , para espanto de Bran, os truculentos Umber concordaram em fazer o que ele ordenava, embora não sem resmungos.
(ACOK, Bran II)
Em A Dança dos Dragões, a frota está construída.
Passo do Castelo era uma rua com degraus, um largo caminho de pedra branca que levava da Toca do Lobo, pela água, até Castelo Novo, em sua colina. Sereias de mármore, com vasilhames de óleo de baleia queimando aninhados nos braços, iluminavam o percurso enquanto Davos subia. Quando alcançou o topo, virou-se para olhar para trás. De onde estava, podia ver os portos. Ambos. Atrás do quebra-mar, o porto interno estava repleto de galés de guerra. Davos contou vinte e três. Lorde Wyman era gordo, mas não era negligente, ao que parecia.
(ADWD, Davos II)
E não há a menor sugestão de que Roose saiba alguma coisa sobre isso. Ou seja, Terror das Rameiras ainda não lhe disse: “Fico pensando o que o Lorde Lampréia fez com toda a madeira que cortamos para ele. Deveríamos ter construído galés de guerra juntos”. Uma explicação seria que, apesar de Terror das Rameiras ter tomado partido dos Boltons e Papa Corvos o de Stannis, os Umbers ainda estão de fato trabalhando com Manderly.
Uma vez em Winterfell, Manderly tem nova oportunidade de conspirar.
[Roose:] "Alguém está matando meus homens." [...]
– Temos que olhar para Manderly – murmurou Sor Aeny s Frey. – Lorde Wyman não tem amor por nenhum de nós.
[Roger] Ryswell não estava convencido.
– Ele, no entanto, ama seus bifes, costelas e tortas de carne. Rondar o castelo na escuridão exigiria que deixasse a mesa. O único momento em que faz isso é quando procura a latrina para uma de suas longas horas agachado.
– Não afirmo que Lorde Wyman agiu por conta.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Ah- ha! Lord Manderly tem feito reuniões secretas pró-Stark sob o disfarce de visitar a privada? XD
Bem, talvez não (risadas). Falando sério, nessa mesma cena, Frey ressalta que Manderly chegou a Winterfell com trezentos homens, um terço dos quais são cavaleiros. Ele pode empregar seus funcionários de confiança para passar mensagens, bem como usar suas conexões já estabelecidas com os selvagens e os Umbers (embora os primeiros tenham quase certeza de ter segundas intenções). A lista completa de Casas que compareceram ao casamento, excluindo-se a Senhora Dustin e seu séquito, é a seguinte:
Estandartes estavam pendurados nas torres quadradas, batendo com o vento; o homem esfolado de Forte do Pavor, o machado de batalha dos Cerwyn, os pinheiros dos Tallhart, o tritão dos Manderly, as chaves cruzadas do velho Lorde Locke, o gigante dos Umber, a mão de pedra dos Flint e o alce dos Hornwood. Dos Stout, listras bifurcadas castanhoavermelhadas e douradas; dos Slate, um campo cinza com duas bordas estreitas brancas. Quatro cabeças de cavalo proclamavam os quatro Ryswell dos Regatos; uma cinza, uma negra, uma dourada e uma marrom. A brincadeira era que os Ryswell não conseguiam concordar nem sobre as cores de suas armas. Acima deles, pairava o veado-e-leão do garoto que se sentava no Trono de Ferro, a milhares de quilômetros de distância.
(ADWD, Fedor III)
Manderly e os Lockes estão em contato desde antes da chegada de Davos em White Harbor. Há um Locke na corte de Manderly, identificável por seu brasão, embora não tenha nome e, portanto, tenha parentesco incerto com Lorde Locke. Esse homem não está contra Roose, mas acha que Ramsay é um psicopata e prefere não vê-lo governar o norte. Mais uma vez, Ramsay é um grande fardo para a Casa Bolton. Um que Manderly e sua facção podem explorar:
[Frey:] Qualquer que seja o nome, ele logo estará casado com Arya Stark. Se você quer ser fiel à promessa, faça aliança com ele, pois ele será o Senhor de Winterfell.
[Wylla:] – Ele jamais será meu senhor! Ele obrigou a Senhora Hornwood a se casar com ele, então a trancou em um calabouço e a fez comer seus dedos.
Um murmúrio tomou conta da Corte do Tritão.
– A donzela diz a verdade – declarou um homem atarracado, em branco e púrpura, cujo manto era preso por um par de chaves de bronze cruzadas. – Roose Bolton é frio e astuto, sim, mas um homem pode lidar com Roose. Todos conhecemos piores. Mas esse filho bastardo dele... dizem que é louco e cruel, um monstro.
(Davos III, ADWD)
Os Hornwoods, é claro, têm boas razões para odiar Ramsay por ter torturado e assassinado sua Senhora viúva. Eles, assim como os Cerwyns e Tallharts, têm outros pontos para acertar com pai e filho, no entanto. Ramsay traiçoeiramente matou seus homens junto com Sor Rodrik no saque a Winterfell. Entre os mortos apresentados a Theon estão o herdeiro de Lord Cerwyn, Cley, e o irmão de lorde Tallhart, Leobald. Como se isso não bastasse, foram novamente homens de Hornwood, Cerwyn e Tallhart que Roose entregou aos Lannisters e Tyrells em Valdocaso. Sor Helman Tallhart, mestre da Praça de Torrhen, foi morto nessa batalha.
Por fim, uma coluna de homens a cavalo apareceu, saída da fumaça que pairava no ar. À cabeça vinha um cavaleiro com uma armadura escura. Seu elmo arredondado brilhava num vermelho lúgubre, e um manto rosa-claro caía de seus ombros. Parou o cavalo junto ao portão principal, e um de seus homens gritou para que o castelo se abrisse.
– São amigos ou inimigos? – berrou-lhes Lorren Negro.
– Traria um inimigo tão bons presentes? – O Elmo Vermelho fez um sinal com a mão, e três cadáveres foram despejados à frente dos portões. Um archote foi brandido por cima dos corpos, para que os defensores no topo das muralhas pudessem ver o rosto dos mortos.
– O velho castelão – disse Lorren Negro.
– Com Leobald Tallhart e Cley Cerwyn – o jovem senhor fora atingido no olho por uma flecha, e Sor Rodrik perdera o braço esquerdo, do cotovelo para baixo.
(Theon VI, ACOK)
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[Varys:] Ontem de madrugada, o nosso bravo Lorde Randyll apanhou Robett Glover nos arredores de Valdocaso e encurralou-o contra o mar. As perdas foram pesadas de ambos os lados, mas no fim os nossos leais homens prevaleceram. Dizem que Sor Helman Tallhart está morto, bem como mais de mil homens. Robett Glover volta a Harrenhal comos sobreviventes, em sangrenta desordem, sem sonhar que irá encontrar atravessados no caminho o valente Sor Gregor e seus bravos.
(Tyrion III, ASOS)
------------------------------------------
Os portões de Valdocaso estavam fechados e trancados. [...]Quando a aurora rebentou, os guardas apareceram nos baluartes. Os agricultores subiram para seus carros e sacudiram as rédeas. Brienne também montou […]
Os guardas mandavam as carroças passar quase sem olhar [...] [O capitão] fez um gesto para os guardas. – Deixem-na passar, rapazes. É uma garota.
O portão abria-se para uma praça de mercado, onde aqueles que tinham entrado antes dela descarregavam [...] Outros vendiam armas e armaduras, e muito barato, a julgar pelos preços que gritavam quando ela passava. Os saqueadores chegaram com as gralhas pretas depois de todas as batalhas. [...]Também se arranjava roupa: botas de couro, mantos de peles, sobretudos manchados com rasgões suspeitos. Conhecia muitos dos símbolos. O punho coberto de cota de malha [Glover], o alce [Hornwood], o sol branco [Karstark], o machado de lâmina dupla [Cerwyn], todos eram símbolos do Norte.
(AFFC, Brienne II)
Infelizmente para os Boltons, se os Hornwoods, Cerwyns e Tallharts ainda não perceberam quem é responsável por seus infortúnios, Manderly pode informa-los (e certamente o fará).
Davos tentou se lembrar das histórias que ouvira.
– Winterfell foi capturado por Theon Greyjoy, que fora protegido de Lorde Stark. Ele condenou os dois filhos mais jovens de Stark à morte e colocou suas cabeças sobre as muralhas do castelo. Quando os nortenhos vieram derrubá-lo, passou o castelo inteiro pela espada, até a última criança, antes de ser morto pelo bastardo de Lorde Bolton.
– Não morto – disse Glover. – Capturado e levado para Forte do Pavor. O Bastardo vem esfolando-o.
Lorde Wyman assentiu.
– A história que você ouviu é a que todos nós escutamos, tão cheia de mentiras quanto um pudim de passas. Foi o Bastardo de Bolton quem passou Winterfell pela espada... Ramsay Snow, ele se chamava então, antes do rei menino torná-lo um Bolton. [...], não verdadeiramente, mas pensam que precisamos fingir acreditar, ou morreremos. Roose Bolton mente sobre sua participação no Casamento Vermelho, e seu bastardo mente sobre a queda de Winterfell.
(Davos IV, ADWD)
Até os pequenos habitantes de Porto Real não têm problemas em apontar os culpados por trás do Casamento Vermelho. Não é preciso ser um gênio para descobrir que Roose e Tywin estavam em conluio quando Roose milagrosamente sobreviveu ao massacre nas Gêmeas para ser nomeado Protetor do Norte pelo Trono de Ferro, com uma nova esposa de Frey ao seu lado. E então os Bolton têm a ousadia de trazer dois mil Freys para o norte, hospedando-os em Winterfell.
– Os senhores podem não saber – disse Qyburn –, mas nas tabernas e casas de pasto da cidade, há quem sugira que a coroa pode ter sido de algum modo cúmplice do crime de Lorde Walder.
Os outros conselheiros fitaram-no com incerteza.
– Refere-se ao Casamento Vermelho? – perguntou Aurane Waters.
– Crime? – disse Sor Harys. Pycelle pigarreou ruidosamente. Lorde Gyles tossiu.
– Aqueles pardais são particularmente diretos – preveniu Qyburn. – O Casamento Vermelho foi uma afronta a todas as leis dos deuses e dos homens, ela dizem, e os que tiveram uma participação no caso estão condenados.
(Cersei IV, AFFC)
Manderly provavelmente ouve a verdade sobre o saque de Winterfell via Wex, mas um jovem homem de ferro mudo não é a única testemunha viva do delito de Ramsay. Sobreviventes da batalha que ocorreu do lado de fora dos portões de Winterfell se juntaram à marcha de Stannis (ADWD, Jon VII), possivelmente a mando dos Mormonts. Da mesma forma, Robett Glover é um sobrevivente de Valdocaso e poderia facilmente alegar que Roose fora responsável por essa farsa, haja vista a indiferença deste último pela captura de Bosque Profundo.
No Vau Rubi, o atraso de Roose em atravessar o rio custa ao Norte outros dois mil homens – incluindo Norreys, Lockes e Wylis Manderly, que foram capturados – quando Gregor Clegane o alcança (ASOS, Catelyn VI). Com a traição dos Bolton exposta, Valdocaso e o Vau Rubi parecem repentinamente movimentos calculados da parte de Roose para sangrar seus companheiros nortenhos.
Mais importante ainda, Manderly traz para Winterfell boas novas dos Starks. Qualquer que seja o filho de Ned, Manderly pode fazer a única coisa que Roose sabe que fará as casas do norte o abandonarem em massa.
[Roose to Ramsay:] Parecemos fortes neste momento, sim. Temos amigos poderosos nos Lannister e nos Frey e o apoio relutante de grande parte do Norte... mas imagine o que vai acontecer quando um dos filhos de Ned Stark aparecer?
(ADWD, Fedor III)
A Senhora Dustin também.
No palanque, Lorde Wy man Manderly sentava-se entre dois de seus cavaleiros de Porto Branco, levando mingau com uma colher até seu rosto gordo. Não parecia estar apreciando nem um décimo do que saboreara comendo as tortas de porco no casamento. Em outro canto, Harwood Stout, de um braço só, conversava calmamente com o cadavérico Terrordas-Rameiras Umber.
(ADWD, O vira-casaca)
Segundo a teoria, Terror das Rameiras retransmite as palavras de Manderly, iniciando uma nova rodada no telefone sem fio. Stout é juramentado à Senhora Dustin e hospeda desde cedo Ramsay em sua fortaleza, sem dúvida infeliz ao ver as preciosas reservas de inverno de seu povo esvaziadas para apaziguar a vaidade mesquinha de Ramsay. Sem falar que Ramsay não faz nada para impedir que suas cadelas matem um dos cães de caça de Stout. (ADWD, Fedor III)
O poder dos Bolton no norte repousa sobre um leito de mentiras e ardis, que mal flutua no mar de ressentimento nortenho, e Manderly tem os meios e a vontade de perfurar essa frágil fundação. O que Manderly tem a dizer a Senhora Dustin? E qual a reação dela? Bem, isso é assunto para outro dia.
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2020.03.26 20:20 MrFancyRaccoon Frases de Moribundo

Cá está então a obra completa. Até então tenho reservado a esperança de um dia ver isto publicado. Peço-vos, por isso, que me puxem de volta à realidade, esmagando meticulosamente e todos os meus sonhos e ambições.
Vi em algum lado que é preciso dar dois espaço para separar versos. Se eu apagar logo o post é porque isso não é verdade.
Agradeço já às eventuais almas que tenham paciência para ler isto tudo.

I

Jubiloso este dia
em que as cortinas se me fecham!
Em cena vivi dançando
o tempo que queria.

Foi feliz a exposição,
e que belas personagens,
duo de seres que por mim agem,
as qu’ encontrei logo d’início!
Eu, que sozinho estava,
de dois fui logo acompanhado
e por décadas tesourado.
Ai que bela introdução!

Chegou também a minha intriga,
Em forte caule deu a espiga
mas o mesmo não saber
nunca deixei de o ter.
E aqui conheço os infelizes!
Tu, ó pessoa que me dizes
o quão triste é teu pensar,
tudo à volta dissecar
e extrair sentido algum.
Não mais faço eu que rir.
Se é pensar o existir
descarto já minha presença!
Somos bestas, animais,
não mais que superficiais
serão nossos julgamentos.
Deus esse a quem bradas
(esteja ele onde estiver)
se nos fez, fez-nos ocos
e, depois de mortos, fez-nos roucos.
Termina esse teu tentar.
Sê estúpido e vive a dançar,
comigo irás cantarolando!

Leva sorriso no defecho
sem razão a segurá-lo,
que se morres é pois viveste,
como qualquer, também tiveste
doçuras e térreos deleites,
que tu não os aproveites
é culpa tua e teu delírio
que sendo burro é tudo giro
Pode haver feio, mas não o vês...

II

Ai! Minha amada!
Vivo, cuidei que o amor,
ele e todo o seu ardor,
fossem maiores que nós humanos!
Não durava ele eternidade?
Não escapa ele a toda a idade?
Que triste é agora ver
depois de mim Outro te ter!
É amor vil ilusão!
É charada o casamento!
Meros endócrinos sinais
para haver acasalamento!
Nunca eu vi coisa eterna
que tão preste fosse a sumir
como o amor deste casal!
Bastou um de dois partir!

Apaixonado vivi
E (maldição) me esqueci
dum beijo mais doce que o teu!
Nem de nós o apogeu
cantei ou deixei por escrito,
ficou no agora restrito
tudo o que criei contigo.
Deitado no doce leito
tirei do amor o bom proveito
sem saber que no amar
arte nenhuma tinha feito!
Nestes meros anos de amor
em nada o meu nome deixo
senão nos lábios de quem pranta,
da desgraçada que prendi c’o beijo.

III

A terrível morte me assola.
Deixa os outros ir sem nome.
Pois a mim não o permito!
P’ras eras póstumas o repito
Pátroclo
Pátroclo
Pátroclo
Grito em tua face, Eterno!
Não me silenceias
pois de gritar tenho direito
tal é belo todo o feito
que deixo atrás par’ esta terra.

Sorriste-me, ó Fortuna.
Tive ao lado sempre o poeta
que não como à gente abjeta
me deixa no fim apodrecer.
Põe ele o sal no salvador
e canta bela toda a dor
de quem é merecedor.

Mais digno é quem a morte colhe
na dianteira da peleja
que aquele que esteja
toda a vida em sua toca.
É digno não pela refrega
mas pois a algo mais s’ entrega
que aquele que só tem boca.
Lavrei e combati
e, por isso, sucumbi
e fui d’igual embalsamado
por poeta e pela ninfa
e nenhum deles conheci.

Canta ele o meu Fado
e meu nome é lançado
para as bocas do futuro.

Por meu povo fiz o bem
Fiz a arte na peleja
É muito o saber que me beija.

Morro assim, concretizado
É meu nome entoado.
Por tudo que de grande fiz
Deixei no mundo cicatriz.

IV

Ao fim da linha
me dirijo apressado.
A mim coube a fortuna
de correr adiantado.

Vivi num gume afiado
Apoiado num só pé
e em jovial estupidez,
andei milhas d’imprudência.

O vento senti na cara,
à Sorte lancei os dados.
Mal sabia que d’ entre os Fados
era o meu o mais fatal:
“Jovens vivem para sempre,
se o sempre desejarem.”
Invencível me julguei,
com minhas carnes mais vermelhas,
meu entender mais aguçado,
e meu viver inda adoçado.
Por mim mesmo enganado
fui a vida acelerar.

Quem mais leves tem os pés
e mais curta a passada
bebe de uma só golada
todo o cálice consagrado
que delicia em lento agrado
o bebedor mais avisado
que o defruta mais pausado.

Enfim, vivi desenfreado
Criança sempre á gargalhada
Agora quem se ri é Hades
que celebra na chegada.

V

De pernas gastas
e fôlego arrastado
sem ânimo, ao fim sou chegado.
Não deixo a vida a meio,
corri toda a maratona.
Estafei os pobres músculos,
por mim foi promessa dada:
a de parar só na chegada,
que é lá, às brônzeas portas,
que toda a firme martelada
será a mim repaga em troco
de gotas da tardia glória.
(Não vai Deus esquecer a lavra,
nem meu lavrar será em vão...)

Mas agora que as vejo
nenhuma hoste me espera.
Tolo, esforcei por vil quimera.
Nada tive d’ Ele dado,
o berço não dourou Sua luz.
E sempre olhei para meu lado
e invejei o afortunado
que em meio de meu afinco
fazia mais do que eu e cinco.

Dei-te vida de trabalho
medíocre fiz mas muito
igual a maior fiz mas muito
nada de novo fiz mas muito
E mesmo assim não é meu nome
que dizes com tua voz...
É o dele, que menos fez,
do prendado inocente.
Olho-o e me olho de volta
e todo o ser se me revolta,
enoja o pensar
que não é a lavra que te agrada
é a beleza nata e bruta.

P’ro que dela não partilha,
e é ciente que não brilha,
fica só ressentimento
de que é por ti zombado
a cada sonho esmagado.
Enquanto vive s’ enganando
que algum dia, trabalhando,
oferecendo-te escravidão,
compra parcela de Eternidade.

E indicios deixaste tu...
Entre mortais tinha respeito...
Dos de meu tempo até louvor...
Nunca adivinhei a dor
que me darias e não ao outro.
Ao macaco de espetáculo,
mas por dentro recétaculo
de ouro que lá puseste
sem olhar p’ro que merece.

O dano sofri, espinhos pisei
De chagas me mostro repleto.
E, então, se não fiz arte?!
Não fiz eu a minha parte,
nulo mesmo assim nascendo?!
És tão cruel pr’a filho Teu?!
mereço assim eterno impasse,
de no silêncio perder a face?

VI

Mil rochedos de arrastão
carregou o coração,
acanhado, embaraçado,
quis mas não quis ascensão.
Parto para o vil Estige
e para mim nada redige
a Bela Musa Eterna.
Parece que nada atinge
aquele que nada finge
avassalado por Inércia.
Dela fui um fiel pajem,
cumpri dever de vadiagem.
Vagueei estulto, diletante
não notei gume cortante
que poisou, lento, na garganta
para no sempre a degolar.

Encravou ela meus dedos,
artrite deixou igual na mente
e anulou todo meu ser
impedindo meu tecer.

Vivi feito animal
E nada c’o esta idade
p’ra mim fui arrebatar
senão cruel mediocridade.

Para sempre em meu repouso
olharei o Ideal
Para lá nunca arredei pé,
adiei a vida p’ro final.
Olhar-te-ei, Sol que lá brilhas,
tu que me cantas maravilhas,
que me ecoas em vão o nome
enquanto a larva me consome.

Nulo abaixo parto.
Cumpro a justa sentença
de quem vive no seguinte
e só morrendo é que começa.

VII

Vivi vida enegrecida
pois toda a luz tive esquecida.
Tanto foi o meu pensar
que esqueci de me lembrar
que também sou animal,
também sou um cão banal
que quer seu osso p’ra rilhar.

Sempre vi o ignorante,
o sandio diletante,
e uma venda lhe pus nos olhos.
Quão errado estava...
Bem mais vêm eles
com os pequenos botões reles
da vida as coisas prazenteiras!
E eu de olhos bem abertos
mundos tenho encobertos
por detrás das prateleiras!

Esta minha dor ciente
é só eco estridente
da preguiça de amar.
Tanto há á minha volta...
Tão bela é a minha escolta
e eu sempre a pensar!

É terrível malefício
o racional ofício...
Sobre a folha de papel,
lá está mais quente o fervor
lá mais sentida está a dor
que a que deveras houve...
Direta foi doce vivência
para a ativa consciência
e dormente fica o corpo.

Triste é este destino
de do bom copo de vinho
mais cabeça dar á uva
ou de quem esmagou, a luva,
que ao sabor do rico suco.

E mais potente me lateja
a cabeça na peleja,
quando no passeio cruzo
família livre n’ ignorância
sem saber que tem seu termo,
que se destina a frio ermo
todo seu ilustre membro.
Dele nunca tirei os olhos
e vivi sempre a chorar.

E cá estou.

Livre de emenda
vejo a entrada estupenda
e cruza primeiro minha mente
todo o homem que a cruzou.

VIII

Ai, que grande meu azar!
Saiu-me na roleta
cair a bola em casa preta
e a morte me calhar!
E que bela foi a vida
de todo o pensar esquecida
bem ao lado dos amores!
Sem mulher casei-me cedo:
várias e não só uma
são as belas companheiras.

Primeiro, foi o doce néctar.
Longe vai a apoquentação
quando, morno, tenho na mão
o belo copo p´ra alegrar!
Qual arte, qual carapuça,
arde em mim a escaramuça
não c’o verso mas c’o a pinga!

Depois, veio meu rolinho,
enchido com especiaria
que a mim traz a alegria
(em outro lado não a arranjo).
Tem por nome Cigarrilha
e a ela estou tão devoto
que já levo pulmão roto
de carne tornado em carvão.

Chegam também as muitas gémeas,
as tisanas para as veias!
Cada uma é poção
p’ra diferente ocasião:
Se ao motor falta gasóleo
é pó de fada a cocaína.
Se da dor quero ser salvo
vem daí, minha heroína!
E se eu, terráqueo, voar quero
é S.Maria Joana que venero.

Por fim, vem a amada
que a morte trouxe, escarpada.
O colega trapacei
e toda a ficha despejei.
Como é bom perder o tino
na alcatifa de casino!
Á Fortuna ir rezar
p´ra fortuna me abonar!
A cavalo bendito, qual Pégaso,
amarei mais que a mulher
se ao bolso me trouxer
mais pecinhas p´ra apostar.

Agora parto para o Céu
e não vou acompanhado...
Onde estão as minhas queridas?
Cuidei que vinham a meu lado...
Toda a ficha que ganhei
vale menos que pataco.
Já cravei broca ao Eterno
e não sabe ele o que é tabaco...

IX

Sempre fui abnegador,
e sinto agora apenas dor.
Nunca em mim houve ardor.
Imóvel em minha cruz
ceguei-me de toda a luz,
passei em nome do pudor.

Minha fé, meu fanatismo,
meu seguro maneirismo,
sempre me consolaram,
perante a vista daqueles
que diante via felizes:
“Ignora-o, que ele peca!
É blasfemo por viver!
Imóvel fica em tua toca,
no Além podes correr!”

Ora, do Além já tenho vista.
Mais pequeno é qu’ imaginava...
Não há nele uma estrada
nesta terra não há pista.
Era pois a fé fachada,
seu nome era outro.
Não era águia mas polvo,
que me iscou e subjugou
e logo me confortou
com mentiras das sagradas.

E deste pano fui avisado,
lembro ler num evangelho,
de um pároco mais velho
que aos peixes dirigia
palavras de sabedoria
p’ra est’ evitar a isca
pela qual a vida arrisca
cegado por seu canto doce.
Sereia é esta empresa,
caça nas gentes a moleza
e trapo mete em seu diante
a ver se caça mais um servo
que além desse já não veja
o faminto a mirar a bóia.

Palavras belas as desse homem
a quem me esquece já o nome,
pois dele então nunca fiz caso,
(se lhes chamou de sal estragado,
certo é que diz pecado.)
Mas dizia então verdade,
e só o sei pois estou caçado
entregue agora a meu fado,
já sumiu o pano á muito.
Agora vejo que não cacei
mais nada para minha herança.

Acima perguntei
antes de fazer a arte
mas sobre mim não havia rei.
Era ele de mim parte
que eu, tolo, não usei.


X

O silêncio que esperei
grita alto à minha porta.
P’ra isto me preparei,
há muito levo a alma morta.

Não vibrou uma só palha.
Não levantou qualquer poalha
neste corpo que foi nulo.
Nenhum cálice me chamou
senão o de brandy
que momento na mão pousou.
Não doeu este caminho,
mas doce não o vou chamar,
que é quase exagero
de vida o denominar.

Falei sempre minhas crenças
e julguei que as ouviam.
Na margem a olhar o rio,
escondido das desavenças,
já parecia maluquinho,
ali postado, a falar sozinho.
(p’ra Lídia me dirigia
e cruzou ela o Estige
em milénio de outrora)

“Muita deve ser a dor
que ele esconde e que nega,
que por lá dentro há refrega
que ao Sol está por expor!”
Dizia o mais avisado
que ao andar me viu parado
e continuou alegre o passo.

E vejo agora, inda calado,
que, por muito dano dado,
deu-lhe Deus melhor destino:
teve chance de ser divino,
se não o foi podia ser,
e teve a vida este sentido.

E disto não me apercebi,
sem propósito me julguei,
como tal vetei ser rei
de tudo o que é além de mim.
Da mais leve e fresca brisa,
fugi sempre acautelado,
menos turva que o quedo lago
tive a miragem do Final.

Amadas nunca tive.
Memória não tenho.
Coração nunca terei.
Vivi nunca sendo vivo.
Do agora m’ entretenho.
E coisa alguma a mais terei.

XI

Que ira esta de partir!
Eu que trigo acumulei
parto de onde era rei
sem um tostão a reluzir?!

Não aceita o barqueiro notas
p’ra cruzar o fatal rio?!
Recolhe somente o preço tardio
em dracmas (por mim trocados
por peça de gado, por uns bordados...)
Cuidei que valessem menos
que os doces bens terrenos!
Tem afinal a alma preço...

A mesma mão de osso frio
estende ao herói e ao sandio.
E os que meti na sarjeta
dão-lhe o dobro e com gorjeta!
E eu, sem nada para dar,
de mim fico sem nada,
cuidei que a chave dourada
me dava certa ao Céu entrada.

Despido estou de minhas vestes,
caem em mim todas as pestes,
nos pés não tenho sola
e ao mendigo peço esmola.

Bem difícil é a vida
do patrão rico no submundo.
Já não posso ser imundo
sem a bolsa bem nutrida.

XII

Coisa mais trágica...
Começo eu a perceber
a charada em que me foi meter
o que a chave me esconde.
Do fumo desenham-se, difusas
as doces linhas de resposta,
já daqui vejo, gloriosa...
Mas deu á neblina ideia
de tudo em simultâneo,
em suspiro momentâneo,
a revelar à recém-carcaça.

E o que é da busca,
do caçar que foi a vida?
Que é feito do dano e dos lavores,
que sofro desde a partida?
Condenas-me á procura
e em vida não me dás
resposta que me apraz,
morro doente e dás-me a cura?

Cacei sempre o conhecimento,
tomei-o por migalhas Tuas
deixadas entre as falcatruas
p’ro avisado as colher
e em algum ponto ter
peça final aglomerada
que deixe a alma saciada.

E por elas deixei de ser,
deixer de ver senão abaixo,
olhava a pista cabisbaixo,
certo de que levava a prémio.
Julguei ter mais alto propósito
neste, do saber, depósito
além do de esperar insciente,
olhando só o lá na frente,
á espera de Hora determinada
p´ra verdade ser revelada.

Toda a milha percorri
no dorso duma pergunta
e é às portas do Eterno
que esteve comum a resposta.

Cruel és, ó Divino,
Comichão em mim puseste,
em cisma louca enfureceste
este teu ser a procurar
só p’ra na vida fracassar
e dás-lhe o prémio só na morte,
a ele e á quieta hoste.

Lá terei de aceitar...
Pelo menos descobri ,
sempre havia solução
é só pena cair na mão,
e quando já a levo fria...
Pelo menos o que de mim passa
Já não passa curioso
Coisa mais trágica...
Coisa mais trágica...

XIII

A um dia de Amadeus
nasci eu a vinte seis
e a um passo d’ Infinito
cumprirei as tristes leis
que a morte reserva ao homem
que, mesmo grande, não tem voz
para a si mesmo ecoar
entre os egrégios avós.

Nasci de cabeça acesa
e pronto estava p’ra empresa...
Mas só mais escuro tornava o dia,
e nunca o caminho alumia.
Só a chegada tive por certa,
este nó que se aperta
já o sinto no pescoço.
E já é tanto o alvoroço
e inda vai cheio meu cálice.
Mas tal refuto:
Há diferença entre cadáveres
se um o sabe e outro não?
São iguais no seu destino
só que um nasceu com tino
e outro não sabe que é cão.

Nasci alto quanto baste
para espreitar pela vereda,
intransponível labareda,
que comum adentro me confina.

Vejo pois os Elíseos Campos,
uma estrada de infinito
onde apenas com um grito
por século o nome espalharia
Mas não ganhei a voz ainda.
Espero quedo sua vinda
e sei já que espero em vão
Pois para mim está já traçado
morrer como os demais,
despedaçado por animais,
não mais p’ra vida instrumento
que expele rouca sua música.

Não escaparei á naturalidade.
Não clamo parcela d’ Eternidade.
Abraço assim o esquecimento.

É assim duplo o azar,
os da morte e do nascer,
trezes entre si somados
da perfeição ao cubo apartados
por um só passinho em frente
que o lá de cima entende
ser aquele em que tropeço
ao pagar último o preço.
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2020.01.18 03:56 altovaliriano O que é 'aço de dragão'?

Em suas pesquisas na biblioteca da Muralha, Samwell encontra algumas informações sobre como combater os Outros:
– A armadura dos Outros é à prova da maior parte das lâminas comuns, se é possível crer nas histórias – Sam respondeu –, e as espadas que usam são tão frias que estilhaçam o aço. Mas o fogo os afugenta, e são vulneráveis à obsidiana – recordou-se daquele que enfrentara na floresta assombrada, e o modo como parecera se derreter quando o ferira com o punhal de vidro de dragão que Jon lhe fizera. – Encontrei um relato da Longa Noite que fala do último herói a matar Outros com uma lâmina de aço de dragão. Supostamente não conseguiam resisti-lo.
– Aço de dragão? – Jon franziu as sobrancelhas. – Aço valiriano?
– Esta também foi minha primeira ideia.
(AFFC, Samwell I)
O diálogo entre Jon e Sam termina sem que tenhamos qualquer certeza sobre o que viria a ser o tal "aço de dragão". A especulação de que seria aço valiriano parece ser uma resposta que satisfaz a muitos leitores e foi a solução adotada pela série da HBO, o que, para muitos, reforça a sensação de que o palpite de Jon e Samwell estava correto.
Porém, "muitos" não são "todos". Há quem suspeite que "aço de dragão" não seria aço valiriano, e eu sou uma dessas pessoas. Assim, passemos à análise.

Necessidade do sinônimo

Por que Martin criaria uma segunda palavra para designar aço valiriano? Já que o primeiro palpite de Jon e Samwell foi exatamente que as palavras eram equivalentes, qual era a necessidade de criar uma nova palavra? Um belo detalhe de construção do mundo para demonstrar a evolução dos termos ao longo dos milênios? Não me parece.
Este não é o único mistério semântico de O Festim dos Corvos. Martin também surgiu com a profecia do valonqar, na qual joga com a confiabilidade dos termos que ouvimos. Neste outro mistério, por exemplo, arrisco dizer que pouquíssimos leitores seguem o palpite de Cersei de que seria Tyrion e se recusam a aceitar a interpretação restritiva do termo "irmão mais novo" como sendo o irmão mais novo da própria Cersei.
Outro mistério semântico decorre do enigma de meistre Aemon pouco antes de morrer: "a esfinge é a adivinha, não o adivinho". A situação de que Aemon não conheceu Alleras, mas era dotado de sonhos de dragão deixa o leitor dentro de um paradoxo. Não há referências o suficiente para que se saiba se meistre Aemon está falando sobre as esfinges valirianas ou sobre Alleras.
Por fim, meistre Aemon também arrisca a dizer que a profecia eclética de Melisandre, ora sobre "Azor Ahai", ora "Príncipe que foi prometido", teria sido interpretado de forma errada, o que teria resultado na procura por alguém do sexo masculino, esquecendo de considerar alguém do sexo feminino. Nós só temos uma noção geral do que está escrito nas profecias lidas, mas desconhecemos qualquer passagem que fale em príncipe ou princesa. Ainda assim, Martin logrou colocar o leitor dentro de um debate semântico.
Portanto, é curioso que em um livro coalhado de mistérios semânticos adorados e explorados à exaustão pelo fandom, haja tanto consenso sobre aço de dragão e aço valiriano serem sinônimos.
Mas também há aqueles que apelam para o argumento de que os valirianos não chamariam seu próprio aço de aço valiriano, por esta razão o nome "aço de dragão" seria o nome que o material teria em Valíria e que, somente com o tempo, o nome "aço valiriano" se firmou fora da península para se referir ao "aço de dragão".
Essa situação é justamente o que acontece com a obsidiana. Em Valíria, ela era chamada de "fogo congelado", os plebeus de Westeros a chamam de vidro de dragão e os meistres da Cidadela a chamam apenas de obsidiana. Mas é justamente aqui que está a armadilha desta comparação: diversas pessoas sabem que estas palavras são sinônimas (Melisandre, Meistre Yandel) e já que é a tradução em valiriano para obsidiana, qualquer pessoa que falasse Alto Valiriano também conheceria seu significado.
Dessa forma, se o aço valiriano fosse chamado literalmente de "aço de dragão" em Valíria, qualquer pessoa que falasse valiriano saberia que as expressões são sinônimas. Convenientemente, alguns capítulos depois da conversa com Jon, Samwell diz a Aemon que só falava "um pouco de alto valiriano" (AFFC, Samwell III).
Entretanto, é preciso notar que a palavra não deveria estar em valiriano no texto que Sam leu, mas na língua de Westeros. Como nós sabemos, os registros dos eventos ocorridos na Era dos Heróis "são obras de septões e meistres escritas milhares de anos depois do fato" (TWOIAF, A Era dos Heróis). Portanto, isso reduz nos deixa com algumas poucas opções:
  1. O relato falava de "aço valiriano" e o autor do texto usou o sinônimo "aço de dragão";
  2. O relato falava expressamente em "aço de dragão" e o autor do texto somente reproduziu o que ouviu;
  3. Não há pegadinha nenhuma, e aço de dragão e aço valiriano não são sinônimos.
Agora precisamos filtrar estas opções com auxílio de outros argumentos.

A questão de tempo, local e tecnologia

Samwell afirma ter encontrado a menção a aço de dragão em um "relato da Longa Noite". Isso traz uma série de problemas de confiabilidade a este registro.
Segundo a linha do tempo que temos, a Longa Noite ocorreu quando Westeros ainda vivia sua Idade do Bronze e Valíria sequer existia como civilização. Várias pessoas argumentam que isso não impediria que o segredo da manufatura já existisse antes do surgimento do domínio valiriano, até mesmo fora da península valiriana.
De fato, muitos alegam que, diante da suspeita de que o aço valiriano é forjado com ajuda de fogo de dragão ("um dia receberá das minhas mãos uma espada longa como o mundo nunca viu outra igual, forjada por um dragão e feita de aço valiriano" - AGOT, Daenerys X), a técnica poderia ter sido conhecida primeiro em Asshai, pois diz-se que os dragões podem ter se originado nas Terras das Sombras.
Contudo, nenhuma dessas alegações tem qualquer base.
Na verdade, temos diversas evidências para acreditar que somente os valirianos sabiam fabricar o aço que leva o nome deles, haja vista que todo o conhecimento de sua fabricação se perdeu com a Perdição:
Alguns mestres armeiros podiam voltar a trabalhar aço valiriano, mas os segredos de sua manufatura tinham sido perdidos quando a Perdição chegou à antiga Valíria.
(ASOS, Tyrion IV)
O aço valiriano sempre foi caro, mas tornou-se consideravelmente mais quando não havia mais Valyria, e o segredo de sua fabricação se perdeu.
(SSM de 2008)
As propriedades do aço valiriano são bem conhecidas, e são resultado tanto do fato de que o ferro era dobrado muitas vezes para equilíbrio e remoção de impurezas, quanto do uso de feitiços ‒ ou, pelo menos, de artes que não conhecemos ‒ para dar força sobrenatural ao aço resultante. Essas artes estão perdidas nos dias de hoje, embora ferreiros de Qohor afirmem que ainda conhecem as mágicas para retrabalhar o aço valiriano sem perder sua força ou capacidade insuperável de se manter afiada.
(TWOIAF, A Era dos Heróis)
Só ali, em todo o mundo, a arte de retrabalhar o aço valiriano foi preservada, seus segredos zelosamente guardados.
(TWOIAF, Outras Terras: Qohor)
Diante disto, é muito provável que a técnica tenha surgido e morrido em Valíria sem se espalhar pelo resto do mundo, nem mesmo para outras cidades do domínio valiriano. De fato, como se vê, nas Cidades Livres só Qohor tem uma fagulha desse conhecimento, mas nem mesmo ela é capaz de produzir aço valiriano.
O resultado imediato desta constatação é vermos a impossibilidade de que aço valiriano tenha sido produzido durante a longa noite ou que 'aço de dragão' fosse a palavra que a Westeros da Era dos Heróis usava para definir este tipo de material.
Por outro lado, o tal aço de dragão não precederia apenas ao surgimento de Valíria, mas talvez ao próprio aço. Não há nenhuma indicação de quando a tecnologia do aço foi aperfeiçoada no mundo de Westeros, mas sabemos que a arte de forjar o ferro que foi passada a ândalos e valirianos foi apreendida com os roinares.
E esta arte somente chegou em Westeros muito tempo depois da Longa Noite:
Varrendo o Vale com fogo e espada, os ândalos começaram a conquista de Westeros. Suas armaduras e armas de ferro superavam o bronze com o qual os Primeiros Homens ainda lutavam, e muitos Primeiros Homens pereceram nessa guerra.
(TWOIAF, A Chegada dos Ândalos)
Os Gardener também foram atrás de artesãos ândalos e encorajaram seus senhores vassalos a fazer o mesmo. Ferreiros e pedreiros, em particular, eram generosamente recompensados. Os ferreiros ensinaram os Primeiros Homens a usarem armas e armaduras de ferro no lugar de bronze, enquanto os pedreiros os ajudaram a fortalecer as defesas de seus castelos e fortalezas.
(TWOIAF, A Campina: Os ândalos na Campina)
Portanto, temos motivos para acreditar que o tal "aço de dragão" não veio de Valíria e poderia não ter nada a ver com aço em si.

Material alternativo ao aço valiriano

Intencionalmente, vou ignorar todas as teorias alternativas que propõem que aço de dragão seria alguma variedade aço valiriano. Vou listar aqui as que conheço para que todos saibam o que estou ignorando:
Eliminadas essas opções, resta apenas um material que poderia ter colocado o "dragão" na expressão "aço de dragão": ossos de dragão. Curiosamente, desde o início da saga isto está lá, plantando expressamente nos livros:
Tyrion enrolou-se em sua pele com as costas apoiadas no tronco, bebeu um gole de vinho e pôs-se a ler sobre as propriedades do osso de dragão. O osso de dragão é negro devido à grande quantidade de ferro que contém, dizia o livro. É forte como aço, mas é também leve e muito mais flexível, e, claro, completamente à prova de fogo. Os arcos de osso de dragão são muito apreciados pelos dothrakis, e sem surpresa. Um arqueiro assim armado pode alcançar mais longe do que com qualquer arco de madeira.
(AGOT, Tyrion III)
Ocorre que muitos leitores não gostam da ideia de que os ossos de dragão seriam um bom substituto para o aço valiriano. Como se trata de osso, por mais que tenha ferro em sua composição, não haveria como se forjar o osso para se tornar uma lâmina que pudesse ser usada contra os Outros.
A solução, portanto, replicam os defensores desta teoria, era que os ossos fossem entalhados até poderem ser usados como lanças ou lâminas. Afinal, usar lâminas feitas de osso era um costume provável entre os primeiros homens, pois ainda hoje o Povo Livre se vale de longas lâminas feitas de osso:
Quando Varamyr viu a mulher morta na floresta, ajoelhou-se para retirar a capa dela e não notou o garoto até que o menino irrompeu de seu esconderijo para acertá-lo com uma longa faca de osso e arrancar a capa de seus dedos.
(ADWD, Prólogo)
Val acariciou a faca de osso comprida em seus quadris.
(ADWD, Jon X)
Entretanto, muitas críticas foram feitas a essa alternativa, pois haveria limites para o tipo de armas que poderiam ser produzidas. Sem falar que lâminas equivalentes a espadas estariam supostamente fora de cogitação, pois o material seria supostamente flexível demais, mais apropriado para um arco, como Tyrion supostamente teria observado.
Ocorre que espadas de aço são bastante flexíveis, a fim de absorver o impacto, de forma que a plasticidade do material não seria em si um impeditivo. Na verdade, Martin parece ter intencionalmente evitado falar sobre lâminas feitas de ossos de dragão para surpreender o leitor mais tarde.
Entretanto, o entalhe dos ossos é apenas uma opção. Devido a sua composição cheia de ferro, não é fácil prever a que tipo de armas é possível fazer com este material e que tipo de deformações ele necessitaria/suportaria. Martin não deu nenhum detalhe sobre isso. Porém, ele fez algumas analogias com relação aos dentes de dragão que, à luz de todos os argumento neste texto, podem soar como bastante reveladoras:
Arya pôs-se em pé, movendo-se com cuidado. As cabeças estavam todas em volta dela. Tocou em uma, curiosa, perguntando-se se seria verdadeira. As pontas de seus dedos roçaram um maxilar maciço, sentindo-o bastante real. O osso era suave sob sua mão, frio e duro ao toque. Percorreu um dente com os dedos, negro e aguçado, um punhal feito de escuridão. Aquilo a fez estremecer.
– Está morto – disse em voz alta. – É só um crânio, não pode me fazer mal – mas, de algum modo, o monstro parecia saber que ela estava ali. Podia sentir seus olhos vazios observando-a por entre as sombras, e havia qualquer coisa naquela sala escura e cavernosa que não gostava dela. Afastou-se do crânio com cuidado e bateu as costas num segundo, maior que o primeiro. Por um instante sentiu os dentes se enterrarem em seu ombro, como se aquilo desejasse mordê-la. Arya rodopiou, sentiu o couro prender-se e se rasgar quando uma enorme presa mordeu seu colete, e então desatou a correr. Outro crânio ergueu-se na sua frente, o maior de todos os monstros, mas Arya nem sequer titubeou. Saltou sobre uma fileira de dentes negros altos como espadas, precipitou-se por entre maxilas famintas e atirou-se contra a porta.
(AGOT, Arya III)
Indo direto ao assunto, os dentes de um dragão poderiam servir como dezenas de lâminas. Enquanto estivesse vivo, a mordida do dragão seria terrivelmente eficaz. Porém, mesmo depois de morto, poderiam seu usados por seres humanos como armas altamente eficazes contra os outros.
Portanto, Aço de dragão ser osso de dragão significaria que, mesmo que os outros derrotassem os dragões de Daenerys, os heróis ainda poderiam usar os ossos e, principalmente, os dentes dos cadáveres dos dragões para vencer a Batalha da Aurora.
Isso daria sentido a Martin não precisar que os Dragões de Daenerys tivessem o tamanho de Balerion, Vhagar e Meraxes para que houvessem boas chances de vitória.
Você agora poderia me perguntar como foi que os Primeiros Homens poderiam ter ossos de dragão para fazer "aço de dragão" se apenas havia dragões na península valiriana e nas Terras da Sombra, mas não em Westeros. Bem, vou deixar que GRRM e Meistre Yandel respondam:
FÃ: Em 'O Cavaleiro Andante' são mencionados dragões antigos, com milhares de anos de idade. Havia dragões em Westeros antes que os Targaryen os trouxessem, ou eles trouxeram os esqueletos dos antigos dragões com eles?
GRRM: Havia dragões por toda parte, no passado.
(SSM de 1999)
No entanto, se os homens da Sombra domaram os dragões primeiro, por que não partiram para a conquista, como os valirianos? Parece mais provável que o relato dos valirianos seja o mais verdadeiro. Mas já existira dragões em Westeros antigamente, muito antes da chegada dos Targaryen, como nossas próprias lendas e histórias nos contam. Se os dragões saíram das Catorze Chamas, eles devem ter se espalhado pela maior parte do mundo conhecido antes de serem domados. E, de fato, há evidências disso, como ossos de dragões encontrados tão ao norte quanto Ibben, e mesmo nas florestas de Sothoros. Mas os valirianos os subjugaram e colocaram arreios nele como ninguém mais foi capaz de fazer.
(TWOIAF, A Ascensão de Valíria)

Alternativa nº 2

Caso você não tenha comprado a ideia de que "aço de dragão" não precisa ser feito de metal, há um outro modo de produzir armas com ossos de dragão que pode lhe interessar.
Em resumo, o ferro nos ossos dos dragões deve ter propriedades mágicas e assim bastaria extraí-lo dos ossos e misturá-lo com aço normal na forja. Eu li uma thread em que um usuário do Forum of Ice and Fire dizia que era comum misturar ossos ao ferro na metalurgia da Idade Média, por conta do carbono no osso (o controle do carbono no metal é essencial na transformação de ferro em aço).
Outra opção seria fundir o ferro no osso para criar uma peça inteiramente feita de "ferro de dragão" e posterioment transformá-lo em "aço de dragão". Mas a técnica de fundição de ferro é algo que somente foi implementado com algum sucesso em tempos mais modernos (com a invenção da forja catalã, altos fornos e, finalmente, o Forno Siemens-Martin). Assim, a técnica parece muito avançada para ter sido utilizada na Era dos Heróis.
Por outro lado, o próprio Martin afirma que nem mesmo em tempos recentes este tipo de coisa era normal entre os valirianos:
FÃ: Em Valyria, eles usavam osso de dragão no aço valiriano?
GRRM: Não.
(SSM de 2002)
Por essa razão que eu não acredito que esta alternativa seja a correta. Aposto na opção dos ossos de dragão entalhados ou dentes de dragão com empunhaduras de couro.
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2019.12.29 03:12 altovaliriano Asha Greyjoy

Asha é a terceira criança e única filha mulher de Balon Greyjoy e Alannys Harlaw. Ela era um criança que não chamava a atenção, mas cresceu para se tornar uma mulher atraente e ousada, que não gostava da idéia de se tornar esposa de um Senhor, mas titular do direito à Cadeira de Pedra do Mar.
Quando Theon deixou as Ilhas de Ferro, a imagem que tinha de Asha era uma garota com “um nariz que mais parecia um bico de abutre, uma colheita madura de espinhas, e não tinha mais peito do que um rapaz” (ACOK, Theon II). Mas nenhum tipo de observação é feita sobre seu comportamento. Não que Theon seja particularmente bom em observar ou julgar caráter. Mas ele é pego de surpresa quando Tio Aeron lhe apresenta a perspectiva de que Asha poderia estar na linha de sucessão:
– Ambos os meus irmãos estão mortos. Sou o único filho sobrevivente do senhor meu pai.
– Sua irmã está viva – Aeron nem sequer ofereceu a Theon a cortesia de um relance.
Asha, Theon pensou, confuso. Era três anos mais velha do que ele, mas, mesmo assim…
– Uma mulher só pode herdar se não houver nenhum herdeiro varão em linha direta – ele insistiu em voz alta. – Não aceitarei que me privem dos meus direitos, aviso.
O tio soltou um grunhido.
Avisa um servo do Deus Afogado, rapaz? Você se esqueceu mais do que pensa. E é um grande idiota se acredita que o senhor seu pai algum dia entregará estas ilhas sagradas a um Stark. E agora cale-se. A viagem já é suficientemente longa mesmo sem a sua tagarelice de pombo.
(ACOK, Theon I)
Olhando em retrospectiva, este é um diálogo que faz pouco sentido. Aeron se recusa a aceitar a pretensão de Asha em razão de seu sexo e não é o tipo de homem que faria joguinhos psicológicos com Theon. Talvez seja uma sinalização que Martin inicialmente pensava em armar menos resistência à sucessão de Asha. Talvez a idéia seria que ela assumisse o trono durante o (abandonado) salto temporal de 5 anos depois de Tormenta de Espadas e que Euron reapareceria para destroná-la.
De toda forma, Asha cresceu sem irmãos, mas foi criada pela mãe “para ser ousada” (AFFC, A Filha da Lula Gigante) e ainda menina era vista “atirando machados em uma porta” (AFFC, O Capitão de Ferro). Portanto, Asha desde cedo já podia ser contada como parte do seleto grupo de mulheres das Ilhas de Ferro que “tripulavam os dracares com seus homens, e dizia-se que o sal e o mar as modificavam, dando-lhes os apetites de um homem” (ACOK, Theon II).
A má aparência, porém, é algo que atormentou Asha durante o crescimento. De fato, durante a adolescência, a filha da Lula Gigante teve um curto romance com Tristifer Botley que, segundo Asha, provavelmente foi iniciado porque ambos tinha rostos “atormentados por espinhas” (Botley era um dos cinco protegidos da mãe de Asha, Alannys Harlaw, trazidos a Pyke para substituir os filhos perdidos com a Rebelião Greyjoy de 287 DC). O affair foi descoberto e Botley foi enviado de volta para Fidalporto. Mas a coincidência que aconteceu foi que ambos os adolescente complexados pelas acnes se tornaram adultos bonitos.
Quando conhecemos Asha em A Fúria dos Reis, GRRM demonstra a beleza de Asha fazendo com que Theon, sem saber que estava falando com a irmã, sinta-se imediatamente atraído por ela. O modo como Asha engana Theon revela como a garota sem predicados que ele conheceu na infância se tornou uma mulher independente e muito mais preparada para liderar com os Homens de Ferro do que ele.
O entrosamento entre Balon e Asha é tangível nos livros, de modo que o Rei Greyjoy não faz qualquer ressalva ou reserva sobre sua capacidade e direitos. Obviamente, a perspectiva de ser descartado em prol da irmã é o que acende o fogo do ciúme e vaidade de Theon, levando-o a tomar Winterfell.
Porém, o que Theon deixa passar despercebido é que Asha, por debaixo da persona arrogante, se deu ao trabalho de vir a Winterfell para tentar dissuadí-lo. Caso a relação de ambos tivesse começado em outro pé, talvez Theon não teria confundido a deferência com uma tentativa de ecarnecê-lo ou separá-lo de seu prêmio (o castelo dos Stark). Àquela altura este era até um erro desculpável da parte de Theon, pois até o leitor não entendia perfeitamente as intenções da irmã de Theon.
Quando Asha se torna POV em O Festim dos Corvos, entretanto, a pessoa que vemos é substancialmente diferente do que pensávamos. Asha é uma pessoa estranhamente sentimental.
Alguém que revela ter partido para a guerra com o “coração pesado” em deixar a mãe para trás porque temia que ela morresse em sua ausência. Alguém que, apesar do discurso bélico e entrosamento com o pai, “sempre se sentira em casa em Dez Torres, mais do que em Pyke”. Que dentre tantos modelos masculinos em seus tios paternos, preferia seu tio materno, Rodrik Harlaw, considerado menos viril, mas mais inteligente e melhor administrador. Alguém que, apesar de gostar de amores selvagens, importa-se com os sentimentos românticos de Tristifer Botley, a ponto de querer protegê-lo dela mesma ao invés de simplesmente enxotá-lo.
Em verdade, é curioso o efeito que o amor meloso de Tristifer tem sobre Asha. Na juventude, ela chegou a nutrir sentimentos por ele, mas algo mudou. Porém, mais do que simplesmente desapontada pela falta de ousadia de Botley, Asha foi acossada por uma investida diferente do rapaz:
[...] chamara aquilo de amor, até Tris começar a falar dos filhos que ela lhe daria; pelo menos uma dúzia de filhos, e, oh, algumas filhas também.
“Não quero uma dúzia de filhos”, dissera-lhe, aterrorizada. “Quero ter aventuras.”
(AFFC, A Filha da Lula Gigante)
Alguém poderia arguir que o terror de Asha era simplesmente o medo do compromisso. Afinal, Asha estava carregando o peso de ser herdeira de Balon e não poderia se ver ligada a um segundo filho delicado como Tristifer. Contudo, o contexto no qual essa afirmação foi é revelador. Asha parece estar aterrorizada com a perspectiva de ter filhos.
A julgar pelo histórico de Asha, ter filhos é provavelmente um empreendimento a ser evitado. Sua mãe teve cinco filhos e a perda de 4/5 deles a transformou em outra pessoa. Uma pessoa fraca:
Alannys Harlaw nunca teve o tipo de beleza que os cantores apreciavam, mas a filha adorava seu rosto feroz e forte e o riso em seus olhos. Naquela última visita, porém, encontrara a Senhora Alannys num banco de janela, aninhada debaixo de uma pilha de peles, de olhos fitos no mar. Isto é a minha mãe, ou o seu fantasma?, lembrava-se de ter pensado ao beijá-la no rosto.
(AFFC, A Filha da Lula Gigante)
Esta constatação é interessante por conta dos últimos acontecimentos em A Dança dos Dragões. Asha Greyjoy tem um relacionamento brutal com um rapaz de aparência delicada, com quem ela transa antes de Stannis invadir e tomar Bosque Profundo. Asha estava à procura do meistre do castelo para tomar chá da lua e evitar engravidar de Qarl, mas a invasão faz com que ela se esqueça da situação. Portanto, há uma possibilidade de que Asha esteja grávida de Qarl, o Donzel.
Caso essas suspeitas tenham algum fundamento, algumas implicações práticas e narrativas envolvem:
  1. A pretensão deste filho de Asha à Cadeira de Pedra do Mar pode ser considerada mais qualificada do que a de Euron. “Filhos do sal podiam até mesmo ser herdeiros quando um homem não tinha filhos legítimos com sua esposa da rocha” (TWOIAF, As Ilhas de Ferro);
  2. Asha teria que enfrentar a temida gravidez durante o inverno do Norte;
  3. A lealdade cega de Tristifer Botley pode vir a calhar muito para Asha durante a gestação.
A questão é que Asha, mesmo que Asha decida levar esta gestação adiante, qualquer oposição ao Olho de Corvo, pedindo uma nova Assembléia de Homens Livres levaria necessariamente à guerra. Se esta não era uma perspectiva que agradava Asha em O Festim dos Corvos (ela fica feliz ao saber que Aeron convocou uma Assembléia), será uma perspectiva ainda menos atraente em Os Ventos do Inverno.
Declarações de GRRM
Perguntas
  1. Por que Aeron citou Asha como pretendente à Cadeira de Pedra do Mar em ACOK, mas a rejeitou em AFFC?
  2. Por que Asha tem mais afinidade com Tio Rodrik Harlaw do que com Balon Greyjoy?
  3. Asha realmente teme a gravidez em razão do que aconteceu com sua mãe?
  4. Asha deveria ter aceitado a proposta de Rodrik Harlaw e desistido da Cadeira de Pedra do Mar para se tornar herdeira de Dez Torres?
  5. Asha está grávida de Qarl o Donzel?
  6. Um filho de Asha poderia ter direito a Cadeira de Pedra do Mar? A pretensão seria melhor do que a de Euron?
  7. Você vê paralelos entre Asha Greyjoy e Rhaenyra Targaryen?
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2019.12.20 17:57 queiroga [Sério] Ajuda com Injunção - tugas a serem tugas

Boa tarde a todos, venho aqui pedir alguma ajuda pois não percebo muito do assunto e pode ser que me consigam esclarecer em alguma coisa. Obrigado a quem ler tudo e se dispuser a ajudar.
Em Fevereiro de 2015, fui morar para um apartamento, contrato de aluguer de 2 anos (renovado em 2017 por mais 2), que terminava então em Janeiro deste ano. Dei um mês de caução (450€) e tudo correu bem. O ano passado, 4 meses antes do fim do contrato, recebi carta em casa que o senhorio não pretendia renovar o contrato. Falámos com ele telefonicamente, ao que nos explica que as rendas estavam a ficar caras, bla bla bla, para continuarmos lá a renda passava para os 600€. Nós dissemos que não estávamos interessados, pusemo-nos à procura de casa e acabámos por comprar uma. Ficou acordado (verbalmente, e foi aqui o erro) que ficávamos até Dezembro do ano passado lá, esse mês era pago com a caução e que em Janeiro ele estava livre para alugar a quem quisesse, que era melhor pra ele que já cobrava os 600€ que queria.
Passado uns meses, na altura do IRS, reparámos que havia problemas com os recibos, não estavam no portal e depois de alguma investigação lá se percebeu que ele não fez a renovação do contrato lá no portal, tinhamos andado a morar lá naquele ano inteiro sem contrato oficializado nas finanças. Falámos com ele, que tinha de tratar disso para nós podermos entregar o IRS e ele foi ver da situação. Depois liga-nos a dizer que tinha que pagar uma multa por causa do erro, se não preferiamos nós não meter isso no IRS e ele pagava-nos aparte esse valor (basicamente queria fugir ao fisco e pediu-nos para ser cumplices - tuga a ser tuga). Nós dissemos que não, pois havia registo dos pagamentos da renda regulares todos os meses e era óbvio que as finanças iam perguntar que raio era aquilo. Ele lá tratou do lado dele, nós submetemos as rendas no IRS e nunca mais se falou do assunto.
Fast forward para hoje, recebemos em casa uma carta de uma injunção feita contra nós pelo senhorio, a pedir 1000€ por rendas em falta. Diz o gajo que não pagámos as rendas de Dezembro/18 e Janeiro/19, cada uma de 500€. Ora a renda era de 450€ e não de 500€, e uma delas foi paga com a caução. Como tal vamos fazer uma oposição, vai para tribunal e toda essa merda. A minha mulher ligou ao tipo e ele disse só para falar com o advogado, que está a fazer isto porque não o ajudámos naquilo do IRS (basicamente, a cometer um crime).
Dúvidas:
a) Visto que houve intenção de não renovar o contrato pelo senhorio, somos na mesma obrigados a permanecer até ao fim do contrato? Ou seja, durante aqueles 4 meses se encontrarmos uma boa casa não podemos ir logo e temos que ficar esses mesmos 4 meses na casa antiga?
b) Há alguma forma de me escapar disto, visto que não fiz nada de mal e o gajo é um fdp de primeira? Foi tudo verbal, os unicos documentos são o contrato original e a carta de não renovação (se a encontrarmos).
c) Fazendo a oposição e sendo aceite pelo tribunal, é ele que vai pagar estas custas da injunção, certo? Visto que eu é que tenho razão na oposição (não são 2 rendas mas sim 1, e o valor é de 450€ por mês).
Eu sei que o melhor seria arranjar um advogado, mas o custo de um para este processo todo, no fim iria dar os outros 450€, então não sei até que ponto vale a pena. Queria tentar isto sozinho, pelo menos na oposição da injunção.
Obrigado mais uma vez a quem puder ajudar
edit: no carta também diz que fomos interpelados para fazer esses pagamentos, o que é falso e como tal não existe qualquer prova disso.
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2019.11.30 03:57 altovaliriano Euron Greyjoy, um legado do Corvo de Três Olhos

Quando conhecemos Euron, sua figura é repleta de autoconfiança e ganância. Euron oferece o mundo a seus seguidores, não se limitando à tradicional pilhagem do Oeste e Norte.
No salão dos Hewett, em Escudorroble, quando seus planos de viajar para Essos são contestados, Euron se torna um pouco mais introspectivo e enigmático, e começa a falar de uma experiência do passado, particularmente familiar ao leitor:
– Quando era rapaz, sonhei que podia voar – anunciou. – Quando acordei, não podia... ou pelo menos foi o que o meistre disse. Mas, e se ele mentiu?
[...]
– Talvez possamos voar. Todos nós. Como saber, a menos que saltemos de uma torre alta qualquer?
(AFFC, O Pirata)
Esta frase inaugural de Euron no diálogo carrega uma interessante semelhança com a experiência de Bran logo no começo da saga. Enquanto estava em coma, o garoto sonhava vividamente que estava em queda livre, ouvindo o Corvo de Três Olhos lhe pedindo para que voasse e vivesse.
Não chore. Voe.
– Não posso voar – disse Bran. – Não posso, não posso…
Como sabe? Alguma vez já tentou?
[...]
– O que você está me fazendo? – perguntou ao corvo, choroso.
Estou lhe ensinando a voar.
– Não posso voar!
Está voando agora mesmo.
(AGOT, Bran III)
Assim como Euron, Bran procura um meistre (Luwin) para contar dos sonhos que estava tendo, mas o meistre se mostra cético quanto a sua natureza mística.
– Quero aprender magia – disse lhe Bran. – O corvo prometeu que eu voaria.
Meistre Luwin suspirou.
– Posso ensinar história, artes de curar, as ervas. Posso ensinar a língua dos corvos, e como construir um castelo, e o modo como um marinheiro orienta o navio pelas estrelas. Posso ensinar a medir os dias e a marcar a passagem das estações, e na Cidadela, em Vilavelha, podem lhe ensinar outras mil coisas. Mas, Bran, ninguém pode lhe ensinar magia.
(AGOT, Bran VI)
Em razão da semelhança entre as experiências, muitos leitores passaram a se questionar se Martin não estaria deliberadamente criando paralelos, para indicar ao leitores que Corvo de Sangue também havia contatado Euron no passado.
A partir desta hipótese, os fãs passaram a coletar elementos no texto que podem ser encarados como paralelos entre as histórias de Bran e Euron.
Por exemplo, durante o supramencionado sonho em A Guerra dos Tronos, o corvo de três olhos parece querer abrir um terceiro olho em Bran, tanto para despertar o garoto de seu coma quanto para metaforicamente despertar seus poderes místicos:
Levantou voo, batendo as asas contra o rosto de Bran, reduzindo-lhe a velocidade, cegando-o. O garoto hesitou no ar quando as asas da ave bateram em seu rosto. O bico do corvo apunhalou-o ferozmente, e Bran sentiu uma súbita dor cegante no meio da testa, entre os olhos.
(AGOT, Bran III)
De modo similar, este é um efeito que Euron parece querer replicar ao consumir obsessivamente as Sombras da Tarde, também em uma tentativa de despertar algo dentro de si:
– Beba comigo, irmão. Prove isto – ofereceu uma das taças a Victarion.
O capitão pegou a taça que Euron não oferecera, cheirou desconfiadamente seu conteúdo. Visto de perto, o líquido parecia mais azul do que negro. Era espesso e de aspecto oleoso, e cheirava a carne podre. Experimentou um pequeno gole e o cuspiu imediatamente.
– Que porcaria. Quer me envenenar?
– Quero abrir seus olhos [...].
(AFFC, O Pirata)
De fato, a semelhança entre os discursos é chamativa. Euron certamente pode ser identificado como o primeiro grande vilão humano westerosi envolvido com algum tipo de arte mágica. Anteriormente, a magia era exclusiva apenas dos grandes vilões em Essos (Mirri Mas Durr e Pyat Pree).
Contudo, não basta que constatamos esses paralelos para que a possibilidade de uma conexão entre Euron e Corvo de Sangue seja formada. Precisamos também saber por que Brynden Rivers entraria em contato com Euron. E há uma passagem em A Guerra dos Tronos parece indicar que Corvo de Sangue não teria feito contato apenas com Bran nos últimos anos:
Bran olhou para baixo. Agora, nada havia abaixo dele além de neve, frio e morte, um vazio gelado onde agulhas denteadas de gelo azul esbranquiçado esperavam para abraçá-lo. Voavam em sua direção como lanças. Viu os ossos de mil outros sonhadores empalados em suas pontas. Sentia um medo desesperador.
– Pode um homem continuar a ser valente se tiver medo? – ouviu sua voz dizer, uma voz pequena e distante.
E a voz de seu pai lhe respondeu.
– Essa é a única maneira de um homem ser valente.
E agora, Bran, insistiu o corvo. Escolha. Voe ou morra.
(AGOT, Bran III)
Os ossos dos sonhadores parecem ser um indicativo de Brynden Rivers submetara outras pessoas a esta mesma experiência, mas elas, ao contrário de Bran, falharam. Porém, no sonho de Euron, ele voou, o que significa que ele teria passado no teste. Deste modo, era de se esperar que ele tivesse recebido notícias de Brynden novamente depois desta experiência.
De fato, quando Bran despertou ele estava longe de ser um Vidente Verde. Ele precisou das lições de Jojen e de Corvo de Sangue, bem como foi necessário tomar a pasta de Represeiro. Entretanto, é provável que nada disso tenha ocorrido a Euron. No passado de Euron não existe qualquer relato que sugira uma aptidão mágica, tampouco Euron relata qualquer continuação a sua experimentação mística durante a infância.
De todo modo, e certo que a experiência lhe causou impacto. Essa poderia, inclusive, ser a razão que o fez ser chamado de Olho de Corvo, assim como que ele adotasse um brasão pessoal em que figuram corvos e um olho vermelho. Com efeito, o brasão tem tamanha semelhança temática com a vida de Brynden Rivers que fica difícil alegar-se ser ser apenas uma coincidência.
No entanto, Corvo de Sangue e Euron não parecem estar trabalhando com os mesmo objetivos. Enquanto Brynden procura salvar o reino dos homens, Euron quer conquistar o reino dos homens à custa de milhares de vidas. Talvez justamente por ter percebido que tipo de pessoa Euron era que Corvo de sangue não tenha insistido
De qualque maneira, a falta de contato posterior entre Euron e Corvo de Sangue deixou o primeiro com um poder, mas nenhum treinamento. Portanto, é muito provável que Euron tenha passado a maior parte de sua vida na ignorância sobre seus poderes. E até onde sabemos, Euron não tinha sonhos de dominação mundial antes de seu exílio. Alguma coisa mudou dentro dele para que passasse a acreditar que era realmente seria capaz de dobrar corações e mentes.
Provavelmente isso tem relação com o obsessivo consumo de Sombras da Tarde. O vinho dos Magos de Qarth é especificamente conhecido por despertar poderes mágicos. Dessa forma, quando vemos Euron bebendo Sombras da Tarde, na verdade estamos presenciando um vidente verde sem treinamento tomando algo feito para destravar poderes mágicos.
Mas temos motivos para acreditar que a pasta de Represeiro e as Sombras da Tarde conferem poderes semelhantes de modo semelhante. Pyat Pree explica que um simples copo dará uma sentidos sobrenaturais a quem o bebe:
– Vai deixar meus lábios azuis?
– Um copo servirá apenas para destapar seus ouvidos e dissolver a membrana que cobre seus olhos, para que possa ver e ouvir as verdades que lhe serão mostradas.
(ACOK, Daenerys IV)
Quando Bran bebe a pasta de represeiro, Corvo de Sangue diz que é o seu sangue dele o fez um vidente, mas a pasta ajudará a acordar seus dons e casá-lo às árvores.
– Isso vai me tornar um vidente verde?
– Seu sangue o fará um vidente verde – disse Lorde Bry nden. – Isso apenas despertaráseu dom e o casará com as árvores.
(ADWD, Bran III)
Mais enfaticamente, o gosto de ambos os compostos são estranhamente similares:
O gosto do primeiro gole era muito ruim, de tinta e carne estragada, mas quando o engoliu pareceu ganhar vida dentro de si. Conseguia sentir gavinhas espalhando-se por seu peito, como dedos de fogo enrolando-se no coração, e na língua ficou um sabor que era como mel, anis e creme, como leite materno e o sêmen de Drogo, como carne crua, sangue quente e ouro derretido. Era todos os sabores que já tinha experimentado e nenhum deles… e então o copo ficou vazio.
(ACOK, Daenerys IV)
Tinha um gosto um pouco amargo, embora não tão amargo quanto pasta de bolotas. A primeira colherada foi a mais difícil de descer. Ele quase a vomitou. A segunda teve um gosto melhor. A terceira estava quase doce. O restante, ele comeu ansiosamente. Por que havia pensado que era amargo? Tinha gosto de mel, de neve recém-caída, de pimenta e canela, e do último beijo que sua mãe nunca lhe dera. A tigela vazia escorregou de seus dedos e retiniu no chão da caverna.
(ADWD, Bran III)
Contudo, ainda que o gosto e os poderes se assemelhem, as árvores de onde são extraídos os compostos parecem tematicamente opostas. Não só as cores dos represeiros e das árvores de casca negra parecem inversas; a própria localização geográfica denota oposição. Os represeiros são comuns no Norte e além da Muralha; as Árvores de Casca Negra são comuns em Quarth, no Sul.
Além disso, as substâncias impõem resultados diferentes sobre o corpo de quem os consome. Os Videntes se unem com as árvores, retornando à natureza, enquanto que os Imortais se tornam almas azuis corrompidas. Euron, entretanto, não mudou:
Parece não ter mudado, pensou Victarion. Parece igual ao que foi no dia em que riu na minha cara e partiu.
(AFFC, O Capitão de Ferro)
Portanto, isso parece indicar que Euron não tenha sido, em momento algum, um discípulo dos Imortais ou de Corvo. Na verdade, o Euron que conhecemos está mais para uma mistura perigosa entre a magia verde, qarthena e valiriana (esta última através dos artefatos supostamente adquiridos nas ruínas da Antiga Valíria).
Segundo este ponto de vista, Euron não seria aprendiz ou protegido, mas alguém com quem Corvo de Sangue teve contato e aos poucos está se tornando um risco. Mas um risco pelo qual Corvo de Sangue tem uma parcela de culpa.
Alguns até apostam que Euron seria um troca-pele poderoso, capaz de escorregar para dentro da Mulher Morena e espionar Victarion e ouvir seus planos e pensamentos. Mas isso me parece poderoso em excesso.
Contudo, o desenvolvimento de uma aptidão mágica seria uma boa justificativa para o comportamento de Euron. De fato, seria uma ótima explicação para como ele foi capaz de chegar a Pyke exatamente no dia seguinte à morte de Balon e sentar na Cadeira de Pedra do Mar antes de qualquer outro dos pretendentes.
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2019.11.08 11:09 altovaliriano Teoria Blackfyre

Link: https://www.reddit.com/asoiaf/comments/156odh/spoilers_all_complete_analysis_of_the_blackfyre/
Autor: Galanix, moderador do asoiaf, em parceria com diversos usuários
Título original: Complete Analysis of the Blackfyre Theory

Nenhuma das informações abaixo é nova. Estou apenas reafirmando as informações coletadas de várias fontes. Se houver algum argumento que eu tenha perdido, eu os adicionarei aqui.

A TEORIA

Aegon (Jovem Griff) não é realmente o bebê de Rhaegar Targaryen e Elia Martell, mas um impostor Blackfyre que Varys e Illyrio Mopatis estão alegando ser um verdadeiro Targaryen. Ele é descendente da linhagem feminina dos Blackfyre (todos os homens foram mortos). Uma variação desta teoria é que Aegon seria filho de Illyrio com sua falecida esposa Serra, que pode ter sido uma Blackfyre. Alguns acham que Varys também pode ter sangue Blackfyre.

ARGUMENTOS A FAVOR

VISÃO DO DRAGÃO DE PANTOMIMEIRO
Uma das visões de Dany na Casa dos Imortais:
“Brilhando como o pôr do sol, uma espada vermelha foi erguida na mão de um rei de olhos azuis que não projetava sombra. Um dragão de pano oscilou em mastros por cima de uma multidão exultante. De uma torre fumegante, um grande animal de pedra levantou voo, exalando fogo de sombras. … Mãe de dragões, matadora de mentiras…”
(ACOK, Daenerys IV)
Dany depois discute a visão com Jorah:
– Um homem morto na proa de um navio, uma rosa azul, um banquete de sangue… O que significam essas coisas, Khaleesi? Falou de um dragão de pantomimeiro. O que é um dragão de pantomimeiro, diga-me?
– Um dragão de pano montado em varas – Dany explicou. – Os pantomimeiros usam-nos em seus espetáculos, para dar aos heróis algo com que lutar.
(ACOK, Daenerys V)
Um "dragão de pantomimeiro" ou dragão falso pode ser uma metáfora para Aegon ser um Blackfyre, e não um dragão verdadeiro (ou seja, um Targaryen). A frase "matadora de mentiras" pode indicar que Aegon é uma das mentiras que Dany pode precisar matar. Outra maneira de interpretar isso é dizer que Varys é o pantomimeiro e Aegon é o dragão de pano que ele está sustentando. Varys é referido como um pantomimeiro em várias ocasiões.
A COMPANHIA DOURADA
Illyrio e Tyrion discutem a quebra do contrato da Companhia Dourada:
– Soube que a Companhia Dourada estava sob contrato de uma das Cidades Livres.
– Myr. – Illyrio sorriu. – Contratos podem ser rompidos.
– Queijo dá mais dinheiro do que eu imaginava – Tyrion disse. – Como conseguiu isso?
O Magíster balançou os dedos gordos.
– Alguns contratos são selados com tinta, outros com sangue. Não direi mais nada.
\Tyrion conta uma história da Companhia Dourada e do passado Blackfyre**
– Admiro seu poder de persuasão – Tyrion falou para Illyrio. – Como você convenceu a Companhia Dourada a aceitar a causa de sua doce rainha, quando eles passaram muito de sua história lutando contra os Targaryen?
Illyrio afastou a objeção como se fosse uma mosca.
– Negro ou vermelho, um dragão ainda é um dragão. Quando Maelys, o Monstruoso, morreu no Passopedra, foi o fim da linhagem masculina da Casa Blackfyre. – O queijeiro sorriu através da barba bifurcada. – E Daenerys dará para eles o que Açoamargo e os Blackfyre nunca puderam dar. Ela vai levá-los para casa.
(ADWD, Tyrion I)
Essa citação é a melhor evidência para a teoria Blackfyre e oferece muitas informações. A Companhia Dourada foi originalmente fundada por Açoamargo (meio-irmão de Daemon Blackfyre e seu aliado mais próximo), e sua missão original era colocar um Blackfyre no trono. Mesmo depois que Daemon foi morto na primeira rebelião Blackfyre, Açoamargo tentou várias vezes sentar um dos herdeiros de Daemon no trono até a morte do último herdeiro masculino.
A Companhia Dourada nunca quebrou um contrato, mas se isso significa cumprir sua missão original, isso faz sentido. Enquanto o contrato quebrado de Myr foi escrito em "tinta", a missão de restaurar um Blackfyre no trono foi escrita em "sangue". Isso também tem respaldo no lema da Companhia Dourada: "Sob o ouro, o aço amargo".
A justificativa de Illyrio para a quebra do contrato Companhia Dourada é que "negro ou vermelho, um dragão ainda é um dragão". Significando que eles não se importam se é um Targaryen ou Blackfyre que eles estão apoiando neste momento, desde que ele os leve a Westeros. No entanto, isso parece contradizer uma lembrança que Dany tem:
Certa vez, seu irmão Viserys oferecera um banquete para os capitães da Companhia Dourada, na esperança de que pudessem apoiar sua causa. Eles comeram sua comida, ouviram seus apelos e riram dele.
(ADWD, Daenerys III)
Parece que eles recusaram Viserys, um dragão vermelho, então talvez ainda se importem. Myles 'Coração Negro' Toyne (ex-capitão da Companhia) é quem fez o contrato com Illyrio em segredo, e dada a briga sangrenta dos Toynes com os Targaryen, não faria sentido para ele fazer esse contrato para apoiar um Targaryen.
ILLYRIO & SERRA
Outro detalhe interessante de Illyrio na citação acima é ele dizendo especificamente que a linha masculina Blackfyre foi extinta. Isso parece indicar que uma linha feminina sobreviveu. Essa fêmea poderia ter sido a falecida esposa de Illyrio, Serra. Aqui está o que ele diz sobre ela:
Illyrio enfiou a mão direita na manga esquerda e tirou um medalhão de prata. Dentro havia uma pintura de uma mulher com grandes olhos azuis e cabelos de pálido ouro mesclado com prata.
– Serra. Encontrei-a em uma casa de travesseiros lisena e a trouxe para casa, para aquecer minha cama, mas no final me casei com ela. Eu, cuja primeira esposa havia sido prima do Príncipe de Pentos. Os portões do palácio se fecharam para mim depois disso, mas não me importei. Era um preço pequeno por Serra.”
[...]
– Boa sorte! – Illyrio gritou atrás deles. – Diga ao garoto que sinto não estar presente no casamento dele. Vejo vocês de novo em Westeros. Juro pelas mãos da minha doce Serra.
(ADWD, Tyrion II)
Sabemos daí que Serra tinha traços valirianos, olhos azuis e cabelos loiros prateados (embora seja notório que muitas pessoas em Lys têm características valirianas, pois fazia parte do Domínio Valiriano). Além disso, os olhos púrpura são uma característica mais Targaryen do que os azuis. Na última linha, vemos que Illyrio tem uma participação muito pessoal no sucesso de Aegon e fala com muito carinho do garoto. É possível que Aegon seja filho de Illyrio e de Serra (Serra sendo uma Blackfyre).
Isso explicaria por que Illyrio tinha em casa um baú cheio de roupas destinadas a um menino pequeno. Também ajudaria a explicar por que Illyrio está interessado em Westeros. Ele tem todo o dinheiro que ele poderia precisar e Tyrion parece cético em relação às motivações de Illyrio:
– E você tem certeza de que Daenerys vai cumprir as promessas do irmão?
– Pode ser que sim, pode ser que não – Illyrio mordeu metade do ovo. – Eu lhe disse, meu pequeno amigo, nem tudo o que um homem faz é por lucro. Acredite se quiser, mas mesmo velhos gordos tolos como eu têm amigos e dívidas de afeto para pagar.
Mentiroso, pensou Tyrion. Algo nesse empreendimento vale mais para você do que moedas ou castelos.
(ADWD, Tyrion II)
Então, o que é essa "dívida de afeto" que Illyrio procura retribuir que vale mais que "moedas" e "castelos"? Ele pode estar tentando cumprir o desejo de Serra de ver seu filho assumir o Trono de Ferro em nome dos Blackfyres. Ainda que tudo isso se encaixe, é bastante circunstancial.
Outra evidência que indica que Illyrio é o pai de Aegon é uma estátua que ele tem em sua mansão que se parece muito com Aegon (Illyrio mais tarde afirma que é uma versão jovem de si mesmo):
Um rapaz nu estava na água, pronto para um duelo, com uma lâmina bravosi na mão. Era flexível e bonito, com não mais do que dezesseis anos e um cabelo loiro liso que lhe caía sobre os ombros. Parecia tão real que levou um longo tempo até que o anão percebesse que era de mármore pintado, embora a espada brilhasse como aço de verdade.
(ADWD, Tyrion I)
A HISTÓRIA DO SEPTÃO MERIBALD
Septão Meribald conta a Brienne e Pod a história da Estalagem da Encruzilhada:
Ele forjou um novo sinal para o pátio, um dragão de três cabeças em ferro negro que pendurou em um poste de madeira. O animal era tão grande que teve de ser feito em uma dúzia de peças, unidas com corda e arame. Quando o vento soprava, tinia e ressoava, de modo que a estalagem se tornou conhecida por todo lado como o Dragão Ressonante.
– O sinal do dragão ainda está lá? – Podrick quis saber também.
– Não – Septão Meribald respondeu. – Quando o filho do ferreiro era já um velho, um filho bastardo do quarto Aegon ergueu-se em rebelião contra seu irmão legítimo e escolheu como símbolo um dragão negro. Estas terras pertenciam então a Lorde Darry, e sua senhoria era ferozmente leal ao rei. Ver o dragão de ferro negro o deixou furioso, e por isso derrubou o poste, fez o sinal em pedaços e os atirou ao rio. Uma das cabeças do dragão foi dar à costa na Ilha Quieta muitos anos mais tarde, embora nessa época estivesse vermelha de ferrugem.
(AFFC, Brienne VII)
Esta história poderia ser uma alegoria para Aegon ser um Blackfyre. Um dragão negro representa Blackfyre e um dragão vermelho é um Targaryen. Então os dragões negros (Blackfyres) foram forçados a atravessar o Mar Estreito e muitos anos depois um deles (Aegon) enferrujou e agora aparenta ser um dragão vermelho (Targaryen).
VARYS É UM BLACKFYRE
Varys ser um Blackfyre é a parte mais especulativa da teoria e não precisa ser verdadeira para as outras partes sejam verdadeiras. A evidência disso é inteiramente circunstancial, mas explica algumas incoerências no caráter de Varys.
Por que, apesar de afirmar ser um lealista Targaryen, ele estava alimentando a paranóia de Aerys sobre Rhaegar usurpar o trono (de acordo com relatos de Barristan e Jaime)? Por que ele raspa a cabeça? Para poder esconder seus cabelos valirianos (embora o mesmo seja verdade se ele for de alguma descendência valiriana, Blackfyre ou não)?
Além disso, por que Varys foi castrado quando menino? Ele diz a Tyrion o seguinte sobre sua castração:
Um dia, em Myr, um certo homem foi ao nosso espetáculo. Quando terminou, fez uma oferta por mim que meu mestre achou tentadora demais para recusar. Fiquei aterrorizado. Temi que o homem pretendesse me usar como ouvira dizer que os homens usavam garotinhos, mas, na verdade, a única parte de mim que ele queria era meu órgão viril. Deu-me uma poção que me deixou incapaz de me movimentar ou de falar, mas nada fez para adormecer meus sentidos. Com uma longa lâmina em forma de gancho cortou-me raiz e caule, sem parar de entoar cânticos. Vi-o queimar meus órgãos masculinos num braseiro. As chamas ficaram azuis, e ouvi uma voz responder ao seu chamado, embora não compreendesse as palavras que foram ditas.
(ACOK, Tyrion X)
Sabemos pelas práticas de Melisandre que os feiticeiros preferem usar sangue real em seus rituais. Se Varys fosse um Blackfyre, ele teria sangue real.
DUNK & EGG
Uma grande parte das novelas Dunk & Egg cobre a história das Rebeliões Blackfyre. Isso pode indicar um significado maior para os Blackfyres em ASoIaF como um todo. É claro que também poderia ser apenas uma justificativa para as novelas de D&E e não ter qualquer outro significado.
AEGON TER SIDO SALVO NÃO FAZ SENTIDO
Como Varys saberia que Gregor esmagaria o rosto do bebê Aegon de modo a deixa-lo irreconhecível? É improvável que isso possa ter sido planejado.
DISCREPÂNCIA DE IDADE
Aegon nasceu em 282 dC, então, quando Tyrion o conhece, ele deveria ter 18 anos. No entanto, aqui está a descrição de Jovem Griff feita por Tyrion:
Era um jovem ágil e benfeito, magro e com um escandaloso cabelo azul-escuro. O anão calculou sua idade entre quinze, dezesseis anos, ou algo próximo a isso. (ADWD, Tyrion III)
É claro que é muito plausível que um jovem de 18 anos possa ser confundido com um de 16, então eu não chamaria isso de uma evidência forte.
RASCUNHO DE "A DANÇA DOS DRAGÕES"
Os rascunhos anteriores dos capítulos de ADWD têm outras pistas. Especula-se que Martin tenha feito muitos cortes nesse material, porque tornou o parentesco de Aegon muito óbvio.
De uma leitura de Tyrion II em 2005:
"Illyrio diz que quer dar a Jovem Griff suas bênçãos e tem um presente para ele no baú. Haldon diz a ele que a liteira não conseguirá chegar a tempo. Illyrio fica bravo e diz que há coisas que Griff deve saber.
[...]
Haldon olha para Tyrion e então começa a falar em outro idioma. Tyrion não sabe dizer o que é, mas acha que deve ser em volantino. Ele capta algumas palavras que se aproximam do Alto Valiriano. As palavras que ele captura são: rainha, dragão e espada."
Especula-se que Illyrio queria dar Fogonegro (Blackfyre) a Jovem Griff, a espada ancestral da Casa Targaryen que foi levada para o outro lado do mar pelos Blackfyres.
De Elio [Garcia], que analisou os rascunhos primitivos do ADWD:
"Um rascunho anterior do capítulo da "lição" tinha um pouco mais de detalhes sobre Maelys o Monstruoso, e os Blackfyres (para aqueles que possuem o RPG da Guardians of the Order, algumas dessas informações acabaram naquele livro). Eu me pergunto por que George decidiu fazer retirar isso deste livro".
[Nota de u/altovaliriano: Eu verifiquei o livro do RPG da Guardians of the Order e as informações são as mesmas que constam em O Mundo de Gelo e Fogo. Como a fala de Elio é de 2011, ele deve ter conhecido a razão mais tarde, enquanto escrevia O Mundo de Gelo e Fogo a seis mãos com Linda e GRRM]

ARGUMENTOS CONTRA

NENHUMA PROVA!
Um grande argumento contra toda essa teoria é que todas as evidências são basicamente circunstanciais. Isso não quer dizer que as evidências circunstanciais sejam inválidas (especialmente em um livro), mas apenas que ainda não houve nada flagrante ainda.
CONVERSA DE VARYS COM KEVAN
Isto é o que Varys diz ao moribundo Kevan Lannister:
– Aegon? – Por um momento, ele não entendeu. Então se lembrou. Um bebê envolto em um manto carmesim, o tecido manchado com o sangue e o cérebro dele. – Morto. Ele está morto.
– Não. – A voz do eunuco pareceu mais profunda. – Ele está aqui. Aegon tem sido moldado para governar desde antes que pudesse andar. Foi treinado em armas, como convém a um cavaleiro, mas esse não foi o fim de sua educação. Ele lê e escreve, fala diversas línguas, estudou história, leis e poesia. Uma septã o instruiu nos mistérios da Fé desde que teve idade suficiente para entendê-los. Viveu com pescadores, trabalhou com as próprias mãos, nadou em rios, remendou redes e aprendeu a lavar as próprias roupas na necessidade. Ele consegue pescar, cozinhar e curar uma ferida, sabe como é sentir fome, ser caçado, sentir medo. Tommen tem sido ensinado que a realeza é o direito dele. Aegon sabe que a realeza é seu dever, que um rei deve colocar seu povo em primeiro lugar, e viver e governar para eles.
(ADWD, Epílogo)
Varys responde diretamente à pergunta de Kevan sobre Aegon estar morto e diz que não está. Por que Varys mentiria sobre Aegon para Kevan, quem ele estava prestes a matar de qualquer maneira?
É improvável que, se Aegon fosse um Blackfyre, Varys não soubesse disso, pois ele provavelmente foi quem contrabandeou o bebê Aegon de Porto Real (ou não), então ele provavelmente sabe se Aegon é realmente Aegon.
Então, por que mentir para um homem moribundo sobre isso? Algumas possíveis respostas seriam:
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2019.09.07 21:38 ViniciusMonfre No Happy Hour

Hoje, uma aulinha de Linux servida como uma prosa descontraída, depois de um dia de trabalho, redigida pelo nosso amigo Vinicius Monfre, originalmente postada no Blog do CodeWalkers
Confira a postagem aqui.

Leiamos :)
- Cara, você vive me falando sobre Linux e software livre. Pode me explicar direito como isso tudo funciona?
- Claro amigo. De onde eu começo?
- Do início.
- Beleza. Quando Linus Torvalds criou o LINUX, ele não tinha ideia do quão grande seu projeto se tornaria dentro do vasto universo que é a computação e a Tecnologia da Informação. Graças a ele, hoje o Linux está presente em bilhões de dispositivos eletrônicos.Dentre eles servidores, desktops, smartphones, embarcados, satélites, vários dispositivos portáteis como relógios inteligentes e até mesmo em televisores.
- Mas o que é o Linux?
- Muitos pensam que o Linux é apenas um sistema operacional. Esse pensamento não está errado, porém não está totalmente certo. Antes de me xingar mentalmente, deixe eu te explicar. O Linux é uma parte do sistema operacional. Para ser mais exato, ele é um kernel de código aberto, que vem sendo desenvolvido ao longo dos anos graças à colaboração de programadores ao redor da terra.
- Beleza, mas o que é um kernel?
- Kernel é o núcleo de um sistema, e é imprescindível para que este funcione corretamente. O kernel faz a ponte entre o hardware da sua máquina e os programas que você executa nela. Ou seja, o kernel, juntamente com os softwares que te deixam usar sua máquina (drivers por exemplo), formam no sistema operacional própriamente dito.
Um exemplo prático: imagine o kernel como se fosse o quadro de uma bicicleta. Dependendo da forma como você for usar, você pode construir uma bicicleta de carga, uma de corrida ou uma bicicleta comum, com ou sem marchas. O kernel não deve ser manipulado diretamente pelo usuário. Não é tão simples assim. O kernel é um software de alta complexidade que deve constituir o sistema, trabalhando “por baixo dos panos”. Desta forma, para um usuário leigo não há necessidade de saber que o kernel está ali.
- Tô entendendo, Então o Linux é um kernel?
- Isso mesmo! Quando você procura um programa na internet, por exemplo o Chrome,você pode perceber que existem versões diferentes desse programa para cada sistema com seus respectivos links. Um vai te redirecionar para o instalador do Windows, outro para o do Mac, outro para o do Linux e por aí vai. Nesse caso o termo Linux está certo. Mas achar que o Linux é um sistema operacional completo, com interface, programas e etc., é meio errado.
- Que interessante. Mas vem cá: como isso começou?
- Meio que por acidente. Em 1991, Linus Torvalds estava estudando Ciência Da Computação e criou o Linux como um fork, uma variação de um sistema conhecido na época, o Minix, que por sua vez era baseado em Unix. Minix, assim como o Linux é um kernel gratuito e de código aberto para que estudandes pudessem e possam estudar seu código para se aprimorarem ou criar projetos baseados nele. Foi nesse ponto que Linus Torvalds resolveu aparecer.
- Poxa cara, que legal. Mas quem é esse tal de Unix mesmo?
- Que bom que perguntou! O Unix nasceu em 1969 no Bell Labs. Mas só na década de 70 que o Unix se tornou visível na área acadêmica e graças a isso ele evoluiu muito. Porém surgiram variações, outros sistemas baseados nele. Seu desenvolvimento se iniciou por volta dos anos 60 e veio acompanhado de uma equipe de programadores que causaria inveja em qualquer empresa na época. Dentre eles Dennis Ritchie e Ken Thompson.
Seu nome inicial seria Multics, um projeto muito ambicioso, mas que estava à frente do seu tempo. Tinha como principal empecilho a falta de poder computacional. Desta forma Thompson optou por colocar os “pés no chão” e criar algo mais realista. Seu novo projeto se chamou Unics, depois seu nome foi mudado para Unix e assim continua até os dias atuais.
Apesar de haver outros programadores envolvidos com a criação do Unix, Ken Thompson e Dennis Ritchie são os nomes mais lembrados porque ambos, em 1973, praticamente reescreveram o Unix a partir da linguagem C, linguagem essa criada pelo próprio Dennis. Graças a seus inúmeros recursos, sua linguagem passou a ser usada em muitos projetos variando a complexidade, e até mesmo em outros sistemas operacionais, o que deu a Ritchie reconhecimento mundial como um dos maiores nomes da tecnologia. (Infelizmente Ritchie faleceu em outubro de 2011).
O Unix foi amplamente aceito não apenas nas faculdades, mas também em ambientes corporativos, o que fez que surgissem várias variações do sistema, como por exemplo BSD, Solaris, Minix e o Linux. O que não significa que sejam todos iguais ao Unix, mas são bem parecidos.
- Que história incrível! Conta mais sobre como o Linux começou!
- Você que manda. Linus Torvalds com quase 20 anos de idade entrou para a universidade de Helsinki, na Finlândia, em 1988. Uns 2 anos depois, com o conhecimento que estava adquirindo com a linguagem C, Linus optou por criar uma implementação de um terminal em seu computador novinho, um 80386, para acessar o servidor Unix de sua faculdade porque ele não havia ficado satisfeito com os recursos disponíveis no Minix para essa função. A ideia de Linus era fazer o projeto apenas para seu computador 80386. Sendo baseado no Minix, o desenvolvimento foi tão rápido que em pouco tempo Linus já tinha um kernel em mãos.
Em 1991 Linus optou por divulgar seu projeto para o mundo. Para isso, fez uso da Usenet (pensa nela como a internet do tempo das cavernas) e escreveu algo como:
“Olá pra quem usa o Minix. Estou fazendo um sistema operacional no meu tempo livre. Não será tão grande como o GNU, mas funciona em computadores AT 386 e talvez 486. Estou trabalhando nele tem um tempo e está começando a ficar legal. Eu gostaria muito que me enviassem opiniões sobre o que gostam ou não no Minix, já que meu sistema tem o mesmo Layout de arquivos do Minix e outras semelhanças. Também já portei o BASH 1.08 e o GCC 1.40, parece que está tudo funcionando. Em alguns meses creio que vou ter algo sólido e gostaria de saber quais recursos as pessoas gostariam que o sistema tivesse. Toda sugestão é bem vinda. Só não posso prometer que vou conseguir implementar todas.P.S.: Meu sistema é livre dos códigos do Minix e vem com sistema de arquivos com multitarefa. Ele não é portável e provavelmente nunca suportará nada além de discos rígidos AT, porque é só isso que eu tenho”
- Cara, ele não tinha nem ideia do que o sistema ia se tornar!
- Sim. Ele não esperava que seu projeto iria ficar tão grande. Mas nem por isso o Linux se livrou dos problemas. Os maiores obstáculos vinham na forma de críticas feitas pelo professor Andrew S. Tanenbaum (criador do Minix) que dizia que o Linux era defasado por ser monolítico. Andrew não estava nem um pouco contente com o fato de que o Linux foi feito para rodar com o processador 80386 porque o hardware era muito caro e provalvelmente sua arquitetura seria trocada no futuro (o que não ocorreu).
Apesar das críticas Linus continuou trabalhando em seu sistema com a ajuda de mais pessoas a cada dia. Conforme o tempo ia passando e iam surgindo necessidades por parte dos desenvolvedores envolvidos no projeto, o Linux foi portado para outros dispositivos, o que ajudou no seu crescimento.
- É… a necessidade é mesmo a mãe de todas as invenções. Já sei! Linus deu o seu nome para o Linux!
- Não foi bem assim. O sistema ficou sem nome por um tempo, então Linus o nomeou de Freax, que é uma uma fusão de free (livre) e freak (assustador) e o x no final pra acrescentar um toque único. Entendeu a referência? Porém o programador e amigo de Torvalds, Ari Lemmke, não gostou do nome Freax e criou em seu servidor FTP uma pasta chamada Linux (acho que é exatamente isso que você está pensando, uma fusão de Linus com Unix), onde ele hospedou o sistema e disponibilizou para download. O nome Linux pegou e vem sendo usado desde então.
- Olha, esse projeto vem sendo envolvido em cada coincidência engraçada! E sobre os programas que vem junto com o Linux?
- Ah, esse é o GNU. A maioria dos sistemas Linux hoje em dia vem acompanhados dele. São chamados de GNU/Linux. GNU é uma sigla recursiva que significa Gnu is Not Unix (em português, GNU não é Unix**). O projeto começou em 84 sob o comando de Richard Stallman, que queria fazer um sistema que fosse compatível com o Unix, mas sem usar o código dele. Com o passar do tempo o projeto cresceu e ganhou muitos recursos, mas ainda faltava um kernel. Stallman e sua equipe estavam trabalhando em um kernel chamado Hurd, mas não rolou de fazerem ele e adivinha quem coube como uma luva no projeto? Isso mesmo! O Linux.**
- Então o Linux que o pessoal conhece e usa vem com o GNU?
- Mais ou menos isso. Linux funciona muito bem com GNU e a maioria dos sistemas Linux vem com programas GNU acompanhando seu kernel. Por esse motivo tem uma galera que defende que o nome GNU/Linux seja empregado no sistema operacional e Linux só no kernel.
- Entendi. Queria conversar mais, mas já é tarde. Se eu demorar muito, vou chegar atrasado em casa!.
- Nossa! Nem vi a hora passando! Me empolguei um pouco contando pra você sobre o Linux. Mas fica tranquilo. Se quiser saber de onde eu tirei tudo isso que te expliquei agora e ainda ter uma explicação legal sobre o que são as distribuições Linux, saber mais sobre as versões do kernel, sobre a licença do Linux e mais um pouco, visita a página do InfoWester nesse link.
Para ficar atento no mundo da tecnologia e aprender com uma galera que tem a mesma paixão por tecnologia que você, acesse o site do CodeWalkers nesse link aqui e depois entre no grupo de Telegram deles. Agora pode ir, cara. Bom descanso. A gente se vê no próximo Happy Hour.
- Valeu amigo. Até mais!
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2019.08.24 22:08 fidjudisomada Primeira Liga 2019/20, #3: SL Benfica 0-2 FC Porto

OLHAR JÁ EM FRENTE!

O Benfica perdeu o clássico na 3.ª jornada da Liga NOS (0-2). E tudo começou numa carambola, ao minuto 22, com o FC Porto a aproveitar o momento de fortuna para se colocar em vantagem, que reforçaria já muito perto do fim, após o tudo por tudo das águias em busca de outro resultado.
O duelo abriu com um bom lance de ataque do Benfica, em velocidade, mas a bola acabou por não pingar na grande área, desaproveitando-se uma possível oportunidade de golo.
O Benfica procurava ter bola para construir, beneficiou de um livre direto à entrada da área aos 16' (falta sobre Rafa) e, na marcação, Grimaldo tentou alvejar a baliza portista, mas acertou na barreira. O FC Porto replicou a intenção de posse e deu trabalho à defensiva encarnada.
Aos 21', após passe de Marega, Zé Luís acelerou, escapou à linha recuada das águias e, descaído para a direita, na área, disparou para excelente defesa de Odysseas, que repeliu para fora. No canto subsequente (22'), a bola caiu à entrada da pequena área, Ferro afastou de cabeça, mas o esférico ainda espirrou no corpo de Rúben Dias, sobrando, com felicidade, para a emenda de Zé Luís, muito perto do poste direito (0-1). O Benfica sofria assim o primeiro golo nesta edição da Liga NOS.
A equipa benfiquista tentou reagir, mas a ligação e articulação ofensiva não foi suficientemente eficaz para criar desequilíbrios e furar a organização defensiva do FC Porto, que, em ataques rápidos, esboçava ameaças.
Perto do intervalo, quando o guarda-redes Marchesín já tinha visto um cartão amarelo por demora na reposição de bola, as águias ainda apertaram os dragões, mas o cruzamento de Rafa, sobre a esquerda, não foi aproveitado por Seferovic (cabeceamento sobre a trave aos 40').
No arranque do segundo tempo, o treinador Bruno Lage alterou uma peça na estrutura inicial: saiu Samaris, entrou Taarabt. A ideia era aumentar a dinâmica ofensiva, melhorar o critério e ir atrás do golo que igualasse o clássico, para depois poder lutar pela vitória. Porém, as dificuldades de envolvimento e progressão mantiveram-se.
Ao minuto 71 houve nova mudança nas águias: saiu Raul de Tomas e entrou Chiquinho. No lance seguinte, Rafa recebeu a bola na área, deslizou um pouco para a direita e rematou, mas com pouca força, à figura do guarda-redes Marchesín.
Os portistas responderam por Marega na exploração da profundidade. O maliano isolou-se pela ala central, Odysseas fez oposição e a bola foi para fora (78'). Logo a seguir mais uma troca no Benfica: saiu Florentino, entrou Vinícius. Bruno Lage arriscava tudo para modificar o cenário.
Em mais uma bola lançada para as costas da defensiva benfiquista, Marega recolheu o esférico, progrediu e atirou. A bola bateu no poste direito e ressaltou para o interior da baliza encarnada aos 86' (0-2), numa altura em que o Benfica se via confrontado com outro infortúnio: Chiquinho, lesionado, era uma pedra a menos no meio-campo.
Já dentro do tempo adicional, Seferovic ainda acertou nas redes portistas, correspondendo a um centro de Pizzi sobre o flanco direito, mas o golo foi anulado pela equipa de arbitragem (com ratificação do VAR) por fora de jogo.
O clássico fica para trás, agora é olhar em frente: o próximo desafio é a visita a Braga, no dia 1 de setembro (domingo), na 4.ª jornada da Liga NOS.

BRUNO LAGE: “FAZER UM GRANDE JOGO COM O SC BRAGA”

No final do clássico com o FC Porto, em conferência de Imprensa, o treinador do Benfica, Bruno Lage, considerou que as águias foram crescendo na partida, explicou as três substituições, garantiu que conta com todos os futebolistas e apontou baterias a “um jogo complicado” com o SC Braga e à evolução constante.
Análise a uma exibição em crescendo
“Acaba por ser uma vitória justa do FC Porto, porque marcou dois golos e nós não. Muito por culpa própria. Forte pressão inicial do FC Porto, estávamos à espera disso. Tentámos colocar muitas bolas em profundidade, bolas pelo ar, o jogo foi para isso e nós não temos hipóteses, porque [o FC Porto] tem dois centrais muito fortes no jogo aéreo, dois avançados muito fortes a ganhar a primeira e segunda bolas. Não tivemos capacidade de colocar a bola no chão, sair com mais critério na construção para ligar o jogo entrelinhas. Tentámos corrigir e começámos a melhorar com a entrada do Adel [Taarabt]. Tivemos mais qualidade, mas no último terço abusámos do passe vertical, com os nossos avançados a sofrerem marcação cerrada. Na segunda parte fomos crescendo, até que numa transição em que o Chiquinho já estava em dificuldade somos apanhados desprevenidos e o FC Porto fez mais um golo.”
“Às vezes as pessoas perguntam por que é que temos dois médios-centro. É para projetarmos os laterais em profundidade. Chegámos a ter seis homens à frente da linha de bola. Temos de ter algum equilíbrio e por isso jogamos com os dois médios. Tivemos dificuldade na construção e faltou-nos paciência. O primeiro golo do FC Porto é obtido com alguma felicidade. A bola bate no Rúben, sobra e Zé Luís marca. A nossa segunda parte foi mais próxima do que costumamos fazer. Encostámos o FC Porto à área com alguns cruzamentos, mas não tivemos o volume de jogo que costumamos ter.”
As entradas de Taarabt, Chiquinho e Vinícius
“A ideia foi deixar de ter dois médios paralelos aos centrais na construção, tendo o Taarabt noutra linha. Tivemos maior posse de bola e com qualidade; a entrada do Chiquinho foi para termos mais movimentos interiores, nomeadamente na direita. Depois arriscámos tudo com o Vinícius e o Seferovic na frente, por forma a chegarmos mais perto da baliza adversária. Conseguimos, criámos mais volume de jogo e com qualidade. Sinto que fomos superiores na segunda parte.”
Boa resposta a início de temporada complicada
“Sabíamos que tínhamos um início de época complicado. Jogámos com o Sporting, Paços de Ferreira, que foi o campeão da II Liga, Belenenses SAD num campo difícil, FC Porto e agora vamos ao campo do SC Braga. Preparámo-nos para isso. O nosso caminho é olhar para o que fizemos e preparar o jogo seguinte. Será difícil, mas certamente vamos fazer um grande jogo.”
Adversário não surpreendeu
“A única dúvida que tínhamos era se entrava o Romário Baró ou o Otávio. O FC Porto já tinha jogado assim com o Krasnodar na Rússia e voltou a fazê-lo com o V. Setúbal. Acabámos por levar o jogo para as questões mais físicas e aí o FC Porto é mais forte. Mudámos e nos últimos 20/25 minutos o Benfica esteve mais fresco e o FC Porto mais cansado.”
Continuar a evoluir
“As comparações… Tivemos cinco semanas de férias. A época passada fechou e agora temos de fazer algo de novo, porque há jogadores que saem e outros que entram. Temos de olhar para as características dos nossos jogadores, pois são eles que nos dão o que vai ser a nossa dinâmica. A nossa transição defensiva não é tão forte? Certo, porque perdemos um jogador. O Gabriel é muito forte na transição defensiva; em dois/três passos chega forte ao adversário e condiciona a sua saída. Só pela saída deste jogador e entrada de outros temos outra forma de jogar. As avaliações coletivas dependem das características dos jogadores e do que eles oferecem ao coletivo. O importante é percebermos o que temos de fazer para sermos competentes e isso parte do nosso trabalho. O que eu disse ao intervalo aos nossos jogadores foi: ‘se continuarmos a insistir neste jogo que nunca nos levou a lado nenhum, perdemos; vamos à procura do nosso jogo, vamos para cima deles’. Os jogadores correram muito.”
“Acha que é com uma derrota que mudo uma forma de trabalhar de oito meses? A minha forma de trabalhar é muito simples: analisar um jogo, preparar a equipa e o jogo seguinte [com o SC Braga]. Agora vamos ter um adversário difícil, vamos treinar muito bem e prepará-lo da melhor forma para vencer. Vou analisar a lesão do Chiquinho, temos mais uma semana para o André Almeida se preparar da melhor forma, esperar pelo Gedson e pelo David Tavares… Temos sempre de evoluir.”
“Comigo ninguém cai”
“Faço uma substituição aos 45 minutos, outra perto dos 60/65 minutos e outra a 10 minutos do fim. Acabámos o jogo com um médio, o Chiquinho a jogar entrelinhas, dois pontas de lança e apenas três homens no equilíbrio. Não vou mudar a pensar nos outros. Às vezes, arriscamos demais. Não me arrependo de nada. O miúdo [Nuno Tavares] esteve bem com o Sporting, com o Paços de Ferreira (em que marcou), com o Belenenses SAD. Acha que foi por ele que perdemos? Temos de dar valor ao miúdo, que vai fazer uma grande carreira neste Clube. Comigo ninguém cai.”

Coisas e Loisas

  • Ao 4.º jogo, Benfica sofre o 1.º golo da época. No jogo de hoje, o Benfica já permitiu 4 remates ao FC Porto, e ainda só rematou uma vez (sem acertar na baliza) - dados referentes aos 30 primeiros minutos;
  • Pizzi cumpre o jogo 200 na Liga Portuguesa: 41 Paços Ferreira; 2 SC Braga; 157 Benfica; 50 golos; 4 títulos; Melhor Jogador da Liga em 2016/17;
  • 1.ª derrota de Bruno Lage na Liga, ao 22.º jogo. Este foi, ainda, o 1.º jogo do Benfica sob orientação de Bruno Lage que não marcou qualquer golo;
  • 5.ª derrota de Bruno Lage como treinador do Benfica (33 jogos), a 2.ª frente ao FC Porto. Derrotas de Bruno Lage como treinador do Benfica: FC Porto (2); Dinamo Zagreb; Sporting; Eintracht Frankfurt;
  • Benfica não ficava em branco em casa em jogos da Liga desde abril de 2018, frente ao... FC Porto. Sob orientação de Bruno Lage, esta foi a 2.ª vez que o Benfica não marcou em casa (Galatasaray e FC Porto);
  • Ao 16.º jogo, 1.ª derrota de Bruno Lage em casa como treinador do Benfica (todas as competições). O Benfica não perdia no Estádio da Luz desde novembro de 2018 (1x3 frente ao Moreirense);
  • O Benfica efetuou 6 remates (apenas um à baliza), enquanto o FC Porto rematou 11 vezes, com 5 remates enquadrados com a baliza. Remates contra o FC Porto na Liga2019/20: Gil Vicente: 13 (7 à baliza); V. Setúbal: 6 (5 à baliza); Benfica: 6 (1 à baliza).

Multimédia

Eleição do MVP

Talking Points

Preparámos uma lista de temas para conversas sobre este jogo, mas estejam à vontade para passar por cima dela, ou pegar num ou alguns, e apresentar as tuas observações e expressar opiniões:
  1. O resultado foi justo? Na tua opinião, o que faltou à equipa para alcançar um resultado ou exibição melhor?
  2. Está satisfeito com a resposta da equipa hoje? Qual foi o aspeto do jogo que mais te impressionou?
  3. Com o benefício da visão a posteriori, que alterações farias ao 11 inicial?
  4. Em retrospetiva, o que farias diferente ao longo do jogo? Como avalia os critérios de substituição? Trouxeram algo diferente ao jogo?
  5. Qual foi o jogador que mais se destacou com a camisola do SL Benfica? Nessa nota, quem foi a maior deceção?
  6. Quais são os aspetos positivos que o SL Benfica pode tirar deste jogo?
  7. Enfrentaremos o SC Braga na próxima partida, no Estádio Municipal de Braga, em jogo a contar para a 4.ª rodada da Primeira Liga 2019/20. Quais as perspetivas?

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2019.08.21 18:52 DavidBessochvili97 Fui demitido após meu primeiro dia no trabalho.

Depois de passar quase um ano a procura de emprego, estágio, ou qualquer forma de atividade minimamente formal e remunerada, eu finalmente consegui. Quinta-feira passada fiz a entrevista, sexta-feira fui informado que fui aprovado, segunda-feira trabalhei normalmente, ontem (terça-feira) foi feriado municipal e hoje ao chegar na empresa fui informado do meu desligamento.
Estou completamente arrasado. Eles não me informaram a fundo o porquê, nem deram nenhuma satisfação além de clichês e daquilo que o mínimo de educação exige, mesmo não possuindo nenguma obrigação de me informar. É extremamente frustrante passar por dezenas de entrevistas, processos seletivos, qualquer coisa do gênero, e no fim, nunca conseguir nada. Sinto que o problema sou eu, já não tenho mais ânimo para passar pelas coisas que há meses não me levam a lugar nenhum e minha autoestima que já era baixa agora está quase inexistente.
Eu vejo o tempo passar e eu não conseguindo nada da minha vida, 22 anos, no meio de uma graduação em uma Universidade Federal em viaa de sucateamento e quase nada conquistado. Eu olho para trás e há 5 anos eu não estava em uma situação muito diferente da que estou agora, com a diferença de que antes tinha ânimo e expectativas.
Para piorar, meus pais se divorciaram recentemente, estou com minha mãe, vi a renda domiciliar cair violentamente de um dia para o outro e não tenho uma forma efetiva de ajudar. Comecei a fazer entregas por aplicativo com minha moto no tempo livre, mas não consigo muita coisa além de uns trocados que não duram nem uma semana.
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2019.08.20 16:08 O-Pensador O Individualista e o Comunista: Um Diálogo

Por Voltairine de Cleyre & Rosa Slobodinsky
Usamos "I" para as falas do Individualista e "C" para as falas do Comunista.
I: Nosso anfitrião está ocupado e pede que eu me introduza? senhor, eu peço perdão, mas não tenho o prazer de encontrar o orador Comunista que discursou na reunião na Rua Blank na noite passada?
C: Seu rosto também me parece familiar.
I: Sem dúvida você deve ter me visto lá, ou em algum lugar parecido. Estou contente com a oportunidade de falar com você já que seu discurso lhe provou ser uma espécie de pensador. Talvez...
C: Ah, de fato agora eu te reconheço. Você é o defensor do Anarquismo capitalista?
I: Anarquismo capitalista? Ah sim, se você o quiser chamar. Nomes são indiferentes para mim. Não tenho medo de rótulos [1]. Que seja então, Anarquismo capitalista.
C: Bem, eu vou te ouvir. Entretanto eu não acho que seus argumentos terão muito efeito. Com qual membro da sua Santa Trindade você vai começar: terra, dinheiro, ou competição livre?
I: Com aquele que você preferir.
C: Competição livre então. Porque você faz tal demanda? A competição não é livre agora?
I: Não. Apenas um dos três fatores de produção é livre. Trabalhadores são livres para competirem entre si, e da mesma forma os capitalistas até certo ponto. Mas entre trabalhadores e capitalistas não há competição alguma, porque através de privilégios governamentais concedidos ao capital, de forma que tanto a quantidade da moeda e a taxa de juros são reguladas, seus possuidores (NT: do capital) estão em condições de manter os trabalhadores dependentes deles para conseguir emprego, fazendo então a condição de assalariamento perpétua. Não, assim que uma pessoa, ou uma classe, tem condições de prevenir outros de trabalharem por conta própria por não conseguirem obter os meios de produção ou capitalizarem seus próprios produtos, assim que esses outros não são livres para competir livremente com aqueles cujo privilégio os dá os meios. Por exemplo, você pode ver alguma competição entre o fazendeiro e seu contratado? Não acha que ele preferiria trabalhar para si mesmo? Por que o fazendeiro o emprega? Não é para realizar lucros com o trabalho daquele? E o homem contratado o deu aquele lucro de pura boa vontade? Ele não preferiria possuir todo o produto de seu trabalho a sua disposição?
C: E daí? O que isso prova?
I: Estou chegando diretamente lá. Agora, essa relação entre o fazendeiro e seu contratado de alguma forma lembra uma ligação cooperativa entre iguais, livres para competir, mas escolhendo trabalharem juntos para benefício mútuo? Você sabe que não. Não enxerga que já que o contratado não renuncia espontaneamente a uma grande parte de seu produto ao empregador (não é da natureza humana que o faça), deve haver algo que o força a fazer isso? Não enxerga que a necessidade de procurar um empregador é forçada sobre ele por sua falta de capacidade de comandar os meios de produção? Ele não pode se empregar, então ele deve vender seu trabalho com uma desvantagem com relação àquele que controla a terra e o capital. Consequentemente ele não é livre para competir com seu empregador mais do que um prisioneiro é livre para competir com seu colega de cela por ar fresco.
C: Bem, eu admito tanto. Certamente o empregado não pode competir com seu empregador.
I: Então você admite que não há competição livre no presente estado da sociedade. Em outras palavras, você admite que a classe trabalhadora não é livre para competir com os detentores do capital, porque eles não têm, e não conseguem obter, os meios de produção. Agora quanto ao seu "e daí"?. Disso segue que se ela tivesse acesso à terra e oportunidade de capitalizar seu o produto de seu próprio trabalho elas iria ou se empregar, ou, se empregada por outros, seus salários, ou remuneração, subiriam ao produto total de seu esforço, já que ninguém trabalharia para outro por menos do que poderia obter trabalhando por conta própria.
C: Mas seu objetivo é idêntico ao do Comunismo! Porque tudo isso para me convencer de que os meios de produção devem ser tirados dos poucos e dados a todos? Comunistas acreditam nisso; é precisamente por isso que estamos lutando.
I: Você me interpretou errado se você acha que queremos tirar ou dar para alguém. Nós não temos esquemas para regular a distribuição; não substituímos nada, não fazemos planos. Deixamos tudo a cargo do infalível equilíbrio da oferta e demanda. Dizemos que com oportunidades iguais para produzir, a divisão do produto necessariamente se aproximará de uma distribuição equitativa mas não temos método para "estabelecer" tal equalização.
C: Mas alguns de nós não serão mais fortes e habilidosos, outros fracos e não habilidosos? Uma pessoa não irá privar a outra porque é mais sagaz?
I: Impossível! Não acabei de lhe mostrar que o motivo pelo qual uma pessoa controla a maneira de viver de outra é porque controla as oportunidades de produzir? Faz isso através de um privilégio governamental. Agora, se esse privilégio for abolido, a terra se torna livre, e a habilidade de capitalizar produtos acabando com os juros, e um homem é mais forte ou esperto do que outro, ele de qualquer forma não pode lucrar com o trabalho de outro, porque ele não pode impedir esse outro de se empregar. A causa da subjugação foi removida.
C: VOCÊ chama isso de igualdade! Que um homem possa ter mais do que outros simplesmente porque ele é mais forte ou esperto? Seu sistema não é melhor do que o presente. O que estamos lutando contra não é simplesmente contra essa própria desigualdade nas posses?
I: Mas o que é igualdade? Igualdade significa que eu deva desfrutar do que você produziu? De forma alguma. Igualdade significa simplesmente a liberdade de cada indivíduo de desenvolver todo o seu ser, sem impedimento por parte de outro, seja ele mais forte ou mais fraco.
C: O que! Você fará com que uma pessoa mais fraca sofra porque é mais fraca? Ela pode precisar tanto quanto, ou mais do que uma pessoa forte, mas se ela não é capaz de produzir o que acontece com sua igualdade?
I: Eu não tenho nada contra você dividir seu produto com o mais fraco se você assim desejar.
C: Lá vem você com caridade novamente. O Comunismo não quer caridade.
I: Eu sempre me encanto com a singularidade da matemática Comunista. Meu ato você chama de caridade, nosso ato não é caridade. Se uma pessoa faz um ato benevolente você a estigmatiza; se um mais um, somados e chamados de comuna, fazem a mesma coisa, você aplaude. Por alguma espécie de alquimia parecida com a transmutação dos metais, o arsênico da caridade se torna o ouro da justiça! Cálculo estranho! Não percebe que está fugindo de um rótulo novamente? Você muda o nome, mas o caráter da ação não é alterado pelo número de pessoas participando dela.
C: Mas não é a mesma ação. Eu te ajudar a sair da dificuldade é a caridade da posse superior para com a inferior. Mas basear a sociedade sob o princípio: "De cada um de acordo com sua capacidade, e para cada um de acordo com sua necessidade" não é caridade de forma alguma.
I: Isso é uma discriminação que não possui base lógica. Mas suponha que, por enquanto, deixemos a discussão da caridade, que é realmente um ponto menos importante, como uma discussão mais profunda irá mostrar.
C: Mas eu acho que é bem importante. Veja! Temos dois trabalhadores. Um consegue fazer cinco pares de sapato por dia; um outro talvez, não mais do que três. De acordo com você, o trabalhador mais lento será privado das alegrias da vida, de forma alguma será capaz de conseguir mais do que o outro, graças a uma falta de habilidade natural de produzir tanto quanto seu competidor, algo que não é sua culpa.
I: É verdade que sob nossas condições presentes, existem tais diferenças no poder produtivo. Mas estas, em grande parte, seriam aniquiladas pelo desenvolvimento das máquinas e da habilidade de usá-las na ausência de privilégio. Hoje a maioria dos profissionais está trabalhando em ocupações incompatíveis. Por quê? Por que eles não têm nem a chance de descobrir para o que são aptos, nem a oportunidade de se devotar a isto se tivessem descoberto. Eles morreriam de fome enquanto procuram; ou, ao encontrar, apenas enfrentariam o desapontamento de ser mantidos fora das fileiras de um já superlotado caminho de vida. Profissões são, por força das circunstâncias, o que eram anteriormente por lei, assuntos de herança. Eu sou um alfaiate porque meu pai era um alfaiate, e era mais fácil para ele me introduzir aquele modo de ganhar a vida do que qualquer outro, mesmo que eu não tivesse nenhuma adaptação especial para tanto. Mas ao postular chances iguais, que é livre acesso e capital que não cobra juros, quando um homem se vê incapaz de fazer sapatos tão bem ou tão rapidamente como seu co-trabalhador, ele rapidamente procuraria uma ocupação mais compatível.
C: E ele ficará migrando de uma profissão para outra como um andarilho atrás de abrigo!
I: Oh não; seu abrigo será garantido! Quando você admitiu que a competição atual não é livre, eu não te disse que quando ela começar a ser, uma das duas coisas acontecerá: ou o trabalhador se empregará ou o contratante deverá lhe pagar o valor total de seu produto. O resultado seria maior demanda por trabalho. Capaz de se empregar, o produtor conseguirá a totalidade de sua produção, seja trabalhando independentemente, por contrato, ou cooperativamente, já que a competição de oportunidades, assim chamando, destruiria a possibilidade de lucros. Com a recompensa do trabalho aumentada a todo o seu resultado, um padrão de vida mais alto necessariamente seguirá; as pessoas irão querer mais em proporção ao seu desenvolvimento intelectual; com a gratificação de desejos aparecem novas necessidades, todas as quais garantem constante demanda por trabalho. Assim, até seu andarilho de profissões terá certeza de sua existência.
Mas você deve considerar ainda que o processo de trocar de profissão não é tão difícil como era antigamente. Anos atrás, se esperava que um mecânico, ou trabalhador, servisse de quatro a sete anos de aprendizado. Ninguém era um trabalhador completo até saber todos os vários departamentos de sua profissão. Hoje todo o sistema de produção foi revolucionado. Homens se transformam em especialistas. Um fabricante de sapatos, por exemplo, passa seus dias fazendo uma costura em particular. O resultado é maior rapidez e proficiência em um espaço de tempo comparativamente menor. Nenhuma grande quantidade de força ou habilidade é necessária; a máquina propicia ambos. Agora você irá rapidamente ver que, mesmo supondo que um indivíduo muda sua vocação meia dúzia de vezes, ele não vagará muito antes de achar uma a qual ele seja apto, e na qual ele possa competir com outros com sucesso.
C: Mas admitindo isso, você não acredita que haverá sempre alguns que poderão produzir mais do que seus irmãos? O que irá preveni-los de obter vantagens sobre os menos capazes?
I: Certamente eu acredito que existam tais diferenças em habilidade, mas que elas levarão a iniquidade que você teme eu nego. Suponha que A produza mais do que B, de alguma forma ele prejudica o último desde que não previna B de aplicar seu próprio trabalho para explorar a natureza, com as mesmas facilidades que ele mesmo teve, seja se empregando ou por contrato com outros?
C: É isso que você chama de direito? Irá isso produzir irmandade entre os seres humanos? Quando eu vejo que você está desfrutando de coisas que eu não posso conseguir, o que pensa que serão meus sentimentos para com você? Não devo invejá-lo e odiá-lo, assim como os pobres fazem com os ricos hoje?
I: Bem, você irá odiar um homem porque ele tem olhos mais bonitos ou melhor saúde do que você? Você quer demolir o manuscrito de uma pessoa apenas porque ela o supera na caligrafia? Você iria cortar aquele comprimento a mais do cabelo de Sansão, e dividi-lo igualmente com todas as pessoas de cabelo curto? Você irá pegar uma fatia do talento do poeta e colocar no armazém comum para que todos possam ir e pegar um pouco? Se tivesse uma mulher bonita em sua vizinhança que devota seus sorrisos a seu irmão, você deve se irritar e insistir que eles sejam distribuídos de acordo com as necessidades da Comuna? As diferenças de habilidade natural não são, na liberdade, grandes o bastante para prejudicar alguém ou perturbar o equilíbrio social. Nenhum homem pode produzir mais do que três outros; e mesmo garantindo tanto, você pode ver que isso não criaria o abismo que separa Vanderbilt [2] e seu manobreiro nas suas pistas.
C: Mas ao estabelecer justiça igual, o Comunismo preveniria até a possibilidade de injustiça.
I: É justiça tirar do talento e recompensar incompetência? É justiça virtualmente dizer que a ferramenta não é do trabalhador, nem o produto do produtor, mas de outros? É justiça roubar esforço ou incentivo? A justiça que você procura não está em tal injustiça, aonde igualdade material poderia ser obtida apenas no patamar da mediocridade. Ao passo que a liberdade de contrato aumenta, os sentimentos mais nobres e simpatias invariavelmente alargam. Com liberdade de acesso a terra e capital, nenhuma desigualdade evidente na distribuição poderia resultar. Nenhum trabalhador ultrapassa ou fica abaixo do dia médio de trabalho. Nada exceto o poder de escravizar através de controle das oportunidades de utilizar a força de trabalho poderia criar as grandes diferenças que testemunhamos.
C: Então você sustenta que seu sistema irá praticamente resultar na mesma igualdade que o Comunismo demanda. Ainda, concedendo tanto, levará cem anos, ou mil, talvez, para trazê-la. Enquanto isso as pessoas estão passando fome. O Comunismo não se propõe a esperar. Ele propõe ajustar as coisas aqui e agora; fazer as coisas mais iguais enquanto estamos aqui para vê-las, e não esperar até a doce impossível época que nossos netos, bisnetos possam ver seu amanhecer. Por que você não se junta a nos e nos ajuda a fazer algo?
I: Sim, nós mantemos que igualdade comparativa será obtida, mas pré-planejamentos, instituição, "direção" nunca poderão trazer o resultado desejado " a sociedade livre. Concordando com o argumento que qualquer planejamento é um golpe no progresso, isso é realmente algo impossível de se fazer. Pensamentos, como coisas, crescem. Não se pode pular da germinação para a árvore perfeita num momento. Nenhum sistema social pode ser instituído hoje que se aplicará as demandas do futuro; isto, sob a liberdade, se ajustará. Essa é a diferença entre o Comunismo e a cooperação. O primeiro fixa, ajusta, combina coisas, e tende a rigidez que caracteriza as conchas descartadas das sociedades passadas; a outra confia na infalível sobrevivência dos mais fortes, e o alargamento das simpatias humanas com a liberdade; a certeza de que aquela que esteja em linha com o progresso tendendo ao ideal industrial irá, num campo livre, conseguir por força de sua superior atração. Agora você deve admitir, também, que haverá sob a liberdade diferentes arranjos sociais em diferentes sociedades, alguns Comunistas, outros o completo oposto, e que a competição irá necessariamente surgir entre eles, deixando os resultados determinarem qual é o melhor, ou você deverá destruir a competição, instituir o Comunismo, negar a liberdade, e se opor ao progresso. O que o mundo precisa meu amigo, não são de novos métodos de instituir coisas, mas a abolição de restrições sob oportunidades.
Notas do Tradutor
[1] No original a palavra usada era "bugaboos", que significa uma espécie de medo infundado. Traduzi como "rótulo" para haver sentido. [2] Cornelius Vanderbilt era um magnata das estradas de ferro nos EUA no século XIX
Tradução de Rafael Hotz
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2019.08.17 22:09 BlindLouse Esquerdilson na resistência

— Ainn! Olha esse absurdo!
— O que é que foi, Esquerdílson?
— O Bozo! Agora vai obrigar a gente a trabalhar aos domingos!
— Quem foi que te falou isso?
— Ué, eu vi aqui, no Twitter do deputado do PSOL.
— Esquerdílson, vem cá, senta aqui.
— Fala.
— Se é domingo e você quer um pãozinho pro café da manhã, o que você faz?
— Hein?
— Domingo. Café da manhã. Pãozinho. Quer que desenhe?
— Eu vou na padaria, ué.
— Sei. E se seu time perde e te dá uma dor de cabeça no domingo à noite? E você precisa de uma dipirona?
— Dããã. Vou ali na farmácia.
— Certo. E se é domingo e você quer sair de rolê com a sua mina?
— O que é que tem?
— Cineminha?
— Pode ser.
— O shopping está aberto, o cinema está aberto, estão lá o cara da bilheteria, o da projeção, o que vende aquela pipoquinha cara?
— Hum.
— Pode ser outra coisa, restaurante, balada, botequim, motelzinho. Não pode?
— Aham.
— Mas pode ser que esteja frio e chovendo no domingo à noite. Você pede uma pizza?
— Uhum.
— Alguém faz a pizza pra você e alguém leva a pizza até portaria do prédio?
— É.
— E o porteiro, que está lá, interfona, gritando “Seu Esquerdilço, chegô a pítiça”?
— É, mas…
— Não, espera. Supondo que você acordou cedo no domingão e está aquele sol. E te dá vontade de fazer um bate-e-volta na Praia Grande, só pra dar um tchibum.
— O que é que tem isso?
— A estrada está aberta?
— Tá.
— Tem polícia, o pessoal da concessionária, o povo do pedágio?
— Uhum.
— Chegando lá, tem quiosque aberto, cervejinha, peixinho frito?
— Tem.
— De repente, até uma duplinha sertaneja cantando umas modas tem, né?
— Tem.
— Mas supondo que o peixinho não estivesse muito bom e te desse um piriri, tem pronto-socorro?
— Aham.
— E após ser liberado no pronto-socorro, como você está numa noite de domingo de muito azar, seu carro quebra na subida da serra.
— Pô, cara, assim já é demais.
— Você pega o celular e, olha só!, sua operadora está operando em pleno domingo!
— Tá, tá.
— E você chama o socorro da seguradora e o cara vai te acudir.
— Aham…
— Vem cá, Esquerdílson.
— Fala.
— Por que você nunca reclamou desse mundaréu de gente trabalhando pra você poder curtir seu domingo?
— Não, mas veja bem…
— E eu nem falei de supermercado. Feira livre. Parque público. Museu. Teatro. Bombeiro. Metrô. Busão. Táxi. Uber. Engenharia de tráfego.
— Ah, cara, não tô mais a fim desse papo, vou embora, quero ver o Fantástico.
— Ué, mas no seu mundo não pode funcionar TV de domingo, né?
— Não me amola.
— Nem TV, nem rádio. Aliás, nem internet pra você curtir post do deputado do PSOL, hein?
— Tô indo, tchau.
— Você não acende uma lâmpada, não abre uma torneira se não tiver alguém trabalhando pra você, Esquerdílson!

— Fascista!

— Fascista era a Carta del Lavoro!
— Que porra é essa?
— Era a mãe da CLT, desses “direitos” que você gosta tanto.
— Não sei do que você tá falando, vou embora.
— Mas, ó: tem alguém que com toda certeza não trabalha aos domingos!
— Quem?
— O seu deputadinho do PSOL!
— Fui! Não dá pra conversar com Gado! Eleitor do Bozo! Nazista! Fascista! Racista! Homofóbico!
— Procura por ele na piscina do Copacabana Palace!
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2019.08.17 22:03 fidjudisomada Primeira Liga 2019/20, #2: Os Belenenses, SAD 0-2 SL Benfica

NEM O RELVADO PAROU O BENFICA!

Rematador, persistente e determinado, o Benfica rompeu a organização defensiva do Belenenses SAD e, com golos no segundo tempo (Rafa e Pizzi), venceu por 0-2 na deslocação ao Estádio Nacional. Duas jornadas da Liga NOS, dois triunfos, com sete golos marcados e zero sofridos.
Porque todos os minutos são preciosos, o Benfica, perante um Belenenses SAD com uma linha defensiva formada por cinco elementos, entrou na partida a evidenciar objetividade no ataque e sentido de baliza. Rafa, no minuto inicial do encontro, esgueirou-se pela esquerda e deu trabalho ao guarda-redes Koffi, que mergulhou no relvado para desfazer a potencial ocasião de golo.
Com Pizzi a criar e a (bem) servir o ataque, apesar do (mau) estado do relvado, Raul de Tomas, aos 7', recebeu o esférico na grande área e rematou para defesa de Koffi. Gerando uma segunda vaga imediata, o espanhol procurou a finalização de Seferovic, mas o camisola 14 das águias não conseguiu emendar para dentro da baliza belenense.
Ligando o meio-campo e o ataque, o Benfica dispôs de nova chance aos 18'. Rafa combinou com Pizzi no corredor central, correu e recebeu dentro da área, onde iludiu o guardião Koffi com um toque subtil. Apareceu, no entanto, Nuno Coelho a salvar o Belenenses SAD quase em cima da linha de baliza, repelindo o esférico de qualquer maneira para longe.
Rafa, a fazer um passe certeiro, esteve também em ação no lance que aos 22' quase terminava com a bola colada às malhas do Belenenses SAD, mas Raul de Tomas, de pé direito, errou o alvo por centímetros: o esférico passou a rasar o poste direito.
Um livre direto (a castigar falta de Kau sobre Rafa, cujas "diabruras" penalizaram os adversários com cinco cartões amarelos...) levou Grimaldo para excelente posição para visar a baliza adversária aos 36', mas o lateral-esquerdo do Benfica acertou primeiro na barreira e depois atirou por cima da trave.
O Benfica, sempre muito apoiado pelos milhares de adeptos nas bancadas, continuou a rondar as malhas guardadas por Koffi, e Rafa, aos 41', tentou o golo num toque vistoso no coração da área, depois de um cruzamento de Grimaldo a partir da esquerda. O esférico, no entanto, tomou a direção do guarda-redes da equipa da casa.
A fechar a etapa inicial, a única jogada em que o Belenenses SAD incomodou verdadeiramente a defensiva do Benfica: Kikas escapou pela zona central (Rúben Dias escorregou), mas Odysseas respondeu "presente" e, com muita competência, parou a tentativa de finalização do atacante dos azuis.
De uma aceleração de Rafa sobre a ala direita, seguida de cruzamento, resultou a primeira chance para o Benfica após o intervalo. Seferovic, na área, cabeceou sobre a barra (47').
Os encarnados foram pressionando para se adiantarem no marcador e alcançaram o seu objetivo aos 58': Rafa, descaído para a esquerda, porfiou, jogou curto com Pizzi (assistência) e, já dentro da área, perto da marca de penálti, rematou forte e colocado para o 0-1. O camisola 27 estreava-se assim a faturar na Liga NOS 2019/20.
O Benfica procurou reforçar a vantagem, perante um Belenenses SAD que deu luta e se esforçou para contrariar os intentos do campeão em título. Ainda assim, a equipa azul só num lance no segundo tempo (em que o pé direito de Nuno Tavares não afastou a bola da área) criou calafrios a Odysseas (79').
Contando já com Chiquinho nas elaborações ofensivas (rendeu Raul de Tomas aos 74'), o Benfica desenhou um lance perfeito aos 84' e marcou o 0-2, cabendo a conclusão a Seferovic. Porém, na revisão da jogada, o videoárbitro Carlos Xistra e o árbitro Fábio Veríssimo descortinaram um (muito duvidoso) fora de jogo de Seferovic e anularam o golo.
Em tempo de compensação (e ainda antes de Vinícius e Taarabt renderem Seferovic e Pizzi), as águias fabricaram o desejado 0-2, com Rafa na condução da ofensiva pela esquerda, derivando depois para o meio a fim de assistir Pizzi, que controlou e disparou cruzado com o pé direito, na área (90'+2').
Na ronda n.º 3 o Benfica volta ao Estádio da Luz para jogar o primeiro clássico da temporada, com receção ao FC Porto às 19h00 do dia 24 de agosto (sábado).

BRUNO LAGE: “SÓ UM GRANDE BENFICA PODIA PARAR ESTE BELENENSES”

No rescaldo da vitória frente ao Belenenses (0-2), Bruno Lage mostrou-se “satisfeito” com a exibição da equipa e olhou já para o Benfica-FC Porto do próximo sábado, recusando a ideia de que é um clássico decisivo.
Primeira parte de “enorme qualidade” e golos naturais na segunda
“Vou tocar num assunto, e só vou falar sobre isto porque vencemos. Se não tivéssemos vencido poderia soar a desculpa, mas esta relva dificulta muito a qualidade dos jogadores. Neste caso, de ambas as equipas. O Belenenses SAD tem uma excelente equipa. É um facto que temos melhores jogadores, mas hoje só um grande Benfica podia parar este Belenenses. Foi isso que fizemos, com uma primeira parte de enorme qualidade. Com uma forte pressão, condicionámos ao máximo aquilo que poderia ser um sistema habitual e com bola fomos inteligentes a procurar o corredor e os espaços certos para criar as várias oportunidades de golo.
“Na segunda parte, fizemos novamente uma boa entrada e, com alguma naturalidade, chegámos ao golo. Esse momento fica marcado por algum equilíbrio do Belenenses SAD que, entretanto, foi mudando a disposição do seu meio-campo, até que tentou arriscar mais, pressionar-nos mais à frente. A entrada do Chiquinho foi fundamental para criarmos aquela oportunidade de golo e voltarmos a marcar. O jogo aí ficou fechado. Ficamos muito satisfeitos com esta vitória, justa, com uma boa exibição da nossa parte.”
Chiquinho, o “craque”
“O Chiquinho é um craque. Ele faz muitas posições, mas o mais importante são as movimentações que ele faz. Deixa-me muito satisfeito ter um jogador com a sua qualidade na nossa equipa. É um jogador muito importante.”
Parelha Pizzi e Rafa
“Não é olhar apenas para dois jogadores. Os movimentos deles favorecem movimentos de outros que, por sua vez, também são favorecidos por movimentos de outros. Foi um jogo muito interessante. Entradas de rotura, quer de um lado quer do outro. É verdade que ambos estão em dois momentos de forma, marcam os dois golos... Estamos satisfeitos essencialmente por aquilo que fizemos em termos coletivos.”
“Por vezes, devido àquilo que é a dinâmica e, fundamentalmente, a estratégia, quem analisa o jogo apenas por aquilo que é a posição dos jogadores, fica com a ideia que não jogamos com alas. Hoje foi um bom jogo para se perceber que, quando devem dar largura ou quando têm de jogar como alas, eles também o sabem fazer.”
A dupla Seferovic-Raul de Tomas
“É sempre injusto fazer análises individuais, mas acho que podem combinar e foi visível isso hoje. É muito difícil que as coisas saiam de forma automática, por isso da mesma forma em que, em termos coletivos, estamos no processo de evolução, os jogadores também ainda se estão a conhecer, principalmente aqueles que entraram. Depois é tentar tirar partido daquilo que é também a sua forma de jogar: o Raul jogava de outra maneira; temos o Chiquinho que faz outro tipo de movimentos que também nos favorecem muito… O mais importante é termos soluções para dar resposta a cada jogo.”
“Os homens mais importantes para estarmos a zero são o Seferovic e o Raul de Tomas. Vejam o que eles correm para não sofrermos golos.”
Os centrais Ferro e Rúben Dias
“O meu irmão [Luís Nascimento] era o treinador deles nos Iniciados, ou seja, já jogam juntos há imenso tempo e isso favorece. O que importa realçar é a qualidade dos dois, mas a qualidade que temos nos quatro centrais – eles os dois, mais o nosso sargento Jardel e o Conti – dá-nos totais garantias para esse sector.”
Clássico decisivo?
“Decisivo o Benfica-FC Porto à 3.ª jornada? Nada é decisivo. Isto é um longo caminho.”
Benfica ou FC Porto, quem está mais forte?
“É difícil fazer essa análise porque ainda temos de melhorar o nosso jogo. Neste momento todas as equipas estão à procura da sua melhor forma. Cada jogo é um momento. Ambas as equipas vão ter tempo para trabalhar, para continuar a evoluir, dentro do jogo e dentro de campo, e nesse momento é que temos de dar a devida resposta do nosso valor e da nossa evolução. O que importa agora é olhar para o que fizemos de bom, para o que temos de melhorar. Saímos de um jogo e começamos a preparar o outro. Perceber como é que o FC Porto joga, as suas dinâmicas e depois prepararmo-nos da melhor maneira para continuarmos neste caminho. Daqui a uma semana, o FC Porto vai colocar-nos problemas completamente diferentes daqueles que nos colocou o Belenenses SAD. A resposta é em cada momento.”
Chegar ao clássico sem golos sofridos
“O importante é sair do jogo e entrar no outro – independentemente de ser com o FC Porto ou não – com esta dinâmica de vitória, sentir que a equipa está a evoluir e não sofrer golos. Foi o que fizemos com o terminar de uma época e entrar na outra. Foi aproveitar a nossa qualidade, a forma como terminámos o Campeonato, para que aquelas cinco semanas de férias não se notassem. Esse tinha de ser o nosso desafio. Independentemente de termos conquistado o Campeonato, tínhamos de ter uma entrada muito forte na época. Era isso que nos interessava.”
Poupança de André Almeida?
“Não estamos a poupar ninguém. Está a treinar bem, temos mais uma semana para evoluir. Quer o onze quer os suplentes são sempre escolhidos em função do jogo. Vejam porque é que o Caio [Lucas] hoje foi para o banco... Vejam o nosso primeiro golo contra o Chivas [na ICC]. O Belenenses SAD também joga com uma linha defensiva de cinco. Vejam o jogo e a importância dele. Se hoje precisasse de mexer no jogo, tinha o Caio no banco. Na semana passada, numa linha de quatro, preferi ter o Jota. As coisas são pensadas assim e é assim que penso o futebol.”

Coisas e Loisas

  • Intervalo: Belenenses SAD 0-0 Benfica. Raúl de Tomás na 1.ª parte: 25 ações com a bola (9.º da equipa); 1 ocasião clara de golo; 3 remates (1 à baliza); 14 passes (85% eficácia); Ganhou 33% dos 9 duelos e 33% dos 3 aéreos; 2 faltas cometidas; 6 perdas de bola;
  • 60' Belenenses SAD 0-1 Benfica. Rafa Silva após cinco remates (3 à baliza e 2 bloqueados) coloca o Benfica em vantagem; é o jogador mais rematador da partida. 93% eficácia de passe; 70% duelos ganhos (7); 3 recuperações de bola; Fez o 5.º golo frente ao Belenenses SAD;
  • 70' Belenenses SAD 0-1 Benfica. Rafa Silva abriu o marcador nas quatro das últimas cinco vezes que marcou pelo Benfica (Belenenses, Sporting, Rio Ave e Portimonense);
  • 90'+3 Belenenses SAD 0-2 Benfica. Pizzi está no seu melhor arranque de sempre da carreira: 3 jogos; 5 golos; 3 assistências; 1,66 golos/jogo; 2 bis;
  • Apito final: Belenenses SAD 0-2 Benfica. Pizzi lidera a lista na Liga NOS 19/20: Melhor marcadores (3 golos); Mais assistências (2 assistências);
  • Apito final: Belenenses SAD 0-2 Benfica. Pizzi no jogo: 1 golo; 1 remate (100% eficácia); 5 passes de rutura [1.º no jogo]; 1 assistência; 6 cruzamentos (50% eficácia); 6 recuperações de bola; 1 tackle; 1 intercepção de bola;
  • Apito final: Belenenses SAD 0-2 Benfica. Benfica não sofreu golos nos três primeiros jogos da época 2019/20, o melhor registo dos últimos cinco anos. Foi a 2.ª vez em 29 anos que este registo aconteceu na formação encarnada;
  • Apito final: Belenenses SAD 0-2 Benfica. Foi a 10.ª vez na história das águias que o Benfica chegou aos três primeiros jogos da época sem golos sofridos: 1913/14; 1915/16; 1932/33; 1974/75; 1975/76; 1980/81 [4J - recorde do clube]; 1990/91; 2014/15; 2019/20;
  • Apito final: Belenenses SAD 0-2 Benfica. Maiores diferenças de golos do Benfica nos três primeiros jogos da época: 1913/14 - 16 golos de diferença (16-0); 2019/20 - 12 golos de diferença (12-0); 1974/75 - 12 golos de diferença (12-0);
  • Apito final: Belenenses SAD 0-2 Benfica. Duas épocas depois o Benfica vence os três primeiros jogos da época. Foi apenas a 2.ª vez em 17 anos que as águias venceram os três primeiros jogos da época. Últimos 5 registos do clube: 2019/20; 2017/18; 2002/03; 1990/91; 1983/84;
  • Apito final: Belenenses SAD 0-2 Benfica. Bruno Lage venceu todas as equipas que defrontou na Liga Portuguesa (95% de vitórias). Falta defrontar o Gil Vicente e o Famalicão. 21 Jogos; 20 Vitórias; 1 Empate (Belenenses SAD); 79 Golos marcados; 16 Golos sofridos; +63 Dif.;

Multimédia

Eleição do MVP

Talking Points

Preparámos uma lista de temas para conversas sobre este jogo, mas estejam à vontade para passar por cima dela, ou pegar num ou alguns, e apresentar as tuas observações e expressar opiniões:
  1. O resultado foi justo? Na tua opinião, o que faltou à equipa para alcançar um resultado ou exibição melhor?
  2. Está satisfeito com a resposta da equipa hoje? Qual foi o aspeto do jogo que mais te impressionou?
  3. Com o benefício da visão a posteriori, que alterações farias ao 11 inicial?
  4. Em retrospetiva, o que farias diferente ao longo do jogo? Como avalia os critérios de substituição? Trouxeram algo diferente ao jogo?
  5. Qual foi o jogador que mais se destacou com a camisola do SL Benfica? Nessa nota, quem foi a maior deceção?
  6. Quais são os aspetos positivos que o SL Benfica pode tirar deste jogo?
  7. Enfrentaremos o FC Porto na próxima partida, no Estádio da Luz, em jogo a contar para a 3.ª rodada da Primeira Liga 2019/20. Quais as perspetivas?

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2019.07.21 00:26 fidjudisomada ICC 2019, #1: SL Benfica 3-0 CD Guadalajara

BRUNO LAGE: “MUITO SATISFEITO COM O TRABALHO DE TODOS”
O treinador do Benfica deixou elogios ao grupo de trabalho após o 3-0 ao Chivas no jogo de estreia na International Champions Cup.
O Benfica entrou nesta edição da International Champions Cup a vencer o Chivas, por 3-0. No final da partida, em conferência de Imprensa, Bruno Lage analisou a exibição coletiva e mostrou-se satisfeito com as dinâmicas apresentadas após três semanas de trabalho.
Análise à exibição da equipa
“Fizemos um bom jogo, independentemente do resultado. É importante vencer, mas, neste momento, o mais importante é vermos a dinâmica da equipa. Estamos muito contentes por, após três semanas de trabalho, jogar com esta qualidade. Temos de ir ao encontro da intensidade que nos caracteriza e isso só acontece com jogos. Estamos à procura da melhor forma. Neste momento não dou importância ao resultado. Temos de olhar para nós. Até dia 4 de agosto, os resultados não me interessam, mas sim a análise feita à equipa.”
O “casamento” de Raul de Tomas e Seferovic na frente
“Estou muito satisfeito com o trabalho de todos. São os jogadores que criam as dinâmicas. Temos a perceção do que fizemos no jogo, agora vamos analisá-lo e perceber os espaços que cada um procura quando jogam juntos, procurar essa dinâmica. Houve um momento ou outro no jogo em que ambos procuravam o mesmo espaço, mas isso é normal nesta fase em que se estão a conhecer. Muito satisfeito também com a prestação do Jota, que entende melhor o nosso jogo.”
Boa resposta à tática do Chivas
“Foi interessante porque o Chivas jogou em dois sistemas. Tínhamos a indicação de que poderiam jogar em 4x3x3 como jogaram com a Fiorentina. Mas apresentaram-se com uma linha de cinco defesas e depois alteraram para 4x4x2. Os jogadores, dentro de campo, conseguiram ajustar-se em função do sistema adversário e isso deixa-nos satisfeitos. Tivemos momentos muito bons, quer com bola, quer sem bola. Agora é proporcionar o máximo volume de jogo a todos para começarem a jogar na atitude que pretendemos.”
A integração de Raul de Tomas
“Raul de Tomas? Estou satisfeito com o trabalho de todos. Os avançados têm um trabalho enorme porque são os primeiros a defender. O Seferovic até brinca e diz que o treinador só lhe pede para correr, correr, correr… Viram o trabalho defensivo que fez, marcou o golo e foi o homem do jogo. Quando os avançados deixarem de correr, não vamos conseguir jogar desta maneira. Já conhecíamos o Raul de Tomas, sabíamos que tem golo e agora é conhecermo-nos dentro e fora de campo. Está a ser muita positiva a integração dele.”
Ser competitivo para evoluir a cada dia
“Gosto de me deitar e acordar a pensar que tenho de fazer mais e melhor. É um lema de vida e é isso que tento passar aos jogadores. Há sempre alguém a lutar para ter o meu lugar. Da baliza até ao ponta de lança estamos no mercado para trazer competitividade ao plantel. Queremos e estamos a construir uma equipa que seja sempre competitiva, para que possamos dar passos em frente para evoluir. Não só no Campeonato, mas para fazer uma boa Liga dos Campeões. Temos de trazer competitividade para o plantel, mas estou satisfeito com todos. Não vou falar de jogadores sem que integrem a comitiva antes.”
Nuno Tavares a lateral-direito: a explicação
“O Nuno Tavares consegue desempenhar bem as duas funções. É certo que melhor à esquerda do que à direita. O Tyronne Ebuehi está a recuperar de lesão e as indicações que tínhamos era de lhe dar 15/20 minutos de jogo; o André Almeida está perto de recuperar para recomeçar. As oportunidades são dadas, todos têm de fazer pela vida porque os resultados a partir de 4 de agosto já começam a valer. Vamos avançar com o melhor onze nessa altura. Ninguém fica para trás, mas, quem começar a ter rendimento mais cedo, entra na equipa.”
A CRESCER COM QUALIDADE E GOLOS
O Benfica entrou da melhor maneira (com exibição segura e vitória) na International Champions Cup 2019.
Uma exibição muito bem conseguida, acompanhada de eficácia nas zonas de finalização, encaminhou o Benfica para um triunfo motivador sobre o Chivas (3-0) na estreia das águias na International Champions Cup 2019.
Um golo na primeira parte e dois no segundo tempo, com três autores diferentes (Raul de Tomas, Rafa e Seferovic), adocicaram o jogo no Levi's Stadium, na Califórnia, perante um oponente que está prestes a iniciar a competição oficial, no México.
Debaixo de calor (às 13h00 locais, 21h00 em Portugal Continental), mas solta e decidida a impor o seu futebol, a equipa benfiquista teve no pé esquerdo de Gabriel uma primeira tentativa para alvejar a baliza do Chivas (2'). No lance seguinte foi Raul de Tomas, de fora da área, a errar as redes por muito pouco.
Práticos e incisivos na exploração de combinações pelos flancos, os encarnados desenharam pelo lado esquerdo o lance do golo inaugural quando estavam decorridos apenas quatro minutos. Caio Lucas, numa excelente iniciativa, rompeu, com técnica e velocidade, e cruzou com precisão para o toque final de Raul de Tomas sobre o segundo poste. Com uma excelente movimentação na área, o camisola nove das águias (que fez dupla de ataque com Seferovic) procurou o sítio exato para concluir a jogada e assinar o 1-0.
Interpretando com rigor os preceitos idealizados pelo treinador Bruno Lage, os jogadores do Benfica davam largura e profundidade ao jogo, com uma circulação de bola segura e objetiva (62% de posse no primeiro tempo), procurando forçar desequilíbrios e descobrir caminhos que os levassem para junto das redes da equipa mexicana.
Muito ativos no coração do meio-campo, Florentino e Gabriel expuseram qualidades nos momentos de criação ofensiva, com bola, mas também nas fases em que era preciso pressionar para recuperar a posse ou retirar espaços ao adversário, de maneira a que não se estendessem no relvado.
Nas laterais, Nuno Tavares (esquerdino) atuou sobre a direita e Grimaldo alinhou no lado esquerdo; ambos se esforçaram no sentido de alongar o jogo da equipa pelos flancos, embora essa tarefa, por uma questão de rotinas, fosse teoricamente mais fácil para o internacional Sub-21 espanhol.
No primeiro tempo, o Benfica dispôs de três cantos, todos executados por Pizzi e de maneiras diferentes, numa demonstração de variedade de soluções para surpreender o adversário.
Na baliza das águias, Odysseas raramente foi chamado a jogo na etapa inicial. Porém, quando "desafiado" pelos atacantes do Chivas, o internacional grego mostrou qualidade em três momentos seguidos da mesma jogada, ao minuto 42, conservando a vantagem (1-0) com que o Benfica chegou ao intervalo.
O Chivas reagiu no arranque da segunda parte e, apostando nos remates de meia distância, acertou por duas vezes na barra da baliza encarnada: Ponce (50') e Vega (60') foram os atiradores do conjunto mexicano.
Depois de ter lançado Jardel e Rafa após o intervalo (saíram Rúben e Caio Lucas), Bruno Lage voltou a mexer nas pedras encarnadas ao minuto 66: Samaris, Chiquinho, Taarabt e Jota renderam Gabriel, Pizzi, Florentino e Raul de Tomas.
Seferovic, após um passe de Jota, ficou a centímetros do 2-0 aos 67', num remate cruzado executado sobre o lado direito da área.
O Benfica reassumia por completo as rédeas da partida faturou o 2-0 aos 70': sobre o corredor central, Jota trabalhou a jogada, viu a desmarcação de Rafa e soltou para o 27, que, descaído para a esquerda, já no interior da área, usou o pé direito para enganar o guarda-redes contrário e atirar a bola para dentro da baliza.
A equipa benfiquista robustecia a vantagem e, aos 73', acrescentou-lhe outro golo: na sequência de um ótimo trabalho de Taarabt no meio-campo, seguindo de passe a rasgar para o eixo do ataque, Seferovic correspondeu, controlou a bola e, diante do guardião do Chivas, chutou de pé direito para o 3-0. E o camisola 14 poderia mesmo ter bisado aos 75', mas o cabeceamento foi sacudido para canto pelo guarda-redes.
Aos 79', mais mudanças nas águias: entraram Cervi, Zivkovic, Fejsa e Tyronne; saíram Nuno Tavares, Grimaldo, Seferovic e Ferro.
Já em tempo de compensação (90'+1'), o Chivas ainda enviou uma bola ao poste direito, novamente a partir de um remate de fora da área (livre direto batido por Huerta).
O resultado estava feito: 3-0 para os jogadores treinados por Bruno Lage, que efetuaram mais um teste com nota positiva nesta pré-temporada. Segue-se o embate com a Fiorentina no Red Bull Arena, em Nova Iorque, às 1h00 do dia 25 de julho (horário de Portugal Continental).
Recorde-se o onze inicial do Benfica no jogo com o Chivas: Odysseas; Nuno Tavares, Rúben, Ferro e Grimaldo; Florentino, Gabriel, Pizzi e Caio Lucas; Raul de Tomas e Seferovic.
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2019.07.10 21:45 agscontabilidade ADMINISTRAÇÃO DO TEMPO

A maioria das pessoas reclama da falta de tempo que dispõe para suas atividades diárias devido à enorme carga de tarefas que tem para executar.
O que ocorre é que as pessoas quando aprendem em um curso acadêmico, ou mesmo ingressam de alguma forma em uma função, profissão, são sempre instruídas sobre “O que” fazer sendo ignorado o modo como se fazer o trabalho, principalmente aos detalhes que fazem o diferencial para se obter uma maior eficiência e eficácia.
Não basta ser especialista no que se faz, é que preciso ter noções da melhor maneira de realizar o trabalho.

COMO ADMINISTRAR MELHOR O SEU TEMPO?

Tempo é das coisas mais indefiníveis e paradoxais: o passado já se foi, o futuro ainda não chegou, e o presente se torna o passado, mesmo enquanto procuramos defini-lo, e como se fosse um relâmpago, num instante existe e se extingue.
Na maioria dos casos, a análise revela que, com alguns ajustes, o indivíduo poderá produzir muito mais, com menos dispêndio de esforços. Chama-se “trabalho inteligente”.
ORGANIZE UMA AGENDA DO TEMPO
Para identificar com precisão como você ocupa o seu tempo, faça uma agenda, dimensione exatamente o percentual de tempo utilizado em cada tipo de atividade.
Pois não podemos controlar nosso tempo se não sabemos exatamente como o estamos utilizando.
Geralmente somos levados a achar que sabemos como utilizamos nosso tempo, mas nem sempre isso é verdade.
O princípio básico para utilizar bem o tempo é priorizar as tarefas realmente importantes e que nos trazem maiores resultados, aquelas que sempre deixamos para executar depois das mais fáceis!
Avaliar a forma como utilizamos nosso tempo é o primeiro passo que devemos dar, e após isso questionar: Os resultados seriam melhores se eu passasse o meu tempo trabalhando em outra atividade?
Como eu poderia executar as tarefas mais importantes com mais freqüência e eficiência?
Um outro aviso importante: Geralmente seus colegas de trabalho tem o costume de lhe passar material, assuntos e tarefas que não dizem respeito à sua atividade principal (ao seu foco).
Este tipo de material deve imediatamente ser retornado à pessoa que realmente deve dar continuidade. Responda na própria correspondência e retorne imediatamente.
Não deixe nada entulhando sua mesa ou caixa postal de e-mail. Sempre que possível evite dar respostas como: Vou ver e lhe retorno depois!. Assim que tiver um retorno lhe informo!
Dê as informações necessárias já no momento para que a pessoa mesmo pesquise sozinha! Não atue como intermediário de nada.

VOCÊ REALMENTE SABE COMO USAR SEU TEMPO?

A primeira medida para melhorar a utilização do tempo é verificar como ele vem sendo empregado.
Muitas pessoas imaginam que sabem como usam seu tempo, mas quando eles são registrados, numa “tabela de tempo”, o resultado é surpreendente para estes indivíduos.
Algumas situações comuns observadas numa tabela de tempo:
Para efetivamente avaliar a utilização do tempo, é necessário questionar o efetivo uso do mesmo.

QUANTO TEMPO UTILIZAR EM CADA TAREFA?

A lei de Parkinson diz que o trabalho tende a preencher (ou adaptar-se) ao tempo disponível ou alocado para ele.
Se você alocar uma hora para uma determinada tarefa, terá mais chances de terminar o trabalho dentro desse prazo, caso estabeleça duas horas para o mesmo trabalho provavelmente utilizará as duas horas para o trabalho.
Estabeleça sempre a quantidade de horas e datas para conclusão de projetos, provavelmente descobrirá um meio de fazê-lo dentro do prazo estabelecido por você, e sua produtividade aumentará bastante.
DIVIDINDO SEU TRABALHO DE ROTINA EM LOTES
A divisão em categorias e o agrupamento de seu trabalho podem ser chamados de “agrupamento”. Processe as informações e as tarefas semelhantes em lotes, reduzindo dessa forma, o desperdício e o deslocamento.
Você executará cada tarefa de forma mais eficiente. Muitos elementos de seu trabalho podem ser reduzidos a simples rotinas que lhe permitirão concluir tarefas semelhantes no mínimo tempo possível.
Esses tipos de tarefas realmente se prestam ao agrupamento. As vantagens de abordar o seu trabalho dessa maneira são várias.
Você verá que o trabalho em lotes permite que você se prepare e se organize para ele de uma só vez, ao invés de ter de fazê-lo várias vezes se o trabalho for feito aleatoriamente.
SUPERANDO O ADIAMENTO
O adiamento provavelmente consumirá mais tempo no seu local de trabalho do que em qualquer outro lugar.
Se você for uma pessoa que costuma adiar, a mudança de atitude para o Faça Agora será um elemento chave para ajudá-lo a identificar onde existe adiamento nos seus hábitos profissionais e a superá-lo.
A maioria das pessoas é muito inteligente, até mesmo engenhosa, no que diz respeito a adiar as coisas. “Eu não tenho muito tempo” é uma desculpa comum.
“Eu acho que eles disseram que não estariam aqui hoje, então eu não liguei.” “Não é tão importante.” A lista de motivos pelos quais uma tarefa não pode ser concluída é interminável.
Seja tão esperto para concluir as coisas quanto o é para adiá-las. Insista até encontrar a solução para cada problema sem adiá-lo.
É aí que você deve concentrar o poder de sua mente, e não em desculpas inteligentes.

AS 8 MANEIRAS DE SUPERAR O ADIAMENTO

1) Faça agora e fará uma vez somente: Não fique lendo e relendo para fazer uma ação. Leia e aja.
2) Clareie a sua mente: Não postergue nada. Programe o que você vai fazer e realmente faça ou esqueça o que você não vai fazer.
3) Resolva os problemas enquanto eles são pequenos: Caso contrário seus problemas crescerão e consumirão mais tempo.
4) Diminua as interrupções desnecessárias: Isso o ajudará a ser mais produtivo.
5) Coloque os atrasos em dia: Os trabalhos atrasados criam o seu próprio trabalho extra.
6) Comece a operar visando o futuro e não o passado: Trabalhe sempre de forma preventiva, antecipando-se.
7) Pare de se preocupar: O grande dano do adiamento é o cansaço mental e psíquico que isso causa.
8) Agora sinta-se melhor em relação a si mesmo: A conclusão de tarefas evita o estresse e a ansiedade e traz mais autoconfiança e auto-respeito.

ESQUEÇA LEMBRANDO

A maioria das pessoas tem certo orgulho da sua capacidade de se lembrar de “tudo” o que deve ser feito.
É um jogo mental que fazem. Embora possam ter sido bem-sucedidas em uma certa época, o ritmo atual do trabalho e da vida particular e o volume de atividades com as quais devemos estar em dia aumentaram tanto que é impraticável estar por dentro de mil coisas a fazer.
Essa preocupação constante de tudo o que precisam fazer, lembrar-se de tudo, simplesmente lhe sobrecarregam, principalmente porque acabam se lembrando de “tudo” nos momentos menos interessantes.
Os executivos e gerentes deveriam se interessar mais em esquecer todas as coisas que têm a fazer. Sim eu disse esquecer.
O que as pessoas precisam é de ter um sistema adequado em prática para se lembrar dessa infinidade de detalhes quando, e só quando, for preciso. Parece loucura? Na verdade não é.

3 PRINCÍPIOS GERENCIAIS CLÁSSICOS DE ADMINISTRAÇÃO DE TEMPO

Três princípios gerenciais clássicos de administração de tempo estão sendo seriamente questionados pelos estudiosos. Estes conceitos são:
  1. Faça uma lista das tarefas que você precisa executar diariamente e concentre-se nelas até que todas estejam executadas.
  2. Cuide primeiro dos assuntos urgentes.
  3. Distribua uniformemente sua carga de trabalho.
O fato é que todo mundo já utilizou estas técnicas frequentemente com algum grau de sucesso.
No entanto, renomados experts como Peter Drucker, Merrill Douglass e o filósofo do século XX, Vilfredo Pareto, afirmam que elas precisam ser descartadas a fim de abrir caminho para métodos mais eficazes.
Aparentemente, as regras são boas. Cada uma delas, entretanto, contém aspectos negativos.
Analisemos em separado estas diretrizes para descobrirmos por que elas precisam ser riscadas do livro de regras gerenciais.
1. Faça uma lista das tarefas que você precisa executar diariamente e concentre-se nelas até que todas estejam executadas.
O que há de errado nisto? Uma porção de coisas. Conforme Drucker aponta, é preciso equilibrar o trabalho com o tempo.
Lembre-se que o tempo é imutável, ao passo que o trabalho é flexível como massa para modelar. Ele pode ser pressionado, moldado, reformulado e dividido.
Portanto, o trabalho deve sempre subordinar-se ao tempo disponível. Atacar com entusiasmo sua lista diária de itens a fazer não é suficiente.
O tempo deve ser realisticamente programado para que as tarefas certas realmente sejam feitas.
2. Cuide primeiro dos assuntos urgentes.
Se é urgente, deve ser importante, certo? Errado! Quem é que diz que o assunto é urgente?
É você, seu chefe, sua secretária, um cliente, um empregado, um vizinho? Urgente implica em necessidade de atenção imediata.
Mas quem está exigindo atenção imediata? Como a tarefa em questão se relaciona com os objetivos a serem atingidos?
Na realidade, existe um relacionamento matricial entre assuntos urgentes e importantes. Esta correlação pode ser simplesmente citada como:
“Assuntos urgentes podem ser importantes, mas não necessariamente.” São quatro os possíveis relacionamentos. O assunto pode ser: Tanto importante quanto urgente Ex.: você está quase perdendo seu principal cliente. Importante mas não urgente Ex.: planejamento estratégico para os próximos três anos. Urgente mas não importante Ex.: a maioria do telefonemas. Nem urgente nem importante Ex.: conversa fiada ou comentários excessivos sobre o jogo de futebol da semana passada.
Conclui-se, portanto, que assuntos importantes (os que têm vínculo com os objetivos) deverão sempre ter prioridade sobre assuntos meramente urgentes (os que pressionam pelo tempo), uma vez que atenção deixará pouco tempo para fazer o que realmente é importante.
3. Distribua uniformemente sua carga de trabalho.
Há quase 100 anos, Pareto questionou este conceito. O Princípio de Pareto postula que para qualquer número de itens, um pequeno número destes itens é muito mais importante do que o restante.
Por exemplo, 20% dos clientes de uma companhia provavelmente são responsáveis por 80% das vendas, ao passo que 20% dos itens em estoque podem representar 80% do inventário.
O Princípio de Pareto é uma prescrição de discriminação. Ele propõe dedicar mais atenção aos itens importantes e menos atenção aos itens de menor importância.
Conclui-se, portanto, que uma carga de trabalho uniforme, que trata de todas as tarefas da mesma maneira, não atende à necessidade do executivo.
O esforço concentrado em poucos assuntos importantes é que abre o caminho para a produtividade gerencial.

ALGUNS PASSOS PARA GERENCIAR SEU TEMPO COM MAIOR EFICÁCIA

Mesmo com os três conceitos “furados” colocados em perspectiva, a questão permanece.
Que regras poderão realmente ajudar-me a melhor administrar meu tempo? O primeiro passo para melhor administrar o tempo é determinar como é utilizado.
A maioria as pessoas acha que sabe como ocupa seu tempo mas, comumente, quando os fatos são registrados num quadro de tempo, o resultado é surpreendente.
Situações típicas demonstradas nesse quadro são:
  1. Julgamentos bruscos feitos em relação a assuntos altamente importantes;
  2. Conversas telefônicas que se estendem em demasia
  3. Períodos de incessantes interrupções nos quais nada de significativo é feito;
  4. Longo envolvimento em assuntos de pouca importância que poderiam ser delegados ou ignorados;
  5. Períodos de escravidão à burocracia, nos quais a “papelada” domina o dia;
  6. Ausência de tempo para pensar ou planejar.
A percepção de como você usa seu tempo implica num esforço de cronometrar suas atividades diárias e registrar os resultados para análise.
Para ajudar a capturar seu dia como ele realmente é, siga estes passos:
Passo 1 – Faça um quadro de tempo.
Use uma agenda, um caderno ou um bloco e anote de 30 em 30 minutos o que você esteve fazendo durante a meia hora que passou. Registre suas atividades por uma semana.
Passo 2 – Reveja o quadro.
Faça um resumo dos resultados. Veja quanto tempo você gastou em assuntos realmente importantes, quanto tempo foi gasto inutilmente e quanto foi dedicado à rotina.
Passo 3 – Reflita.
Você está realmente aplicando o tempo nos assuntos que o ajudarão a atingir seus objetivos?
(você poderá concluir que, certamente, seu tempo não está sendo bem utilizado, mas justifica assim “não existem horas suficientes no dia e, além disso, as pessoas vivem me interrompendo.”).
Para resolver este problema, examine os maiores estranguladores de tempo e deixe mais tempo livre para os assuntos importantes.
As seguintes atividades tendem a dominar o dia do gerente/profissional:
Para ganhar tempo, analise seu dia visando eliminar atividades inúteis. Aqui estão alguns indicadores para manter-se livre da maioria dos estranguladores de tempo:
Passo 4 – Pergunte a você mesmo se realmente precisa ver toda aquela papelada.
O fato de ter sido mandada para você não significa que deva perder tempo com ela.
Faça uma lista dos documentos que recebe; classifique-os em grupos de prioridades A, B e C.
Então, delegando, eliminando e condensando, reduza drasticamente seu gasto de tempo com os itens C e, em menor grau, com os assuntos B, permitindo desse modo, mais tempo para os de prioridade A.
Passo 5 – Discipline suas reuniões para obter resultados mais eficazes em menos tempo.
Volte às bases. Todos conhecem o assunto e o objetivo da reunião? É comum os participantes não saberem o objetivo da reunião (às vezes, nem o líder tem uma idéia clara).
Estabeleça o objetivo da reunião de forma cristalina. Antes dela, faça uma agenda detalhada e, finalmente, registre os resultados em ata.
Pergunte-se também se a reunião realmente é necessária. Talvez não seja e, sim, uma perda de tempo para todos os participantes.
Passo 6 – Determine quanto tempo você dispõe para diálogos (para ouvir, resolver problemas, conversar); então, racionalize o seu tempo de acordo.
Precisa receber todas as pessoas que querem falar com você? E pelo tempo que elas quiserem? Obviamente não.
Muitos dos seus visitantes poderão ser bem atendidos por outra pessoa que não você.
Se tem outras prioridades, é uma prerrogativa sua determinar os limites de tempo dos seus diálogos.
Redobre, portanto, seus esforços para organizar sua agenda de entrevistas.
Passo 7 – Estabeleça um código de conduta telefônica.
Evite escravizar-se ao telefone. Agrupe as ligações para logo se ver livre delas. Evite interrupções telefônicas quando estiver trabalhando em assuntos importantes (desligue o aparelho, ou peça a alguém para anotar recados).
Se precisa fazer ligações diariamente, tente estabelecer um horário para isso. Evite pegar o telefone impulsivamente – organize seus pensamentos e discuta os assuntos em uma seqüência ordenada.

DE VOLTA AOS ANTIGOS CONCEITOS

Para administrar eficazmente o seu tempo, basta fazer uma revisão nos conceitos “furados”.
Com o acréscimo de algumas palavras, os velhos conceitos se transformam em poderosas diretrizes gerenciais.
Eis a versão revisada:
  1. Faça uma lista das tarefas que você precisa executar diariamente; então, estabeleça prioridades e programe as atividades, concentrando-se nestas tarefas até que os itens programados estejam executados.
  2. Cuide primeiro dos assuntos importantes; estes devem sempre prevalecer sobre aqueles que meramente parecem urgentes.
  3. Distribua sua carga de trabalho proporcionalmente de acordo com a importância dos assuntos que você tem à mão.
Estas mudanças, aparentemente sutis, transformam os três conceitos “furados” de tempo em regras altamente eficazes.
Siga estas diretrizes e você se tornará mais eficaz – produzindo mais em menos tempo.
COMO DELEGAR
A delegação determina em grande parte a sua eficácia como executivo, gerente ou supervisor. A qualidade do seu trabalho.
também depende de sua capacidade de delegar adequadamente. Se você o fizer, multiplicará a sua produtividade.
Quanto mais cedo detectar, no seu processo de planejamento, a sobrecarga de trabalho, sua ou de outra pessoa, mais eficaz você será corrigindo o problema.
Não espere fazer tudo sozinho. Talvez você perca muito tempo tentando dominar algo em que não é muito bom.
Delegar, apropriadamente, à pessoa certa, com experiência adequada, é uma das habilidades executivas mais importantes.
Quando você delega, está designando uma tarefa a uma pessoa e a autoridade para executá-la, mesmo que não transfira a sua responsabilidade pessoal, que continua com você.
O Delegante Eficaz
  1. Identifica a pessoa certa para fazer o trabalho.
  2. Delega agora, dando tempo suficiente para a conclusão.
  3. Expõe claramente o objetivo.
  4. Fornece todas as informações necessárias para a conclusão da tarefa.
  5. Certifica-se de que o staff entendeu a tarefa antes de começar a trabalhar.
  6. Marca uma data para conclusão.
  7. Incentiva um plano de projeto por escrito.
  8. Monitora periodicamente a evolução.
  9. É acessível para esclarecimentos e conselhos.
  10. Assume a responsabilidade, mas dá crédito à pessoa que realizou o trabalho.
  11. Ajuda o staff a crescer, conferindo-lhe novas responsabilidades.
Faça agora
O primeiro passo para começar a aproveitar melhor o tempo é organizando o espaço de trabalho.
É necessário começar pelas pilhas de papéis e documentos que povoam mesas dos escritórios.
Ao pegar no papel ou documento pela primeira vez deve-se resolver de imediato, tratar do assunto e direcionar o papel para o lugar certo.
Não se pode usar dos adiamentos, pois quanto mais adiar-se uma tarefa, outras mais se acumularão.
Portanto, ao se tratar de um assunto, deve-se resolver no ato (faça agora), para não simplesmente trocar o problema (papel) de lugar.
Além disso, é importante que se faça tudo de uma vez só, não compensa perder tempo para ler cada um dos documentos, para ler depois analisar e por fim tomar uma providência.
O correto é logo que se começar a resolver um assunto, o fazê-lo de uma só vez, eliminando-se etapas desnecessárias do processo de trabalho.
Outro aspecto importante é trabalhar-se com a mente limpa. Milhares de afazeres menores rondam a mente tirando a atenção da pessoa do assunto a ser tratado no momento por serem puxados pela memória.
Por isso, deve-se eliminar essas pequenas coisas para depois se ter maior concentração maiores facilitando-se sua execução.
Além do que, a importância de se tratar de pequenos problemas está no fato de que assim evita-se que se tornem problemas maiores e mais difíceis de se resolver.
Muitas vezes durante o dia as pessoas são interrompidas pelos chefes, companheiros de trabalho, subordinados e clientes, justamente por não resolverem pequenos problemas piorados com os adiamentos.
Atrasos geram problemas, e problemas geram interrupções que atrapalham o desenvolvimento das atividades nas quais está-se trabalhando.
Desta forma faz-se necessário identificar as prioridades de trabalho, reservando-se tempo para elas, identificar-se as causas e remediá-las.
Devemos focalizar aquelas atividades que mais podem contribuir para atingir os objetivos globais previstos.
Questionar sempre as urgências, usando os seus critérios e comprando-os com os do interlocutor.
Preocupações impedem pessoas de visualizar o futuro, as prendem a fatos passados, impedindo-as de desempenharem boas ações no presente.
Resolvendo primeiramente as tarefas mais desagradáveis ao invés de adiá-las, evita-se tais preocupações e, sentindo-se melhor, as pessoas trabalham melhor.
Naturalmente, não são todas as tarefas que são possíveis de ser resolvidas no exato momento, algumas dependem de outras pessoas ou fatos, dados indispensáveis momentaneamente, e são essas que devem ser classificadas como pendências.
Há também de se ter pertinência pois há tarefas que são verdadeiramente bobas e não devem merecer atenção imediata.

LIDANDO COM INTERRUPÇÕES

Nem todas as interrupções, obviamente são ruins. Na verdade, existem algumas interrupções boas, aquelas onde se discutem boas idéias.
Para cortar interrupções indesejáveis:
Comece a dividir a sua comunicação em lotes. Evite a cada assunto que surge discutir imediatamente com o responsável por isso.
Em vez disso discuta vários problemas no mesmo momento.

COMO PRIORIZAR ASSUNTOS EM FUNÇÃO DE IMPORTÂNCIA E URGÊNCIA?

A TIRANIA DA URGÊNCIA RESIDE NA SUA DISTORÇÃO DE PRIORIDADES – PELO SUTIL DISFARCE DE PROJETOS MENORES COM STATUS MAIOR, COMUMENTE SOB A MÁSCARA DE “CRISE”.
Assuntos importantes são aqueles que são relevantes em termos de nossos objetivos. Urgências são caracterizadas por uma necessidade premente de se realizar atividades dentro de um prazo específico, podendo ser ou não coincidente com um assunto importante.
Programar seu tempo ou seu trabalho?
“O que é que eu realmente consegui fazer hoje?”, quando, no fundo, você já sabe qual é resposta. Como é que pode acontecer este fenômeno?
É porque nos deixamos ser controlados pelas urgências dos outros, mesmo quando estes assuntos não contribuem de nenhuma forma para objetivos em mira.
Devemos nos perguntar onde estamos e para onde estamos tendendo.
PETER DRUCKER fala que: não conseguimos atingir nossas metas diárias porque, em termos de administração de tempo, procedemos de maneira totalmente inversa, isto é, procuramos espremer uma “massa” que se encontra em processo de constante expansão, dentro de um compartimento rígido e limitado.
O importante é procurar alocar previamente uma parcela de tempo para a execução de tarefa, executando, em primeiro lugar, aquela tarefa que produzir mais resultados ou consequências.
Tarefas importantes e tarefas urgentes
O combate a URGÊNCIAS é fundamental para a concentração do tempo nas IMPORTÂNCIAS.
Para combater as URGÊNCIAS é preciso que:
O que é inesperado não é necessariamente importante! Diante do inesperado, resista à tentação de execução imediata, procurando antes identificar a importância/urgência da tarefa.
Ordem Pessoas têm mania de guardar coisas sob o pretexto de talvez precisar delas mais tarde. No entanto, deve-se guardar somente o que realmente é importante e pode ser útil mais tarde.
Há um conceito de que a desordem instiga a criatividade, o que não é verdade. Segundo o “Wall Street Journal” as pessoas passam em média 6 semanas por ano procurando coisas no escritório.
Além da ordem ajudar no acesso às informações de maneira rápida, possibilita um ambiente confortável, e isto ajuda a aumentar a produtividade.
Para trato dos papéis, usa-se o sistema de bandejas, sendo uma para entrada de documentos, uma de pendências e outra para saída.
Entrada: assuntos novos; materiais ainda não analisados a serem tratados.
Pendências: aqueles que não podem ser resolvidos de momento; não podem ficar mais de 24 ou 48 horas pendentes.
Saída: assuntos resolvidos, aqueles que já podem ser arquivados ou eliminados.
Um outro ponto crucial é a eficiência, eficácia e rapidez no trabalho, é necessário ter-se todo o material, ferramentas funcionando perfeitamente e saber-se utilizá-los.
Esses materiais vão desde clipes, grampeadores e tesouras até copiadoras, fax e computadores.
É sempre bom manter-se atualizado acerca de novas ferramentas de trabalho que surgem.
Arquivos
Os arquivos devem estar divididos em arquivos de trabalhos do momento, arquivos de referência e arquivo morto.
Arquivo de trabalho do momento: São aqueles em que se trabalham nos projetos atuais.
Devem estar sempre à mão, de fácil acesso como telefones, códigos, política da empresa, endereços, etc.
Depois de serem discutidos (reuniões), há os arquivos de rotina e os de acompanhamento que devem ser divididos de 1 a 12 (representando os meses) e outra parte de 1 a 31(dias); Nestes devem ser colocados aqueles trabalhos diários, substituindo-se lembretes escritos em papéis por anotações na agenda e coloca-se cada arquivo no dia correspondente do mês a ser tratado.
Arquivos de referência: São os projetos futuros e passados, informações sobre os recursos da empresa, informações sobre o pessoal, dados administrativos, verbas, contas de clientes.
Procura-se guardar o que é necessário e, se for possível, entregar documentos a outras pessoas que seja mais conveniente.
Arquivo Morto: Normalmente, arquivos de até três anos, para fins jurídicos e tributários da empresa.
Para os arquivos eletrônicos, é muito útil distribuí-los em pastas a serem criadas por categorias, de acordo com o tipo de arquivo e o tipo de aplicativo existentes.
As mensagens do correio eletrônico devem ser filtradas logo na tela, selecionando os relevantes, apagando as mensagens inúteis e se for realmente preciso, guardá-las.
Porem as que não precisarem ser guardadas devem ser logo apagadas para que não fiquem ocupando espaço.

ORGANIZE SISTEMAS DE FOLLOW-UP EFICIENTES

Porque ter lembretes sempre à frente, não vai necessariamente nos levar à concentração, ao foco e à produtividade.
Se esses lembretes ficarem pendurados durante um determinado tempo, você não os verá mais.
Olhá-los e não tomar uma atitude em relação a todos eles, reforça um hábito: NÃO FAÇA AGORA. Coloque em prática sistemas simples, que permitem superar esses problemas e fazer o trabalho realmente importante.
  1. Transfira seus papéis para um arquivo que lhe permite agendar material, através de lembretes, de acordo com o dia: – (1 a 31) ou por mês (de 1 a 12). Se você envia uma carta e espera resposta em uma semana, coloque o lembrete com uma cópia da carta que irá lembrá-lo de que precisa falar novamente com o cliente.
  2. Também poderá consolidar todas as pequenas tarefas em um caderno de registros o que elimina a necessidade de pequenos pedaços de papel. Use quando você se lembrar de algo e precisa um lugar para escrever. Mantenha nele um diário de atividades em ordem cronológicas. Você deve datar cada um dos registros. Escreva em letras grandes e separe cada registro. Quando concluir uma tarefa, faça um (X) grande sobre ela. Até criar o hábito, deixe-o sempre em cima de sua mesa.
  3. No sistema de agenda, como são datadas, elas prevêm as necessidades futuras e você pode utilizá-las, como um sistema linear de lembretes. A boa regra para qualquer sistema de agenda é você escolher um sistema para mesa com várias seções e características, ou uma de bolso. Utilize agenda que tenha a função de visão rápida da semana. Aprenda a utilizar todos os recursos do seu sistema de agenda.
  4. Existem sistemas de agendas eletrônicas portáteis que podem nos fornecer uma grande quantidade de informações. Qualquer que seja o tamanho existem alguns inconvenientes. Um sistema/agenda do tamanho da palma da mão pode ter um teclado difícil de se trabalhar. Existem programas com várias funções que você pode utilizar para fazer anotações rápidas e depois revisar e ajustar como acontece quando você planeja no papel. Muitas pessoas combinam os sistemas de agenda de papel e eletrônica, que pode imprimir a sua agenda em qualquer tamanho e você poderá levar o impresso ao invés do computador.

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Fonte: Contabilidade em São Paulo - AGS Contabilidade Integrada
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